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@tibianchini

Tiago Bianchini Fidalgo
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@tibianchini
há 1 ano
Público
Sem Nome
(010 de 365)

Coube aos meus lábios dizer-te, um dia,
Com rachos n’alma, a palavra vil:
“Adeus”; coube a mim a despedida fria
Na fria palavra, no olhar frio...

Estou bem, contudo; e melhor seria
Se, na nossa história, houvesse um vazio
Ao invés da dor e da agonia
Maior e mais forte que já alguém sentiu.

É assim a vida: uma breve poesia
É assim a vida, afinal: dores mil
Que invadem o peito, e à boca guia

A palavra – “Adeus!” – de quem jamais partiu:
Faz-se como um mar, de água bravia,
Que jamais recusa a candura d’um rio.
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@tibianchini
há 1 ano
Público
A Viagem - microconto
(009 de 365)

De repente, levantou-se da cama. Há muito não sentia o chão sob os pés. Andou sem dor; alcançou na mesa uma foto. Olhou para a cama, lar dos últimos anos, onde a foto chorava. Por fim, viu a sombra de uma velha conhecida o chamar da janela, e, sem medo, deu-lhe o braço rumo à longa viagem.
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@tibianchini
há 1 ano
Público
Nesta casa
(008 de 365)

Quero nesta casa
O tempero do riso dos amigos
O aroma das brincadeiras das crianças
O paladar das noites de amor.

Quero cozinhar com alegria
Com pitadas de satisfação
Com doses bem servidas de carinho
E colheres cheias de felicidade.

Nesta casa se mora feliz.
Neste ambiente se ama e se quer bem.
Nesta morada cuidamos uns dos outros.
Nesta casa se vive em paz.

(poema escrito por mim na parede de entrada da minha casa)
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@tibianchini
há 1 ano
Público
A palavra proibida
(007 de 365)

(trecho de uma história inacabada)

Perguntei aos meus pais:
“Posso comer só a sobremesa?”
“Sim”, me disseram.
“E posso jogar videogame até mais tarde, e faltar à escola amanhã?”, arrisquei um teste mais desafiador.
“Claro, filho! Pode ligar o videogame na TV da sala, que é maior“, me responderam, com um sorriso nos lábios.
Eu sabia que eles não podiam me dizer a palavra proibida. Eles teriam que me dar o universo, teriam que concordar com tudo o que eu dissesse, e teriam que assentir seja lá o que fosse dito. Agora, eu podia tudo.
Fiquei intrigado. Se era possível me permitir tudo isso, por que é que nunca me deixavam fazer essas coisas? Se agora era possível me dar apenas afirmativas, qual a razão de todas as negativas que haviam me dado até aquele momento?
Sem entender, perguntei, por fim:
“Vocês me odeiam?”
Vi o sorriso de mamãe murchar. O ‘s’ do sim chegou a se formar em seus lábios - afinal, ela só poderia me falar isso. Papai pigarreou e pareceu engasgar.
Os olhos de mamãe me olharam, piedosos e marejados. Ela não conseguia dizer ‘Não, claro que não, nós te amamos!’, porque o ‘não’ parecia ter sumido da sua mente. Ela começou a chorar copiosamente, abraçando-se a papai, que, com força, apertava os olhos, entre soluços. Não; eles não eram capazes de dizer “sim” para tudo, não importava qual fosse a mandinga de um Deus ou um Diabo qualquer.
Mamãe me olhava em súplica. Ela não tinha uma resposta possível - e se negava a me dizer a única palavra permitida naquele jogo idiota. Senti o quanto me amavam e o quanto havia sido dolorido, para eles, todos os ‘nãos’ que já haviam me dado.
“Quer saber?”, eu disse, por fim, “Vamos parar com essa brincadeira? Desejo que vocês voltem a poder me dar todas as respostas que eu mereço e preciso ouvir”.
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@tibianchini
há 1 ano
Público
Alma
(006 de 365)

A alma é a noite, como a noite é bela,
E veste de negro o vão firmamento;
A noite é a graça, a garça singela,
Que voa e que vaga, e que beija o vento.

A noite é a alma, e a alma, a alma,
É o sonho dourado da vã poesia;
E é poesia o pranto que acalma,
Como é sentimento a garça que pia.

A alma é a garça; a garça é o sonho,
O sonho dourado da vida que cala;
A alma é a vida, o amor que proponho
Do fundo do berço onde a vida me embala.

A alma é o sonho, o sonho é o dia,
E o dia é a Lua, que a noite consola;
E a Lua é aquela que, na noite fria,
Lhe rouba a magia, e lhe traz a aurora.

A Lua é a Lua, a Lua, a Lua,
Que brilha a maré, e que faz uivar
O lobo, na noite pela qual flutua
E brilha, e queima, e paira no ar.

É a alma, enfim, a vida perdida
Nas páginas brancas que escondem o trauma
De ter, entre o sonho, a Lua e a vida,
A noite, a garça, o vento e a alma.
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@tibianchini
há 1 ano
Público
Anatomia (parte I)
(005 de 365)

I- A Descrição

Escravos da solidão, os lábios meus:
Que, dos teus, nem sequer guardam a frescura...
E ora repetem, incansáveis: “adeus”...

Diabos que são, meus olhos, à procura
Das tuas meninas, envoltas em celeste
Azul, e de lembrar tanto me tortura.

Ausente coração, pulsação agreste
De um sedento e árido, que, de ti,
‘Inda espera o teu coração, que me deste.

Serpente da ilusão, qual deusa tupi:
A esperança que tenho em ter, meu Deus,
Você; olhos, coração, lábios, aqui.

Aqui, logo abaixo, tem o poema completo (as partes II e III). Eu acho esta parte I linda, mas as outras duas são ainda melhores.
Se você gostou desta parte, que tal ler o poema completo por R$1,00? 
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@tibianchini
há 1 ano
Público
Espera
(004 de 365)

Estou só - ela não vem...
Deve ter mais com o que se preocupar
do que com este pobre mortal, que sem
esperanças, perde por esperar
pelo exato instante em que soa
a campainha, em sublime sinfonia,
indicando que a espera não foi à toa,
e que ela lembrou-me neste dia...
Devaneios, apenas; mais nada;
Não devo esperar que, como por
acaso, num belo conto de fada,
ela me apareça e me jure amor;
Não devo, enfim, esquecer da vida,
na esperança de que, um dia, ensolarado,
brote em mim, algo que me convida
a, por ela, mais ficar apaixonado.

Entretanto, será, Meu Deus, então,
que a felicidade é algo tão deslumbrante
que a espera por ela me é em vão;
Queria apenas acreditar, por um instante,
que pudesse eu avistá-la, pela porta entrando, tão
maravilhosa, fazendo-me seu, ante
seus olhos, seus lábios! Mas, não...

Mas, não; recuso-me a aceitar
que seja isso, e só isso, a felicidade:
Prefiro correr o Mundo; sem asas, voar;
a procurar ser feliz de verdade;
ainda que me arrisque, por não esperar,
que um dia me doa, por dentro, a saudade.
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@tibianchini
há 1 ano
Público
Esclarecer
(003 de 365)

Vamos deixar uma coisa bem clara:
Ou vivo no teu abraço eternamente
Ou, de viver, me canso, de repente,
Deixando de sonhar como sonhara;

Vou deixar claro que te adoro, minha cara:
Amo-te tanto, e tanto, e quando a gente
Extravasa, assim, a paixão que sente,
Nossa vida a nada mais se compara.

Deixando claro, destarte, que te venero,
Aponto já que teu beijo ainda espero,
Pra viver e enfim trilhar a minha estrada;

E só te peço, nesta hora, que me faça
O teu servo, o teu Deus, a tua caça;
A tua vida, o teu Tudo e o teu Nada.
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@tibianchini
há 1 ano
Público
Fora do Tempo - 0 e 1
Tive uma ideia aqui:
E se eu colocasse o primeiro capítulo do meu livro, em epub, pra degustação?
Assim, quem quisesse conhecer um pouco mais de "Fora do Tempo" poderia ler este primeiro capítulo - e, caso se interessasse pela história e quisesse saber como ele se desenvolve, poderia adquirir o livro (físico ou em e-book) aqui mesmo, na Literunico...

Deixem-me pensar... 樂

Já pensei. Achei uma ideia interessante. Lá vão o Capítulo 0 e o 1, de brinde pra vocês.
Leiam e me digam nos comentários: vale a pena adquirir o livro? 
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