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@tibianchini

Tiago Bianchini Fidalgo
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@tibianchini
há 7 meses
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Mandela

Hoje Nelson Mandela estaria fazendo aniversário. Para relembrá-lo, posto aqui um poema que fiz por ocasião da sua morte, em 2013.

Morreu Mandela.
Mouro mandatário dos miseráveis.
Marco da milícia dos magros,
Dos maltrapilhos.
Dos mutilados.
Dos mortais.
Dos muitos que merecem a mudança,
Que morrem por mesquinharias
Nas mãos de malditos.
Miocárdios machucados,
Mentes em mordaças,
Máscaras de melanina.
Morreu Mandela.
Mito, Mago, mais-que-humano.
Merecedor das maiores mazelas,
E das menores máculas.
Por mostrar-nos que o mundo é mais
O mundo é macro.
O mestre é maior que a morte.
Morada das minhas
Melhores memórias:
O Mundo é mudo.
Morreu Mandela.
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@tibianchini
há 7 meses
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Amor (im)Possível

(poema gêmeo do poema de ontem)

E se um dia, numa esquina:
"Oh! Você? Olá, menina!"
"Como vai? Você está bem?"
E me sorrires também,
E, assim, a brisa fina
Das paixões que vão e vêm
Nos será a heroina
De um romance ou algo além.

E se um dia, com esmero,
Te mostrar quanto te quero,
E o quanto podes ser minha,
Mesmo que não estejas sozinha!...
Acho que, sendo sincero,
Lembrarás do amor que tinha
E, nesse dia, eu espero,
Tornar-te-ás minha rainha.

Ah! Se um dia, um belo dia,
Te chamar com alegria
"Oi, sumida!", e você,
Aproveitar pra dizer:
"Há muito que eu queria
Contar que sua eu vou ser:
Não fique triste, sorria!
Nosso amor vai renascer!"

Ou, se um dia, o seu juízo
Lhe aconselhar, sem aviso:
"Não apague o seu ardor!
Vá atrás dele, onde for!"
Você sabe o que é preciso:
Me procure, por favor,
E me diga, com um sorriso:
"O que eu sinto é amor".

Mas, um dia, se pensar
Que ainda pode me amar,
Não se envergonhe: me chama,
Que eu corro pra sua cama!...
Mas, até lá, vou esperar,
Sem fazer, da vida, um drama,
E com a certeza singular
Que só se tem quando ama.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
Amor (in)Condicional

Se fosse o que eu procuro
Se tu fosses mais maduro
Se a boca fosse maior
Se o hálito fosse melhor
Se o cabelo fosse escuro
Ou o olho de outra cor
Se não fosse isso, eu juro
Te daria o meu amor.
 
Se a viagem fosse pra longe,
Se eu não quisesse virar monge
Se meu namoro fosse aberto
Se o que sinto fosse certo
Se a coragem não me foge
Se a viagem fosse pra perto
Ah, meu bem, se não fosse hoje
Eu seria teu, decerto.

Se eu ficasse com saudade
Se eu tivesse vontade
Se o que eu sinto por ti
Fosse impossível não sentir
Se fôssemos da mesma idade
Se meu emprego permitir
Se eu te amasse de verdade
Já estarias aqui.

Se houvesse mais sentimento
Se fosse em outro momento
Se não fosse só paixão
Se não fosse o coração
Ou o tamanho do “documento”
Se fosse em outra encarnação
Sem as desculpas que invento
Serias uma opção.
 
Se não fossem tantos "ses"
Marido, mulher, bebês
Se eu fosse bi-homo-cis
Se fosse em outro país
Se fosse essa a nossa vez
Se fosse o que eu sempre quis
Talvez – e apenas talvez
Seríamos um par feliz.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
Valsa

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@tibianchini
há 7 meses
Público
Hoje

A alegria está aqui.
Mora aqui, em mim.
Não é estar feliz "apesar de",
Não é estar feliz "quando acontecer"
Nem estar feliz "ainda que".

É ser feliz sem condicional,
Ter um sol interno, a irradiar
Em "Bom dia" e "Obrigado".
Em sorrisos.

Não há derrota.
Há a vontade de viver
Que vira versos diários e intensos.
Há um dia que vira poesia a cada instante.

Hoje, o espelho me sorriu,
Não para lembrar daquilo que não ficou:
Mas para me oferecer um café,
E brindarmos o que permaneceu em mim:

Sonhos. Planos. Sentimento a ser vivido.
Presente.

E hoje, quero ler até cair no riso,
Quero rir até que a inspiração ouça,
E, curiosa, venha estar comigo
Para me incentivar até escrever.

E quero escrever até cansar e ficar satisfeito,
E, então, com tanta vida já escrita,
Me sentar e tornar a ler...

Mas... E se ainda houver cacos no meu coração?
Ah, quero, então, pintá-los em cores vivas
Fazer um vitral no peito,
E deixar que meu sol interior ilumine o meu caminho.

Não caibo mais em métrica nem rima:
Hoje, sou meu próprio amor.
Hoje, sou meu próprio sol.
Meu próprio eu e meu próprio fim.
Em mim.
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@tibianchini
há 8 meses
Público
Cavalgada

(Pra não perder o jeito - se é que já não perdi...)

Deitado, lendo um livro.
Apareces na porta, sorriso maroto.
Chemise semi-transparente sobre os ombros
Tentando ajudar as rendas negras
A esconder o escândalo que é o teu corpo.

A chemise saindo corpo, vai para a ponta dos dedos.
Você a gira sobre a cabeça, e joga em mim.
Fechou o livro e aproveito a vista:
A visão do paraíso que sei ser meu.

*Vem cá, meu bem, quero te contar uma coisinha...*
Você vem - dois passos. Sorriso sapeca.
Dois polegares entre a pele e a renda da calcinha,
Descendo, descendo, a cada passo.

A calcinha na ponta dos dedos,
Girando sobre a cabeça,
Voando até o meu rosto.

Seu cheiro. Molhada. Deliciosa.
Descubro o meu rosto, e me descubro em brasa:
Algo se move dentro da minha peça íntima.
Crescendo, crescendo, a cada passo.

*Vem, meu bem, quero cochichar no seu ouvido*
*Tudo o que pretendo fazer com você... *
Você nota o volume se expandindo,
E entende que aquela peça já está apertada demais.

Puxa para baixo, seus olhos me encarando,
O sorriso ainda preenchendo os seus lábios
Mas, agora, disputando espaço
Com algo maior, mais quente e mais intenso.

*Isso. Delícia. Beija. Lambe*
Mas nem preciso dizer, você é mestra.
Especialista em me levar à loucura,
Me olhando entre os cabelos desarrumados.

*Vem mais pertinho, Amor, que eu te conto*
* o que tá passando pela minha cabeça.*
A cueca, nas pontas dos seus dedos,
Gira sobre a cabeça e voa pra longe.

Te puxo pra perto. *Senta aqui, senta...*
Você apoia as mãos no meu peito.
O livro está jogado ao lado da cama,
Observando seu quadril procurando o encaixe.

E quando encaixa... Ah!... Peças perfeitas!
Um gemido, um grito, cabeça para trás.
Minhas mãos seguram sua cintura,
Ajudando e regendo o movimento.

O sutiã, na ponta dos seus dedos,
Girando sobre a cabeça,
Voa, nem sei pra onde:
No meu rosto, apenas dois seios suados.

*Mais, poeta, mais!*, você sussurra,
Rouca, olhos nos meus
Provocando e devorando meus pensamentos.
*Vem cá, seu puto, deixa eu te cochichar de novo.*

Eu sou poeta. Teu corpo é verso.
Uma cavala que cavalga e chama.
Arfa, sobe, desce, geme, grita.
Crava as unhas no meu peito e os olhos na minha alma.

O juízo, na ponta dos dedos,
Girando sobre a cabeça, voa longe;
Teu gozo vem como um frenesi incontrolável,
Em teu cavalgar intenso e galopante.

*Ah, poeta, me mata, me inunda!*
Você se deita no meu peito já arranhado
Suando, arfando, buscando o ar e os sentidos.
Corpo amolece, sussurros que conversam:

*– Porra, poeta, você me pegou de jeito.*
*– Que striptease! Adoro quando você faz isso.*
*– Você me tira do sério, eu não resisto.*
*– Quero ser teu pra sempre.*
*– Te amo. Cada vez mais...*

(O livro? Depois eu compro outro...)
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@tibianchini
há 8 meses
Público
Ponto final?

Ainda estou aqui.
Não te abandonei.
Ainda vivo por ti
Ou não vivo, não sei...

Calado. Não por vontade.
Por imposição.
Devastado. Saudade.
Desilusão.

Tanto a dizer,
Tanto pra se amar!
Mas você não quer.
Nem pensar.

Nada acabou. Não te esqueci.
Mas é a escolha que você fez,
E preciso entender que perdi
– ou nunca tive, talvez.

Nada acabou. Mas é tarde.
E, apesar dos seus milhões de "nãos",
Algo ainda arde:
Eu, inteiro, em suas mãos.

Você me pediu pra desistir.
Pra resolver o que você não conseguia.
Para não tentar, me afastar, fugir.
Chegou o dia.

Hei de seguir, bem ou mal;
Levarei, para sempre, esta paixão.
Solução de um só não é, afinal,
Solução.

Seguirei com esta flecha, que me dói,
Perfurando eternamente o coração.
Mas lembre-se: sempre foi
Sua a decisão.

Nada acabou, é certo. Mas, se fosse
Possível arrancar de dentro de mim
Seu sorriso, seu olhar, sua voz doce,
Eu jamais o faria, mesmo assim.

Amar você não é uma escolha,
Mas ter você, sim.
É como uma derrota, que me olha
Não é minha escolha, enfim.

Ainda estou aqui, e, juro
Corro pra ti ao primeiro chamado,
Com brilho nos olhos e coração puro:
Agora, a decisão é do seu lado.

Mas não vou invadir sem pedir licença:
Não vou causar mais na sua vida incerta.
Enfrente seus medos. Os vença.
Me convide. Deixe a porta aberta.

Nada acabou, mas talvez, nunca comece.
O que é uma pena! Te faria tão feliz!
Não te esquecerei. Mas, não esquece:
Não foi porque eu não quis.
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@tibianchini
há 8 meses
Público
Barquinho

Na guia da rua
Na chuva,
Eu criança, brinco com a água que corre.

Coisa suja,
Criança burra.
Pega doença, fica enfermo, morre!...

Mas, eu, no sonho, ainda criança,
Não temo:
Deus protege os pequenos.

Um barquinho de papel.
Feito com qualquer pedaço de jornal
A enfrentar água do temporal.

Coloco na água, ele foge pra longe.
Torno a pegá-lo, ele torna a fugir:
Sua sina é só essa; é ir.

Meu sonho de menino mesquinho
Querer ser senhor de um barquinho.
Um universo tentando ser livre.

Fique aqui comigo!
Não vá, barquinho de papel!
Te protegerei da água que cai do céu!

Mas o barquinho é teimoso
Insiste em descer a correnteza,
Fugir do meu amor e partir rumo à incerteza.

Barquinhos que seguem suas vidas
Fazem suas escolhas, desmancham-se na água.
É preciso aceitar, sem mágoa.

E este barquinho, que eu tanto quis
Ancorar no meu porto e fazer feliz
Busca outras águas, vai pra longe, viver...
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@tibianchini
há 8 meses
Público
Amores

Amores não acabam: vivem em nós
Para todo o Sempre, nos fazem companhia;
Amores não acabam: apenas nos deixam sós
Quando se cansam da nossa rebeldia.

Não, não se mata um amor, e mais:
Nem se morre dele; vive-se somente;
Não existem, na vida, amores fatais:
Existem amores, amores simplesmente.

Amores não acabam; amores simplesmente
Esperam a hora exata de ressurgir,
Tal Fênix das cinzas, dentro da gente,
E novamente arder e nos fazer sorrir;

Não há fim no amor; não;
Amores jamais virarão pó...
Amores são eternos; amores são
Amores simplesmente; amores e só.

E o meu amor por ti, este eu te digo
Que não haverá nem dor nem saudade
Que o afaste de mim: estarás comigo
Em cada passo meu rumo à eternidade.
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@tibianchini
há 8 meses
Público
O Tempo

Há um ano era outra pessoa;
Havia em mim restos de muitas memórias
Ainda frescas e latentes.
Havia aqui outro futuro,
Outras esperanças e outros projetos.
Alguns deles foram concretizados.
Alguns deles foram abandonados.
Alguns nem chegaram a ser levados a sério.

Há um ano venho mudando,
Venho evoluindo e involuindo,
Venho andando em círculos e saltando à frente.
Venho vivendo, enfim,
Aprendendo dia após dia,
Com os anseios que não poderia ter,
Com os erros que não poderia cometer,
Com os medos que jamais deveria ter tido.

Há um ano sou outro que me vê
E esse outro gosta cada vez mais de si
Cada vez mais de mim.
Cada vez mais de nós.
Perdi pessoas que eram pra vida inteira,
Reencontrei pessoas que jamais reencontraria,
Conheci pessoas impossíveis,
Reconheci a mim.
Tive várias vidas; tive vários destinos distintos.
Tive mortes e renascimentos constantes.
Tive amores e desamores e reamores.
E termino tendo a mim mesmo.

Uma nova etapa começa. Novas etapas começarão.
E sei que não cumprirei todos os projetos,
Pois encontrarei projetos ainda melhores para cumprir.
Hoje tenho ausências que não serão mais sentidas
E presenças que serão para sempre comemoradas.
Hoje tenho a mim.
E a ti, que me lê.
Hoje preciso apenas de mais um ano
Para me tornar uma nova pessoa.
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