Às vezes me sinto o reflexo de uma geração… perdida! Que ousou sonhar e até chegou a acreditar Mas esbarrou nas oportunidades escassas
Tenho a impressão que sempre nos olharam… como patinhos feios! Foram forjados no sacrifício e nunca entenderam bem Essa coisa de ter esperança
Aos poucos fomos contaminados e sugados… sem imunidade parlamentar! Julgaram-nos até a alma, só pra cantarem vitória Diante da massa arrendada e falida
O mundo andou doente por estes dias e a cura… Omissa! Foi uma comunhão de vistas grossas e raiz grossa Que o amargor dava pra sentir na derme
Mas seria grosseria dizer que ainda é assim E que o novo tem tudo e mal sabe como chegar no fim Perdidos éramos nós, mas nunca fomos os que não cantavam alecrim
Abri os olhos... Mil corpos, deitados à minha direita, mil corpos à minha esquerda. Aos poucos eles se levantaram... E fomos seguindo, caminhando, feito uma criação que nasce, cresce e se alimenta, até que chega o dia do abate.
...
Edwiges - Anda Ian! Vamos nos atrasar!
Ian - Já vou! Mas você tem mesmo certeza que é seguro lá fora?
Edwiges - Tenho sim! Não precisa se preocupar. Eu já falei com o Vladimir e também com o Hans e eles prometeram te deixar em paz. Aliás, também disseram que não vão mais brigar.
Ian - E você acreditou neles?
Edwiges - Eles pareceram sinceros. Pareceu-me um acordo sério… De cavalheiros!
Ian - Tá bem! Eu vou com você, mas pra onde vamos?
Edwiges - Vamos brincar de esconde nos campos de trigo? Eu adoro e dá pra gente chamar todo mundo.
Como era lindo brincar nos campos de trigo. O Sol iluminava os cabelos ruivos da Edwiges e eles brilhavam… feito estrelas... feitos de estrelas. O Hans e o Vladmir, sempre brigando, com todos e às vezes entre eles mesmo. E quando isso acontecia, todo mundo se envolvia e não tinha como ficar de fora. Estava feito no mundo o estrago.
...
"E Continuamos Contado..." é uma dramaturgia que narra um história potente de luta, guerra e sofrimento. Uma história conhecida por todos, porém contada de uma forma poética e leve, feito um romance adolescente que deixa marcas e aos poucos vai ficando no passado, mas que nunca é totalmente esquecido. Mas será que deveríamos?
Aos poucos as palavras vão sumindo E os gritos, abandonados, silenciando A luz lá no alto, reduziu-se a uma pequena partícula No fundo do poço, as paredes aparentam ser mais íngremes
As mãos, da ajuda, não alcançam tal profundidade E as cordas jogadas, não passam apenas de cordas jogadas A água já chegou na altura do peito E o corpo submerso não reconhece mais o afeto
Afogado o instante, em instantes será esquecido O estandarte abandonado, já era bagagem em excesso Um rescaldo do mais negro cinza que finalmente encontrou um repouso Uma palavra, não mais palavra… Agora uma mancha, que sobrou na borracha
Onde a gente tamô? A gente tá! A gente tá? Aonde? Você não se lembra? Acho que a gente tá nos quintos. Eu não lembro nem do primeiro Que inferno!!! Parece mesmo! Igualzinho o que Dante falou E quem é esse Dante aí? É um escritor! Coitado. Mais um morrendo de fome! Você não sabe de nada mesmo, né Ele morreu há mais de 300 anos Nossa! Ele era mais pobre do que eu pensava Agora faz sentido! O que faz sentido? Não terem me convidado pro enterro! Será que ele tá aqui? No inferno? Ué. E o inferno não é dele? Será que ele é o…
Ficou curioso com o desfecho desta história!? Então fiquem ligados aqui no Literunico que em breve o Livro 3 "Absurdo é Quadrado" , da coleção "12 Textos p/ Teatro Que Escrevi Quando Estava Falido", estará disponível em primeira mão por aqui!
Zumbis é o 2º livro da coleção: 12 Textos p/ Teatro Que Escrevi Enquanto Estava Falido.
Ele já tá no forno, quase pronto. Esse trecho é só um aperitivo!
-x-
Montes… Montes de gente, mas não gente, indigentes Montes de lixo, montes em suplício, montes de merdas Sempre fazendo barulho, barulho absurdo, montes de zumbidos Zunindo no ouvido, zumbis… Isso! Zumbis, sempre sedentos querendo alimentar os seus vícios.
Já são mais de 03:00h da madrugada e não me deixam dormir. Se xingam, se ameaçam, se querem matar e comer cada um o pedacinho do outro.
Um monte de loucos!
Fazem mais barulho do que os vizinhos nas beliches ao lado ou mesmo nos outros quartos. Às 07:00h eu trabalho, mas preciso sair por volta das 05:00 pra não pegar o metrô lotado.
O que eu tô fazendo aqui, já tô atrasado. Vou tomar um banho de gato e vazar rápido daqui.
Preciso correr, nestas ruas escuras, zumbis pra todo lado. Não posso ser assaltado, não tenho nada pra ser levado. Será que estes zumbis querem o meu corpo, socorro! Ou meu cérebro, meu deus, pra que querem meu cérebro, não tem nada lá dentro. Pelo menos nada que preste ou que sirva pra algo.
Não sirvo pra nada! Ouço isso desde sempre. Desde pequeno já não me viam como gente e hoje em dia é meu chefe, sempre mal-humorado, diz o tempo todo. - Você não serve pra nada! Não vende nada pelo telefone!
É sempre esse assédio, disfarçado de metas, nunca alcançáveis. Me dizem pra vender revista “Veja”, pra quem precisa de remédio pra vista. Nem Freud explica.
Ufa! Já passei pelo perigo maior. Essa rua da Sala São Paulo tem mais crack na rua do que tocando lá dentro no tablado ou no time do Corinthians. Aliás, esse não vê craque faz tempo.
Já consigo ver a Luz! Não a luz do fim do túnel, mas logo ali é o relógio da Luz. Mesmo no escuro ele tá sempre iluminado. Tô precisando tanto de uma luz. Será que ele divide um pouco comigo?
Ah, que bom, a escada rolante! Agora é só descer e seguir lá pra dentro. Mas que silêncio? Tá meio vazio por aqui. Mesmo esse horário já tem gente pra todo lado.
Que estranho! Tá fechado. A essa hora e o metrô tá fechado?
Esta semana, apesar dos milhares de problemas, está sendo bastante produtiva no sentido de encontrar melodias e criar novas canções. A canção a seguir nasceu pronta e fazer o arranjo dela foi tão natural o que tornou o processo bem delicioso. Espero que gostem!
>> Blood Hole <<
[Verse 1]
When you meet the crack When the night is come down And the hole gets so big You’re inside and don't even realize
Walls rise from nowhere And the doors, all blocked You forgot the keys And the story goes on without end
[Chorus]
There is no rabbit to follow Neverland is so far away The little prince lost his rose In the city sewers
The little crazy boy is lost On the road that is not yellow She is stained with red and sweat She is the rest of what bled
[Verse 2]
When the wound is open It's not always good to poke The medicine is bitter it will burn and it will hurt
The knife always sharp Always someone to stick it in Captain Hook was not the villain And the fairy was not a lighthouse
[Chorus]
There is no rabbit to follow Neverland is so far away The little prince lost his rose In the city sewers
The little crazy boy is lost On the road that is not yellow She is stained with red and sweat She is the rest of what bled
[Interlude]
Oh, Oh Oh Oh, Oh Oh Oh
[Chorus]
Tradução
>> Buraco de Sangue <<
Verso 1
Quando você encontra a rachadura Quando a noite cai E o buraco fica tão grande Você está dentro e nem se dá conta
Paredes surgem de lugar nenhum E as portas, todas fechadas Você esqueceu as chaves E a história continua sem um final
Refrão
Não há coelho pra seguir A Terra do Nunca está tão longe O Pequeno Príncipe perdeu sua rosa Nos esgotos da cidade
O Menino Maluquinho está perdido E a estrada não é amarela Ela está manchada de vermelho e suor Ela é o resto do que sangrou
Verso 2
Quando a ferida está aberta Nem sempre é bom cutucar O remédio é amargo Vai arder e vai doer
A faca está sempre afiada E sempre tem alguém pra enfiá-la Capitão Gancho não é o vilão E a fada não é o farol