@eduliguori
há 1 mês
Público
Hoje amanheceu escuro
o cinza invadiu o céu
e águas escorriam pelo muro
na boca estranho gosto de fel

o prenúncio macabro
se provou verdadeiro
quando os olhos que abro
não enxergam seu paradeiro

não sou covarde o bastante
para me esconder em meu canto
e me enrolar feito barbante
de volta no carretel sem encanto

vou em pé observar
mas sem mais compor
para tentar conquistar
um amanhã depois que o dia se for

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 mês
Público
Mascando um chiclete faço doer a mandíbula
pensamento masoquista que tortura minha mente doentia
o tempo passou e aparentemente nada mais faz sentido
sou hoje julgado e criticado como se não houvesse contribuído
cegos, estamos cegos? não queremos ver? não podemos ver?

de príncipe reinante a mero roto malfalado
num movimento de marolas chegamos a praia
mortos nas areias quentes hoje nos enterram
um vulcão adormecido despertou a sua fúria
lava incandescente que jorra pujante a nossa frente

os ossos enterrados serão cozidos e cremados
deste carbono passado surgirá quem sabe uma ilha
nesta nova natureza o sol fará nascer uma goma
...de mascar até doer uma nova mandíbula

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 mês
Público
O que alimenta nossa alma?
a calma pelo estabelecido
ou a loucura do desconhecido?
contenta minha aura
saber da ternura de outrem
quem pode fugir do destino?
em desatino e confuso sigo
mas certo de conseguir
meu aconchego e doce lar
ela existe e está a sorrir
devagar chego e me aproximo
um breve aperto no peito
íntimo contato que suspeito
será crucial razão para de novo
palpitar o coração

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 mês
Público
Ao fechar a porta sem olhar pra trás, percebi o quanto é difícil viver...

a pedra jogada no lago
o primeiro pássaro a se lançar
a pedra do dominó que dispara a reação em cadeia

toda ação tem reação
toda luz vem da escuridão

como viver sem teu afago?
meu filho que vi crescer e fiz abraçar
numa revolução crescente que incendeia

a gata de rua adotada
sem nada entender ou prever
me olhou desconfiada
será que ainda vou lhe ver?

no carro sentido centro
o trabalho a dor a confusão
lágrimas brotavam de dentro
e encabulado as removia com emoção

dura sexta feira
terrível não entender
caminho sem eira nem beira
em busca do mais novo e corajoso viver

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 mês
Público
Quebrar muros nunca foi tarefa fácil
A marreta funciona bem e depressa
Difícil é lidar com a sujeira que fica
Lascas por todo lado provando os danos
Unhas sangrando de dor por estarem no local errado, na hora errada
Cabelos encardidos de poeira do passado
Um só banho não remove as marcas da destruição
É preciso paciência, calma e determinação
O corpo permanece por um tempo cansado
A obra nunca parece realmente terminada
São pequenos desvios e enganos
Cicatrizes e cheiro de arnica
Dores a curar com água quente em compressa
No romance ou no concreto não há tarefa fácil

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 mês
Público
Um silêncio ensurdecedor
toma conta de mim
em meio a fúria e dor
num momento sem fim

São os ossos rangendo
ao redor do coração ferido
o amor morrendo
neste corpo partido

Lamento extenso
vem de dentro urrando
um músculo tenso
que comprime dilacerando

Hoje é noite
sou vítima ou assassino?
Hoje sinto o açoite
do duro escolhido destino

Mas ainda pulsa
a esperança bandida
de que após tanta repulsa
encontrarei a estrela perdida

Edu Liguori
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@eduliguori
há 2 meses
Público
Gira mundo
Roda pião
Cada dia é uma volta
Cada noite uma revolta

Neste mundo
Sem solução
Cada ato é uma aposta
Cada pergunta sem resposta

Canto hoje calado
Minha dor escondida
Mas não desisto da vida
Que vai renascer colorida

Levantarei amanhã ainda abalado
Mas com o pulmão cheio de ar
Certo da escolha sem pestanejar
Em frente destemido a remar

Edu Liguori
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@eduliguori
há 2 meses
Público
Bendito o inventor das janelas
quem terá sido
ao adicionar o balcão
então atingiu a perfeição

jovens donzelas
Gabrielas
um mundo de sorrisos
timidez e descoberta

ela vê enrubescida
ele descendo a ladeira
vem em sua direção
com paixão

ele todo matreiro
caminha com altivez
espera a donzela conquistar
num aceno de chapéu

janelas trazem o mundo pra dentro de casa
janelas abrem os corações antes escondidos
janelas são a proa do navio que as ondas arrebentam
janelas
um lugar ao sol no colo do universo

Edu Liguori
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@eduliguori
há 2 meses
Público
Quando o mundo estava para acabar
uma flor nasceu no deserto
tudo que era certo se tornou incerto
e a dúvida fez a vida de novo dominar

o espaço morto definhado
deu lugar a verde esperança
ao invés de luto, dança
e outra vez ressurgiu o pecado

o velho rejuvenesceu
a jovem outra vez sorriu
e o amor ressurgiu
no mundo que outra vez cresceu

Edu Liguori
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@eduliguori
há 2 meses
Público
Sorte tem teu amor
que de fato recebe teu afeto
como vento desejo te envolver
mas respeito
assim caminha a civilidade
entre a dor e o sonho
suspiro aliviado
por teu sorriso encravado
nobre teu amor que me impede
mas ainda assim não entristece

Edu Liguori
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