Este 8M, Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, se insere em um momento de ofensiva reacionária por parte das extremas direitas em distintos lugares do mundo, mas também de fortes expressões de luta e mobilização como resposta a essa ofensiva.
Nós, mulheres, pessoas LGBTQIA+ da Revolução Socialista (seção brasileira da LIS) saímos às ruas para lutar por nossos direitos conquistados e nos organizamos com uma estratégia firme contra o patriarcado e o capital, por um feminismo revolucionário, internacionalista e socialista.
ASSÉDIO, VIGILÂNCIA E PODER: QUANDO NEM OS ESPAÇOS MONITORADOS SÃO SEGUROS PARA AS MULHERES ✍ Por Emanuelle Nascimento, socióloga e militante da Revolução Socialista.
> O assédio contra mulheres, dentro e fora das repartições públicas, privadas e institucionais, não é um desvio comportamental, mas uma expressão estrutural do poder patriarcal. Trata-se de uma prática política cotidiana, normalizada por dispositivos simbólicos, jurídicos e culturais que transformam a violência em ruído, a denúncia em exagero e a vítima em suspeita. A Ciência Política feminista já demonstrou que o Estado, longe de ser um ente neutro, organiza e reproduz relações de gênero que sustentam desigualdades materiais e simbólicas (Pateman, 1988; Brown, 1995).
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Ela era diferente. Falava com as plantas, com o vento, com a chuva. E chorava por coisas que ninguém via. Era chamada de “estranha”, “esquisita”, “drama”. Mas ela apenas sentia. Sentia mais.
Aos poucos, foi se calando. Escondeu os cadernos, trancou a voz, parou de dançar. Aprendeu que o mundo prefere quem finge. Quem sorri. Quem não incomoda.
Mas a dor… essa não se esconde. Ela escorre. E um dia, voltou a chover. Ela tirou os sapatos, pisou na lama como antes. E ali, entre o trovão e o vento, voltou a ouvir. Voltou a escrever.
Hoje, essa menina cresceu. E virou mulher que escreve pra curar. Curar a si mesma e quem mais precisar.
Você ainda consegue ouvir a criança sensível que um dia foi silenciada?
Já deixei uma vida inteira pra trás. E quando digo isso, não falo de mala, roupa ou endereço. Falo de crenças. De expectativas. De gente que eu amava, mas me sufocava.
Deixei uma versão minha que sorria sem vontade. Que dizia “tá tudo bem” quando estava desabando. Que aceitava migalhas emocionais com gratidão.
E olha… não foi bonito. Nem rápido. Foi rasgando. Como quem arranca pele. Mas a liberdade tem esse preço. Ela nunca vem com laço, vem com corte.
Hoje, sou outra. Ainda cicatrizando. Mas leve. Olho no espelho e reconheço: “Essa sou eu, sem filtro, sem máscara, sem esforço”.
Ser você mesma pode custar muito. Mas custa ainda mais fingir.
E você? Do que ainda precisa abrir mão pra se encontrar de verdade?
Cresci ouvindo que mulher tinha que ser delicada. Mas a vida me ensinou a ser firme. Não com os outros comigo mesma. Tive que aprender a me sustentar em ventos que quase me arrancaram do chão.
No começo, doía não ser aceita. Ser muito alta, muito brava, muito sonhadora, muito calada. “Você é muito”, diziam. E eu achava que era erro.
Mas árvores também são “muito”. Muito altas, muito firmes, muito resistentes. E ninguém reclama delas.
Então, comecei a me ver assim. Raiz profunda, tronco marcado, copa que se abre quando o sol permite.
Não nasci forte. Fui crescendo. E cada queda virou adubo. Cada abandono virou espaço pra crescer mais reta. Hoje, carrego galhos que acolhem e sombra que acalma.
E sim, às vezes ainda me sinto sozinha. Mas árvores grandes não têm medo de se destacar.
Você tem regado a sua raiz ou tem tentado se podar pra agradar os outros?
Minha avó não falava de teologia, mas orava com os gestos. Passava o café como quem oferecia incenso. Ajeitava o lençol como quem prepara altar. Era fé no feijão, no banho de cuia, na vela da sala.
Nunca vi ela pedir nada gritando. Ela falava com Deus como quem conversa com um velho amigo. E dizia: “Deus não gosta de escândalo, Ele gosta de rotina”.
Na infância, eu achava graça. Como Deus podia morar numa casa tão pequena, com telhado de amianto e fogão de duas bocas? Mas hoje entendo: Ele mora onde O deixam entrar.
Não preciso de cenário. Preciso de presença. E ela me ensinou isso sem palavras, só vivendo.
Hoje, faço meu café e lembro. Não oro em voz alta. Mas sinto. No cheiro da água fervendo, na luz que entra pelas frestas, no suspiro profundo quando o mundo me cansa.
Talvez a fé não more nos céus. Talvez ela more mesmo nas coisas simples.
Cresci apertando o corpo pra caber no que diziam ser certo. Cintura marcada, perna cruzada, cabelo esticado, voz baixa. Diziam que era ser feminina. Mas era só mais uma maneira de me calar.
Demorei anos pra perceber que o que me vestia não eram roupas, era culpa. Era o medo de parecer demais. O medo de chamar atenção, o medo de parecer livre. Porque liberdade assusta. E mulheres livres… essas são sempre olhadas de lado.
Meu corpo era casa onde ninguém queria morar. E eu? Eu era inquilina dos padrões. Até que um dia, num espelho sem moldura, olhei fundo nos meus próprios olhos e pensei: "Quem decidiu que isso aqui não é bonito? Quem me ensinou a me odiar em silêncio?"
Foi ali que ouvi, baixinho, como só as avós sabem falar: “Tua carne é de guerreira. Teu cabelo é de tempo. Tua pele é de história”. E eu chorei. Porque entendi: eu sou feita das que resistiram.
Hoje, quando me visto, penso: quero me caber. Não mais me esconder. Quero ser presença, não pedido de desculpas.
Há um fogo que arde dentro de todos nós, Às vezes apagado pela dúvida, pelo medo.
Mas a esperança não morre, Ela está apenas esperando ser despertada.
Você já sentiu o calor de um novo começo? Já sentiu que há algo mais, algo profundo Que está aguardando para ser revelado? É o momento de despertar, de acreditar em si.
Eu escrevi para você que procura mais, Para você que não aceita a rotina como um fim, Mas que deseja um caminho de transformação.
Vamos caminhar juntos, e você verá: A vida pode ser tudo o que você quiser.