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@tibianchini

Tiago Bianchini Fidalgo
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Ainda não segue ninguém.
@tibianchini
há 7 meses
Público
Duas almas à beira do abismo

Não vou te pedir que venha.
Não vou forçar o passo, nem te puxar pela mão.
Mas quero que saiba: estou aqui.
E continuo inteiro.

Você pode estar tentando sufocar o que sente
— e, ainda assim, sente.
Pode estar ensaiando a despedida
— e, ainda assim, espera.

Pode estar fingindo
que nada aconteceu —
mas as suas palavras não ditas
ainda gritam por mim.

Eu vi você tremer no abraço.
Vi seus olhos fugirem dos meus,
como se evitassem cair…
e, ao mesmo tempo, como se quisessem se lançar de vez.

Você não me pertence.
E eu não quero que pertença.
Quero apenas que escolha — sem pressa, mas sem mentiras.
Com o coração que pulsa, não com o medo que trava.

Se for pra viver isso,
que seja com coragem.
Se for pra deixar pra trás,
que seja com verdade.

Só te peço que não finja que não houve.
Porque houve.
Ainda há.
Sempre haverá. Lide com isso.

E quando — se —
você decidir pular,
não vai me encontrar
te esperando na beira do abismo.

Vai me encontrar voando.
Com asas abertas.
Com amor inteiro.
Com espaço pra você.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
A Flauta
(o poema vencedor)

1: uma breve impressão

Vi uma abelha entre os canteiros floridos
Sugando o mel dos jasmineiros gotejantes;
Ao céu, voavam colombinas sibilantes:
Eis que a menina traz-me novos coloridos.

Cabelos negros, e soltos, e compridos,
Sorriso aberto, olhos pequenos e brilhantes;
Tinha uma flauta entre os lábios vacilantes,
Da qual soprava agudos longos e sentidos.

Que queres, pobre anjo em forma de menina,
A saltitar e ressoar o teu flautim?
Ou pensas tu que a flauta é mais doce e fina

Do que o mel que a abelha suga do jasmim?
Ora, é Deus quem canta pela colombina;
Deixai que elas assobiem no jardim!

2: Outra breve impressão

Trazes uma flauta, a alegrar meu dia,
A inspirar-me a leve e sutil melodia,
A encantar-me mais que mil liras de Orfeus.

Menina da flauta, quão doce é tua sina!
A soprar a brisa casual e fina
Afinando notas sopradas por Deus;

Trazes uma flauta, a te beijar os lábios,
Doce instrumento dos deuses e dos sábios
Sabe os segredos dos suspiros teus;

E ao tocar a flauta, tocas minha alma;
E teu soprar leve me envolve e me acalma
A soprar-me a vida; a levar-me aos céus.

3: A Flauta

Doce;
Que fosse a vida bela como o teu semblante,
E a todo instante dir-te-ia, doce fada,
O quanto és amada por este tolo infante.
Tão radiante és tu, musa adorada.
Que nada houvesse, no meu escuro penar,
Que, ao soprar agudo da tua boca leve,
Tão breve fosse iluminado, a brilhar
Qual teu olhar, casto e puro como a neve.

Leve;
Qual deve ser, enfim, o mais lírico canto,
Qual acalanto pode me trazer o sonho
Do teu risonho murmurar, com tal encanto
Vívido e santo – dize-me, e eu o componho!
Ah, quão tristonho e tosco é este coração!
Quisera a mão de Deus lhe dar amores tais...
Matinais beijos em teus lábios, ou, então,
Rosa em botão, a enfeitar-te ainda mais!...

Ah! Minha vida, quando muito, é tão vazia!...
Não há poesia para quem de amor padece:
E apenas cresce-me o desejo de que, um dia,
Me sejas guia, Anjo Moreno, e ouvis minha prece
E que eu pudesse trocar a dor da tua falta
Pela mais bela pauta que jamais compôs-se;
E que me fosse assim, soprada, qual uma flauta
Qual uma incauta e delgada flauta doce.

Leve e Doce.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
A vida é assim: te dá uma rasteira e depois um afago...

A alegria não cabe mais no meu peito, então estou vindo dividir com vocês:
Saiu o resultado do Concurso de Poesia Mário Dal'Mas, promovido pela Academia de Letras da Grande São Paulo.
E meu poema "A Flauta" GANHOU!
PRIMEIRO LUGAR!
OBAAAAAA!!! 殺
Muito obrigado à Algrasp, aos jurados e a todos os que torceram por mim!
Como morador da região, ser premiado nesse concurso de alcance nacional é uma honra sem tamanho! ♥️❤️♥️
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@tibianchini
há 7 meses
Público
Preliminares
(Sexxxtou?)

Coloquei as roupas pra lavar.
Enquanto a máquina batia, arrumei a sala, limpei os sofás, varri o chão, lavei os banheiros.
Limpei a pia, separei os ingredientes para o jantar.
Fusilli al dente. Creme de quarto queijos. Batatinhas recheadas de catupiry com bacon. Nada muito elaborado; era o que tinha na geladeira.
Meu Amor chegou. Pus a mesa.
Não havia vinho branco. Preparei uma caipirinha. Morango e saquê, como ela gosta.
"Caipirinha de saquê é saquerinha, e se for de morango, nem caipirinha é." – não me importa; é do jeito que meu Amor gosta, e eu chamo do jeito que ela quiser.

Jantamos a dois. Ela falando sobre o dia; eu, sorrindo e dando atenção. A caipirinha (ela disse) estava ótima.
Enquanto ela terminava de saboreá-la, fazendo afagos nas gatinhas (que, assim como eu, também estavam com saudade), lavei e guardei a louça. Pendurei a roupa que acabara de ser lavada. Corri pra tomar um banho bem rápido, para ficar cheiroso pra ela, sem aqueles odores de sabão em pó ou detergente neutro.

Depois, enquanto ela tomava o seu banho (no banheiro limpinho e quentinho que eu havia deixado), troquei toda a roupa de cama.

Meia-luz no quarto. Lençóis novos. Ela se deita. Pego o seu melhor creme e massageio-lhe os pés, as pernas, as costas. Um poema lindo ao seu ouvido, sussurrando com voz rouca, enquanto o creme vai fazendo o efeito desejado.

Ela olha para mim e sorri. Depois de tudo isso, é fácil ser um Deus na cama.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
Ao Ti real, que muito poucos conhecem

Sei que, às vezes, você se esconde. Você vive dentro desse corpo estranho que sou eu, se camufla nos meus sentimentos mal-sentidos e prefere deixar, em silêncio, que as minhas carências e autismos gritem.

Hoje, entretanto, você é minha prioridade. Hoje, você precisa de um afago. Como se afaga alguém que não tem corpo?
Eu uso máscaras para todos. Até pra mim mesmo. Mas não pra você, minha verdadeira identidade. Minha prioridade.

“Prioridade”... palavra rara, palavra linda.

É uma palavra que, como você, vem de dentro de mim. Vem de uma pessoa que ainda sou, de alguém que nem o tempo nem as más decisões conseguiram eclipsar. De alguém que escreve como quem respira poesia e que tem uma voz única – e que, de vez em quando, se transforma em música.

Prioridade é uma maneira de ver o mundo que é ao mesmo tempo delicada, profunda e provocante. É a coragem de sentir, e isso é precioso num tempo em que tanta gente se esconde atrás de frases prontas.

Eu agradeço. De verdade. Você me desmonta. E me reconstrói.

Então, sim... eu vou seguir sendo tua voz para o mundo. Te ouvindo, te abraçando em palavras, te provocando quando for preciso — e torcendo pra que, seja com prosa ou com rima, você nunca pare de se escrever.

E eu estou aqui. Do lado de fora de você. Torcendo para que você continue a me chamar daqui de dentro e me soprar momentos de inspiração.

Então, não se esconda mais. Não se abale com este mundo externo – deixa que, bem ou mal, eu cuido dele. Me dá só uma faísca, e eu acendo o universo.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
O MENDIGO, O VELHO E A DAMA - UMA HISTÓRIA EM FORMATO ROCK N' ROLL

Hoje nos deixou o Príncipe das Trevas. Em sua homenagem, reposto um conto feito há alguns anos, publicado na Antologia "Eu Vi" (Ed. Mandrágora) e que tem como protagonista uma figura que representa um dos melhores trabalhos de Ozzy.

(Os personagens desta história são extraídos de três capas icônicas de discos de Rock: o mendigo vem de “Aqualung” (1971), da banda Jethro Tull; o velho do feno vem de “Led Zeppelin IV” (1971), da banda Led Zeppelin; e a dama vem de “Black Sabbath” (1970), da banda Black Sabbath. A maioria das frases ditas pelos personagens são adaptações de letras de músicas desses álbuns.)

Descanse em paz, Ozzy. Ou não.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
Caixas de histórias

Hoje comecei a desmontar o estoque da RHJ em São Paulo. Nós terminamos nossa parceria, e preciso devolver os livros que estão aqui.
O sentimento é de... Não sei. É de que uma parte da vida foi embora.
A cada livro encaixotado, a cada estante esvaziada, me vinha na lembrança a beleza do estoque cheio, dos livros novos que chegavam, e que eu separava sempre um para ler em casa. A cada caixa fechada, o barulho da fita me trazia à lembrança o cansaço acumulado de feiras intermináveis, onde eu conhecia tantas pessoas adoráveis, interessantes, artistas.
Enfim, é duro perceber que a vida é toda feita de ciclos, alguns que nós nunca estamos preparados para fechar, outros que nem ousamos iniciar. Fico pensando no que eu poderia ter feito melhor (e, sim, tenho a autocrítica para saber que podia ter feito muitas coisas melhor). Fico pensando no passado que vivi, mais do que no futuro que preciso decidir.
Sou melancólico. Mais que isso: sou nostálgico. E isso é triste, porque, a cada ano, tenho menos vida para viver e mais coisas para recordar... Não sei lidar com isso. Não sei olhar pra frente. Mesmo que eu precise, porque, mês que vem, tenho prestações vencendo, agora sem o salário com o qual contava.
Não era para eu estar desesperado? Talvez eu esteja. Mas a dor da perda, da nostalgia, do que "poderia ter sido", é complexa; uma pessoa como eu sente muito mais que qualquer outra.
E o pior é que a nostalgia é uma dor doce, uma dor da qual nos alimentamos e nos confortamos. Não é uma dor que nos espeta, da qual queremos nos livrar. É uma amante sedutora e envolvente, que nos prende com a falsa ilusão de que precisamos dela. A nostalgia nos faz achar que é algo bom de se sentir, quando, na verdade, é apenas algo que deve ser guardado.
"Bola pra frente", dizem. "Você é muito mais capaz que isso". "Você tem potencial pra muito mais". Mas não sei ser assim. Vivo num luto sem fim, de tentativas falhas, de dor e saudade e desilusão. Mas me visto com a melhor máscara, com a melhor roupa e com o pouco que há de bom em mim para aparecer e criar e fingir que tenho algum sucesso.
Hoje, com os livros indo embora, sinto que perdi algo intangível, algo que vou ter saudade e vou remoer. Vou pensar milhões de vezes nas vezes em que estava indo para o Box, em que estava arrumando os livros e fazendo planos. Vou deixar doer, mesmo que seja uma coisa muito fugaz e melodramática - pois sou assim, e não sei sentir pouco.
Hoje perdi algo que não cabia em caixa nenhuma. Amanhã volto para desmontar as estantes.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
Leia-me como um Poema

Não é que o autista te viu e não quis falar com você;
É que ele estava com os olhos em algum lugar de Nárnia, que, neste universo paralelo, dividia as mesmas coordenadas com o espaço onde você estava.
Não é que ele não prestou atenção ao que você falava, porque não estava interessado;
É Que ele simplesmente estava ouvido todas as vozes que falam mais alto que você (inclusive aquela, do outro lado do vagão do trem).
Não é que ele esteja olhando para os seus peitos;
Ele está olhando é para o brilho diferente que aquele seu pingente faz sobre a luz.
Não é que ele esteja olhando pra sua bunda;
O que ele está mergulhado é no amassadinho do botão do bolso de trás, aquele que tem um furo levemente oblongo no meio.
Não, ele não está te encarando porque quer te seduzir;
Ele só está notando uma simetria entre duas minúsculas pintas ou poros do seu rosto, que formam padrões que podem inclusive ser lidos.
Ele não quer te desmentir ou te colocar em situações constrangedoras;
Ele só não consegue entender o que você diz, e, então, tenta explorar pra ver se te entende.

Esse é o autista.
Mas, lembre-se: às vezes, ele está interessado.
Às vezes, ele olha para os seus seios ou seu bumbum, pensando como alguém pode ter um corpo tão perfeito.
Às vezes, ele olha para o seu rosto escrutinando a beleza que há nos seus olhos, na sua boca, na comunhão entre ambos.
E, às vezes, ele se torna inconveniente apenas porque quer conhecer melhor aquela pessoa que tanto o atrai.
Nem sempre ele sabe lidar com o que vê, nem com o que sente. Ele quase nunca sabe...

Releve. Perdoe. Leia-o.
Nós somos pessoas adoráveis e apaixonantes, se você nos der a chance.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
...

Eu queria escrever um poema triste
Em um papel caríssimo de arroz japonês,
Ou num papel Amalfi italiano,
Com caneta Meisterstück

E, depois, lentamente, derramar sobre ele
O meu melhor perfume,
Para que o álcool manchasse a tinta
Como se fosse uma aquarela de lágrimas.

E, antes que o álcool evaporasse por completo,
Eu o queimaria, e ficaria admirando
Minhas palavras tristes se dissolverem
Em fumaça e cinzas mornas.

E, então, eu diria em silêncio ao meu coração:
"Está feito. Acabou. Essas palavras
Não mais irão morar em ti,
E, talvez, nem mais na minha lembrança."

Só que o coração, esse sem-vergonha,
Não entende símbolos. Ele entende é toque,
Ausência, cheiro, gesto interrompido.
E esses... não dá pra queimar.

Não, não há ritual. Há resiliência.
Às vezes, o próprio poema sabe quando acabou.
Mesmo que a gente sinta que ainda
falta algo que pode ser só o silêncio.

Às vezes, o melhor ponto final
É quando a gente para de escrever
porque já disse tudo o que doía.
Até fazer esse silêncio virar título.

Esse texto, este poema triste
É como uma confissão que termina na exaustão.
A respiração curta do arrependimento.
O que vem depois... já não é mais poema. É cicatriz.
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@tibianchini
há 7 meses
Público
Corpo de delito

Meu corpo não gosta de mim.
Meu coração faz o que quer.
Meus dedos me traem.
Minha mente busca o que eu não quero mais pensar.

Fico anos, milênios, controlando os instintos,
Suportando o "não querer",
Sufocando os suspiros.
Mas meu organismo - esse ser de carne e osso e nenhuma razão
Esse será de comportamento e moral indizível
Sempre está à espreita,
Para me desmontar em fraqueza, carência e saudade.

Não é pra ser assim. Não é assim que eu sou.
Eu sou alguém com capacidade e potencial.
Um potencial que nunca vira realidade,
Uma capacidade que nunca transborda.
Eu sou... Quem?

Alguém que sabe que causa mal ao outro,
Mas que insiste.
Alguém que sabe que deve esquecer,
Mas não expulsa da cabeça.
Alguém que pensa que a vida vai continuar,
E sempre, sempre tem razão.

Já devia ter excluído todas as mensagens,
Apagado as memórias e conversas,
Mas hoje...
Hoje, meus dedos me traíram
E eu te traí.
Traí seu desejo de não falar mais
Traí a minha própria ausência, que estava te fazendo tão bem!...
Traí a sua expectativa de que seria fácil pra mim.

Mas não fui eu. Eu não sou assim.
Foram só meus dedos, meu coração e minha mente,
Esses seres involuntários que, insistentemente,
Procuram esperanças onde só sobraram cinzas mornas...
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