Hoje Nelson Mandela estaria fazendo aniversário. Para relembrá-lo, posto aqui um poema que fiz por ocasião da sua morte, em 2013.
Morreu Mandela. Mouro mandatário dos miseráveis. Marco da milícia dos magros, Dos maltrapilhos. Dos mutilados. Dos mortais. Dos muitos que merecem a mudança, Que morrem por mesquinharias Nas mãos de malditos. Miocárdios machucados, Mentes em mordaças, Máscaras de melanina. Morreu Mandela. Mito, Mago, mais-que-humano. Merecedor das maiores mazelas, E das menores máculas. Por mostrar-nos que o mundo é mais O mundo é macro. O mestre é maior que a morte. Morada das minhas Melhores memórias: O Mundo é mudo. Morreu Mandela.
E se um dia, numa esquina: "Oh! Você? Olá, menina!" "Como vai? Você está bem?" E me sorrires também, E, assim, a brisa fina Das paixões que vão e vêm Nos será a heroina De um romance ou algo além.
E se um dia, com esmero, Te mostrar quanto te quero, E o quanto podes ser minha, Mesmo que não estejas sozinha!... Acho que, sendo sincero, Lembrarás do amor que tinha E, nesse dia, eu espero, Tornar-te-ás minha rainha.
Ah! Se um dia, um belo dia, Te chamar com alegria "Oi, sumida!", e você, Aproveitar pra dizer: "Há muito que eu queria Contar que sua eu vou ser: Não fique triste, sorria! Nosso amor vai renascer!"
Ou, se um dia, o seu juízo Lhe aconselhar, sem aviso: "Não apague o seu ardor! Vá atrás dele, onde for!" Você sabe o que é preciso: Me procure, por favor, E me diga, com um sorriso: "O que eu sinto é amor".
Mas, um dia, se pensar Que ainda pode me amar, Não se envergonhe: me chama, Que eu corro pra sua cama!... Mas, até lá, vou esperar, Sem fazer, da vida, um drama, E com a certeza singular Que só se tem quando ama.
Se fosse o que eu procuro Se tu fosses mais maduro Se a boca fosse maior Se o hálito fosse melhor Se o cabelo fosse escuro Ou o olho de outra cor Se não fosse isso, eu juro Te daria o meu amor.
Se a viagem fosse pra longe, Se eu não quisesse virar monge Se meu namoro fosse aberto Se o que sinto fosse certo Se a coragem não me foge Se a viagem fosse pra perto Ah, meu bem, se não fosse hoje Eu seria teu, decerto.
Se eu ficasse com saudade Se eu tivesse vontade Se o que eu sinto por ti Fosse impossível não sentir Se fôssemos da mesma idade Se meu emprego permitir Se eu te amasse de verdade Já estarias aqui.
Se houvesse mais sentimento Se fosse em outro momento Se não fosse só paixão Se não fosse o coração Ou o tamanho do “documento” Se fosse em outra encarnação Sem as desculpas que invento Serias uma opção.
Se não fossem tantos "ses" Marido, mulher, bebês Se eu fosse bi-homo-cis Se fosse em outro país Se fosse essa a nossa vez Se fosse o que eu sempre quis Talvez – e apenas talvez Seríamos um par feliz.
A alegria está aqui. Mora aqui, em mim. Não é estar feliz "apesar de", Não é estar feliz "quando acontecer" Nem estar feliz "ainda que".
É ser feliz sem condicional, Ter um sol interno, a irradiar Em "Bom dia" e "Obrigado". Em sorrisos.
Não há derrota. Há a vontade de viver Que vira versos diários e intensos. Há um dia que vira poesia a cada instante.
Hoje, o espelho me sorriu, Não para lembrar daquilo que não ficou: Mas para me oferecer um café, E brindarmos o que permaneceu em mim:
Sonhos. Planos. Sentimento a ser vivido. Presente.
E hoje, quero ler até cair no riso, Quero rir até que a inspiração ouça, E, curiosa, venha estar comigo Para me incentivar até escrever.
E quero escrever até cansar e ficar satisfeito, E, então, com tanta vida já escrita, Me sentar e tornar a ler...
Mas... E se ainda houver cacos no meu coração? Ah, quero, então, pintá-los em cores vivas Fazer um vitral no peito, E deixar que meu sol interior ilumine o meu caminho.
Não caibo mais em métrica nem rima: Hoje, sou meu próprio amor. Hoje, sou meu próprio sol. Meu próprio eu e meu próprio fim. Em mim.
Cavalgada (Pra não perder o jeito - se é que já não perdi...)
Deitado, lendo um livro. Apareces na porta, sorriso maroto. Chemise semi-transparente sobre os ombros Tentando ajudar as rendas negras A esconder o escândalo que é o teu corpo.
A chemise saindo corpo, vai para a ponta dos dedos. Você a gira sobre a cabeça, e joga em mim. Fechou o livro e aproveito a vista: A visão do paraíso que sei ser meu.
*Vem cá, meu bem, quero te contar uma coisinha...* Você vem - dois passos. Sorriso sapeca. Dois polegares entre a pele e a renda da calcinha, Descendo, descendo, a cada passo.
A calcinha na ponta dos dedos, Girando sobre a cabeça, Voando até o meu rosto.
Seu cheiro. Molhada. Deliciosa. Descubro o meu rosto, e me descubro em brasa: Algo se move dentro da minha peça íntima. Crescendo, crescendo, a cada passo.
*Vem, meu bem, quero cochichar no seu ouvido* *Tudo o que pretendo fazer com você... * Você nota o volume se expandindo, E entende que aquela peça já está apertada demais.
Puxa para baixo, seus olhos me encarando, O sorriso ainda preenchendo os seus lábios Mas, agora, disputando espaço Com algo maior, mais quente e mais intenso.
*Isso. Delícia. Beija. Lambe* Mas nem preciso dizer, você é mestra. Especialista em me levar à loucura, Me olhando entre os cabelos desarrumados.
*Vem mais pertinho, Amor, que eu te conto* * o que tá passando pela minha cabeça.* A cueca, nas pontas dos seus dedos, Gira sobre a cabeça e voa pra longe.
Te puxo pra perto. *Senta aqui, senta...* Você apoia as mãos no meu peito. O livro está jogado ao lado da cama, Observando seu quadril procurando o encaixe.
E quando encaixa... Ah!... Peças perfeitas! Um gemido, um grito, cabeça para trás. Minhas mãos seguram sua cintura, Ajudando e regendo o movimento.
O sutiã, na ponta dos seus dedos, Girando sobre a cabeça, Voa, nem sei pra onde: No meu rosto, apenas dois seios suados.
*Mais, poeta, mais!*, você sussurra, Rouca, olhos nos meus Provocando e devorando meus pensamentos. *Vem cá, seu puto, deixa eu te cochichar de novo.*
Eu sou poeta. Teu corpo é verso. Uma cavala que cavalga e chama. Arfa, sobe, desce, geme, grita. Crava as unhas no meu peito e os olhos na minha alma.
O juízo, na ponta dos dedos, Girando sobre a cabeça, voa longe; Teu gozo vem como um frenesi incontrolável, Em teu cavalgar intenso e galopante.
*Ah, poeta, me mata, me inunda!* Você se deita no meu peito já arranhado Suando, arfando, buscando o ar e os sentidos. Corpo amolece, sussurros que conversam:
*– Porra, poeta, você me pegou de jeito.* *– Que striptease! Adoro quando você faz isso.* *– Você me tira do sério, eu não resisto.* *– Quero ser teu pra sempre.* *– Te amo. Cada vez mais...*
Há um ano era outra pessoa; Havia em mim restos de muitas memórias Ainda frescas e latentes. Havia aqui outro futuro, Outras esperanças e outros projetos. Alguns deles foram concretizados. Alguns deles foram abandonados. Alguns nem chegaram a ser levados a sério.
Há um ano venho mudando, Venho evoluindo e involuindo, Venho andando em círculos e saltando à frente. Venho vivendo, enfim, Aprendendo dia após dia, Com os anseios que não poderia ter, Com os erros que não poderia cometer, Com os medos que jamais deveria ter tido.
Há um ano sou outro que me vê E esse outro gosta cada vez mais de si Cada vez mais de mim. Cada vez mais de nós. Perdi pessoas que eram pra vida inteira, Reencontrei pessoas que jamais reencontraria, Conheci pessoas impossíveis, Reconheci a mim. Tive várias vidas; tive vários destinos distintos. Tive mortes e renascimentos constantes. Tive amores e desamores e reamores. E termino tendo a mim mesmo.
Uma nova etapa começa. Novas etapas começarão. E sei que não cumprirei todos os projetos, Pois encontrarei projetos ainda melhores para cumprir. Hoje tenho ausências que não serão mais sentidas E presenças que serão para sempre comemoradas. Hoje tenho a mim. E a ti, que me lê. Hoje preciso apenas de mais um ano Para me tornar uma nova pessoa.