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dois mundos
sobre a mesa
riso indiscreto
abaixo dela
mão boba
sobre a mesa
caretas
embaixo
carícias
sobre a mesa
a sobremesa
abaixo
uma delícia
sobre a mesa
faces rubras
abaixo dela
impudicos
sobre a mesa
uma conversa
lá embaixo
o grito
sobre a mesa
descontração
por baixo
descontrole
sobre a mesa
olhos desencontrados
embaixo
corpos colados
sobre a mesa
uma mão gesticula
abaixo
a outra ejacula
sobre a mesa
conversa mole
debaixo
o duro e o melado
sobre a mesa
lado a lado
abaixo
trançados
sobre a mesa
transações
debaixo
transa
sobre a mesa
quem diria
logo abaixo
uma orgia!
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não temo sangrar
o meu rubro é sincero
o pulso não sabe mentir
narro com o peito
vascularizo o sentir
bato na mesma tecla
inda que murro
em ponta de faca
deixo escoar
inda que doa
esta comoção
vale a ferida
incansável
do sentimento.
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calmo deslizo
por tua água
duas carnes
macias
valsando
duas chamas
bailando
arquejantes
pelos eretos
corpos arfantes
indo e vindo
provando-se
incêndio
entre quatro paredes
de quatro
de ladinho
decúbito
missionária
louvando ao delírio
do gozo!
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Lições Marítimas
as ondas comem
minhas desesperanças
quebra e ronca
dorme o peso
acorda o sonho
maré convida a navegar
expulsa âncoras
há profundidades
habitando toda coisa
há tesouro apenas
a quem não teme naufragar
enfrentar o dissabor do sal
usá-lo de tempero
para uma doce conquista.
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Consumação
nossa transa iniciou no olhar
a carne magnética, a pele eriçada
corpos rogando pelo nó
as bocas colam, as línguas calam
na ardente linguagem do desejo
desce elétrico o doce prazer
umedece e enrijece o íntimo
encosto em ti, abraço tua chama
lento a tateio, lendo-a inteira
tua face, teu seio, o mamilo
a cintura, os pelos, os lábios
pequenos, macios, viscosos
os dedos dançam dentro de ti
a tua mão me devora feroz
forte agarra o membro
como fosse presa
selvagem o abocanha
serei a ti oferenda
sereia
incontrolados
fome e sede
nos unimos
únicos
uma só carne
quente e molhada
ofegos e afagos
fogo e gozo
gelo
esvai em tuas coxas
minha semente
mela a cama
floresce rubor
em tuas bochechas
o olor do ato
perfuma as colchas
só quero este encaixe
latejante
estar dentro de tua calidez
em perpétuo torpor
selamos de novo as bocas
sorvendo os hálitos satisfeitos
delirando desnudos
o mundo esquecido
reduzido a nós
entrelaçados.
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Reflexão
és tu mais do que um reflexo
oɥןǝdsǝ ɹǝs oɐ̰u ɐɹɐd 'ɹıʇǝןɟǝɹ
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Um Dia a Dia à Dois
na manhã eu acorde
sentindo a brisa de teu respiro
à tarde, caiamos na cama
de conchinha
ouvindo os amares dos sonhos
anoitecendo
teçamos nosso próprio céu
ascendendo ofegantes
até ver estrelas
no atravessar dos dias
cultivemos a flor da pele
pois quando um amor cresce
os dias ficam cada vez menores.
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No Escurinho do Cinema
vestidinho comportado
nada por baixo
luzes apagam
eles acendem
sentam nas poltronas
ela nele
escurinho do cinema
comédia romântica
o filme em segundo plano
ovacionavam as cenas
ocultando gemidos
roupas úmidas
calor no frio
pulsava a carne
escorria o rio
fim
o filme?
terminou em branco
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Enlace
dois corpos
nus
crescentes
e o mundo
apequenando
dois fósforos
riscando
para apagar
o fogo
interjeições
e dois sujeitos
fazendo uma oração
ao prazer.
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Versos para Um Corpo Ilimitado
esta carne
mero detalhe
vai além
fervilham desejos
transcendem paixões
orbitam sonhos
esta alma
ferida e remendada
tem rosas mais belas
que a flor da pele
neste invisível
sem metragens
cabe o universo
cabem deuses
cabe o mistério
cabe um poema
descabido
neste vaso
que vaza
por versos
transborda sangue
e vísceras
batuca o sentimento
de ser maior
do que todo
e limitado
sentido.
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