@eduliguori
há 2 meses
Público
Bebi mais uma dose
torpor que quase revela
do âmago muitos segredos
da pele sempre o tremor
ela me faz poses
navega a caravela
escapando dos rochedos
enquanto me escondo em dor
trêmulo confuso
exalo obtuso
tamanho desejo
sem razão ou valor
nada procuro
nada obtenho
mas tal qual vejo
isso não é amor
ode cruel do embriagado
que enxerga além mar
balança além bar
sonha sem nexo
quero sair do escuro
e olhar perplexo
tudo que não tenho
mas saio carregado

Edu Liguori
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@eduliguori
há 2 meses
Público
Isso porque não falei de tetas
tetas magras, tetas gordas
tetas e tetas e mais tetas
do teu seio liberdade
de teu alimento vida
de teu amor o calor que me anima
sagradas, caídas ou empinadas
me possua em teu colo mimoso

Edu Liguori
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@eduliguori
há 2 meses
Público
O Safado
adj. Pop. Descarado, desavergonhado; atrevido, insolente.
Bras. Devasso, libertino, obsceno.
Bras. Irado, encolerizado, zangado: ficou safado com os amigos.
S.m. Indivíduo vil ou imoral; safardana.

Possui olhar enviesado
traja um paletó amassado
e mantém o cabelo despenteado
pobre safardana, eternamente enfeitiçado
por elas sempre obstinado
atrevido, sim verdade
não lembra nem da própria idade

libertino, porém solitário
chega muitas vezes insolente
num rompante de repente
vive o dia e a noite a sonhar com o imaginário

obsceno, descarado
devasso, libertino
só um pobre desamado
perdido em desatino

não o confunda pelo tarado
este sim vil e imoral
o safado
é apenas um reflexo do animal

ele respira, deseja, almeja
pretende, busca, caça
e invariavelmente termina apenas com uma taça
gelada com cerveja

Edu Liguori
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@eduliguori
há 2 meses
Público
Quarta feira e aparentemente já baixou a poeira
da fumaça do cigarro não se veem mais confetes
um entardecer quente e abafado umedece as paredes
meu suor não cheira mais como antes delicado
parece ácido, sufocado
da festa e ilusão, não sobrou nem cores nem chão
os pés doem depois da confusão
os olhos ardem e não refletem mais o folião

quarta feira
dia sombrio e de cinzas
restos mortais de um velho vulcão

o palhaço adormeceu
a columbina desapareceu

Edu Liguori
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@eduliguori
há 3 meses
Público
Cada verso seu
que leio e interpreto
é alimento meu
que forma o concreto
da base mais fonética
que lapida o meu ser
reconstruo a poética
no meu escrever
sem ti sou nada
ler é crescer
da frase encorpada
faço o meu florescer

Edu Liguori
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@eduliguori
há 3 meses
Público
Hoje meu corpo sente
não tolera mais abuso
é o tempo senhor da razão
abatendo cada célula viva

Luto sem tréguas
exercito a mente e a paixão
mas na tarde quente
rangem os ossos e adormeço

Poesia ainda tem seu uso
sonhos com rimas e réguas
que por fim mantém ativa
tal existência em seu recomeço

Edu Liguori
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@eduliguori
há 3 meses
Público
Inspira e expira
agradável ser
Sinta o pulsar da vida
que digita sem pensar

Das palavras respira
o poeta sem ver
Sua função sua lida
repartir sem cansar

Edu Liguori
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@eduliguori
há 3 meses
Público
A morte
ser estranho sombrio
diz que é passagem
mas é obscura

Sentimento forte
romper de um fio
fim de uma miragem
terminal e sem cura

Saudade que bate
vazio interior
dor intensa
lágrima que desce

Um único arremate
com força superior
nada compensa
o ser que desaparece

Edu Liguori
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@eduliguori
há 3 meses
Público
Um desabafo: Estou muito desanimado, estava começando a selecionar meus textos para um terceiro livro, mas nem o Kindle Unlimited tá ativo. Não vendi um mísero livro desde Abril.
É isso.
Vou me aposentar.
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@eduliguori
há 4 meses
Público
Com olhos de lupa
vejo pequenos grãos de areia
entre teus seios perdidos

Por dentro do biquíni
pele alva e úmida
um coração rosado

Beijar-te nua numa tarde de verão
sem rever o passado
nada de culpa

Sobre teu corpo de sereia
amados, unidos
o sentir da alma tímida

por dentro do biquíni

Edu Liguori
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