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@edsonbas

Edson Basilio
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@edsonbas
há 6 dias
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Ficção (microconto)

Mas... eu podia jurar que era verdade.
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@edsonbas
há 6 dias
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Bolso (microconto)

Um papel de jogo do bicho, uma nota de 10 colada com durex, um molho de chaves e uma foto 3x4 do filho.
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@edsonbas
há 6 dias
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Valor (microconto)

Já foi cara, hoje é coroa.
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@edsonbas
há 6 dias
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Fofoca (microconto)

“Não! Não gosto de conversa fiada. Blá-blá-blá, ti-ti-ti, lero-lero, disse-me-disse. Não quero saber de nada disso! E vou falar isso para ele. Só vou esperar ele acabar de contar essa última e vou falar. Mas… e se ele tiver mais alguma?”
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@edsonbas
há 6 dias
Público
Fotografia (microconto)

Ainda estão todos lá. Estáticos. E aquela felicidade infinita.
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@edsonbas
há 3 semanas
Público
Retrato (microconto)

Era ela, mas não era ela.
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@edsonbas
há 1 mês
Público
A Coca-Cola da garrafa de vidro é muito mais gostosa que a que vem nas outras embalagens. Acho que isso é unanimidade. Mas por que? O que ela tem de diferente? Será que o material da embalagem muda o gosto dela?
Hoje em dia existem vários tipos de embalagem para refrigerantes, cervejas e sucos, mas, quando eu era um pré-adolescente, não. Nada de latinhas e garrafas de plástico de todos os tamanhos, tudo vinha em garrafas de vidro. Cerveja e guaraná vinham nas de 600 ml marrom, já a maioria dos outros refrigerantes, vinham nas de 290 ml, a famosa KS.
Naquele tempo, a gente ia numa lanchonete, padaria ou bar e pedia um salgado e uma Coca. Quando o atendente abria a tampa da garrafa, o bico sempre ficava com um anel de ferrugem. A gente não estava nem aí, colocava na boca e ia logo bebendo. Depois era a vez de dar uma mordida no salgado, que vinha num prato de alumínio, em cima de um papel retangular e coberto por dois guardanapos.
Acho que o verdadeiro diferencial da Coca KS está na memória de outros tempos, de momentos felizes, talvez até no gosto de ferrugem. Pode ser também que a mistura de tudo isso crie um sabor mais complexo: o gosto da nostalgia.
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@edsonbas
há 1 mês
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Streaming de sonhos (parte 2)

A Mind Chip Corp era um mega complexo: 5 prédios com mais de 10 andares cada. Me explicaram que um era para pesquisas, outro para a administração, experimentos etc. Não prestei muita atenção, queria explicações. Andei alguns quilômetros até chegar ao prédio central, o da administração. O “guia” que me acompanhava me levou até o elevador, apertou o botão do último andar e me disse que eu seria recebido pelo responsável por esta parte dos serviços da empresa. Ele gostava de explicar pessoalmente e em detalhes quando a pessoa tinha alguma dúvida.
Fui bem recebido. O homem, muito bem vestido, me convidou para sentar ao seu lado no sofá, me ofereceu um café. Claro que aceitei, precisava de mais um. Me ouviu pacientemente e pediu a palavra para esclarecer todos os meus questionamentos. Começou perguntando se eu não tinha a curiosidade de saber o que as outras pessoas sonham. Respondi que sim e ele disse que todo mundo tem essa curiosidade e que estão dispostos a pagar por isso. Então ele me mostrou alguns sonhos e me explicou:

“- Na verdade, nossa atividade principal aqui é o implante de chips cerebrais para ampliação da capacidade de memorização e aquisição de novas habilidades através da simples transferência para o chip. É assim que as pessoas estão aprendendo outros idiomas, disciplinas escolares, entre outras coisas. No seu caso, você queria ampliar sua capacidade de memorização e saber falar inglês. Você chegou aqui dizendo que tinha conseguido juntar pouco dinheiro, apenas o suficiente para as passagens de vinda e de volta, pois estava sabendo da nossa condição especial para aquisição do implante sem custo, bastando autorizar a venda dos seus sonhos via streaming, o que fica a cargo da nossa parceira Dream Stream. O cartão que você está usando é do banco no qual depositamos a sua porcentagem devido aos direitos autorais, quando vir o seu saldo, você vai ver que valeu muito a pena. Quanto ao fato de você não saber o que está acontecendo, trata-se de uma amnésia temporária pós-implante, dentro de alguns dias você já estará se lembrando de tudo. No mais, desejamos felicidades e que o senhor fique muito satisfeito com os nossos serviços e produtos.”

Em seguida, ele me mostrou o contrato que eu assinei, imagens minhas feitas pelas câmeras no dia do meu implante e pediu que eu passasse a mão no topo da minha cabeça para sentir um pequeno “caroço”, dizendo ser a cicatriz da cirurgia. Agradeceu por eu ser um cliente da empresa e disse que esperava ter esclarecido todas as minhas dúvidas. Terminei o café, respondi que sim, agradeci também e fui embora daquele lugar.
Saí andando pelas ruas, sem rumo, tentando me lembrar do que tinha acontecido nos dias anteriores. Senti alguém batendo no meu ombro, olhei para trás e dei de cara com mais um “fã”. Ele me disse que já tinha assistido todos os meus sonhos. Que maratonou junto com a namorada e que tinham adorado. Olhei nos olhos dele, pisquei o meu olho direito, apontando com o indicador para ele, e disse: “- Aguarde a próxima temporada!”. Virei para frente de novo, caminhei mais um pouco, entrei numa cafeteria e pedi um café.
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@edsonbas
há 1 mês
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Streaming de sonhos (parte 1)

Enquanto eu caminhava pela Times Square, eu percebi que todas as pessoas que passavam por mim ficavam me encarando. Uma dessas pessoas até me esbarrou e disse que era meu fã, que curtia tudo o que vinha de mim e que eu era o melhor. Sem saber do que se tratava, perguntei do que ele estava falando. Ele só apontou para cima, para um dos telões e disse: "- Eu assino o pacote Premium Live 18+".
Quando levantei a cabeça para olhar, o restante do meu corpo quase acompanhou o movimento e caiu para trás. O telão mostrava eu voando e, de dentro das nuvens surgia o anúncio: “Dream Stream - O streaming de sonhos - Live e On Demand - 1° mês grátis”. O que era aquilo? Um sonho meu sendo vendido? Eu voando entre as nuvens? Por que uma pessoa iria querer assistir isso? Espera! Aquele homem tinha falado em 18+. O que ele quis dizer com isso? Estão vendendo todo tipo de sonho? O que está acontecendo? Como? Onde? Quando? Por que?
Levei um bom tempo para voltar a mim. Tudo aquilo ficou rodando dentro da minha cabeça por muito tempo. Pelo menos foi essa a impressão que eu tive, a de que fiquei alí parado, boquiaberto, sem piscar os olhos, encarando eu mesmo naquele telão e tentando entender. E não entendi. Mas queria. Então memorizei o nome do streaming, Dream Stream, o número do telefone e o endereço do site. Acho que eu nunca tinha conseguido memorizar tanta informação ao mesmo tempo.
Com os dados que eu tinha, não foi difícil descobrir o endereço da sede da empresa responsável pelo streaming. O difícil foi chegar até lá, pois eu não conhecia nada nem ninguém por alí. Eu não era dalí. Pensando bem, o que eu estava fazendo alí? E como eu estava conseguindo falar e entender inglês? Perdi mais um bom tempo tentando “digerir” todas essas perguntas. Não consegui e desisti. Resolvi revistar meus bolsos. Encontrei um cartão de banco. Parei para tomar um café, pedi informações, peguei ônibus, metrô. Em todos os lugares, o cartão foi aceito.
Desci numa estação do metrô que ficava em frente à sede da tal empresa. Foi só atravessar a avenida e lá estava eu. Não era muito grande, três andares apenas. O primeiro era para atendimento ao cliente. Os atendentes foram muito educados, mas não souberam dar nenhuma informação que não fosse sobre preços de assinaturas e as vantagens de cada pacote de programação. Pedi para falar com o gerente. Ele me encaminhou para o terceiro andar, onde ficava a administração. Disseram que não sabiam como funciona o processo, pois só eram responsáveis por transmitir as imagens para os assinantes. Na saída, o gerente insistiu para que eu ficasse com o cartão dele. Peguei e o enfiei no bolso. Agradeci e saí.
Voltei para a estação do metrô. Sentei num banco e abaixei a cabeça. No meio do caminho para baixo, meus olhos viram o cartão do gerente no bolso da camisa. Peguei. Tinha o nome da empresa, o dele e os contatos dos dois. Nada demais, um cartão de visita normal. E no verso? No verso, escrito à caneta, um endereço e o nome de uma outra empresa: Mind Chip Corp. Levantei, tomei mais um café e comecei uma nova jornada.
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