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@andreajguesse

Andrea J Guesse
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A VIDA CINZA
Estou observando uma reforma que já perdura há meses. Um retrofit, pelo que li em um site de arquitetura. Uma casa colonial transformando-se em uma casa "moderna". Saiu parte do telhado colonial, entrou uma varanda com laje em balanço—imponente, flutuando com todo o peso do concreto, como se fosse a penugem de um pássaro.
A cor externa, antes em um tom tijolo queimado, deu lugar a um bege acinzentado. O piso da varanda em balanço, cinza. Todo o cimentado da área externa se expandiu, sepultou canteiros e tomou a forma de um mar cimentício oneroso, que tenta imitar a sabedoria popular do cimento queimado—cinza.
A piscina, antes em um tom sobre tom azul de pastilhas, seguida igualmente pela sauna em pastilhas azul mais claro, foi descascada como uma banana. O cinza, ainda mais escuro, tomou conta. Suas pastilhas foram substituídas, ao som interminável da serra elétrica, por peças gigantes de porcelanato idênticas à pedra de ardósia — apenas mais claras, e mais cinzas.
A parede do muro dos fundos resiste; continua em um amarelo suave. Mas não ficará assim por muito tempo. Ontem, foram descarregadas mais latas de tinta, que provavelmente estão em algum tom de cinza.
A modernidade é cinza. Mas o céu ainda é azul. As árvores na rua continuam verdes.
Por quanto tempo as cores da vida resistem à modernidade e a monotonia imposta pelo homem cinza?
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Uma Quarta-feira inesquecível - Parte 2

À noite, abri a rede social e, bum, meu post viralizou porque foi respondido pelo próprio Selton, que gostou da ideia e ainda repostou. Envolvida pela leve tontura da bebida e pela inebriante sensação temporária de milhares de visualizações em um post, entrei na live e esperei que meu conto fosse anunciado. Não foi. Fiquei feliz pelos ganhadores e achei a premissa dos contos vencedores muito interessante.

Já li dois dos contos que ganharam, os quais achei incríveis, mas, concordando com a avaliação do Waldir, um pouco tristes, o que não invalida de forma alguma a alta qualidade de ambos. Isso me recordou do conto que escrevi, que envolve situações parecidas com os dois contos que li: eu também escrevi sobre um casal em uma situação triste, em que a relação se esmigalha e caminha para um fim trágico.

Só que, enquanto escrevia, percebi que não queria que fosse triste, trágico, e minha mente foi para pura galhofa. Li e achei que foi demais (gargalhava enquanto lia, antes de mudar o final? Sim) e reescrevi. Fiquei muito feliz em manter a parte bem-humorada com um final que achei coerente com todo o conto. (Leu até aqui e está curioso? Deixei o conto anexado ao post e adoraria saber sua opinião.)

E essa quarta-feira vai ficar na memória: um almoço de aniversário perfeito, um post viralizado e um conto não premiado. Tem como não ser uma quarta-feira inesquecível?
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Uma Quarta-feira inesquecível (Parte 1)

Depois de merecidas férias, retomo a rotina. E ontem aconteceram algumas coisas que só ocorrem de vez em quando e ficam definidas na memória para sempre na pasta:

“Pequenas felicidades – acesso liberado com a senha: Lembra daquele dia...?”

Ontem, uma quarta-feira de fevereiro, foi meu aniversário de casamento; nada de viagens, presentes caros ou alguma surpresa extravagante. Depois de pegar meu marido de surpresa com um “É hoje?”, sugeri um almoço e acabamos combinando de ir a um restaurante que frequentamos regularmente. Em casa, adiamos a saída por um motivo bem doméstico: esperar a grama do jardim chegar.

Enquanto esperava, acessei uma rede social de textos e escrevi um pequeno post sobre o autor Selton Mello ser cotado para uma nova versão do filme "Três solteiros e um bebê", junto com dois ótimos atores que estão filmando com ele na Austrália, Jack Black e Paul Rudd. Estava ansiosa pela noite, pois teria uma live do concurso de contos Aline Alencar, criado pelo escritor Waldir Santos em homenagem à sua irmã, precocemente falecida. E, apesar da minha dificuldade em escrever sobre um tema que não escolhi, gostei muito do que escrevi para o concurso e sonhava em estar entre os premiados.

No restaurante, escolhi um drink com cachaça, algo que não faço a não ser em ocasiões especiais; na indecisão do prato, o garçom, já velho conhecido, sugeriu um prato que se revelou perfeito. Saímos felizes: eu, meio bamba (sempre fui fraca com bebidas alcoólicas), relembrando nosso amor que venceu mais um ano.

Continua no próximo post
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Medo

Escrevo livros infantis e, até hoje, já publiquei cinco deles. Além disso, também tenho um livro de contos sobre mulheres e as confusões em suas famílias. Decidi que, além de investir mais na divulgação dos meus livros infantis, vou me aventurar a escrever dois livros voltados para o público jovem. A história dessas novelas já está pronta, pulsando dentro da minha mente, ansiosa para ganhar vida.
E por que ainda não comecei? Admito, com certa vergonha, que estou com medo. Medo do desconhecido, do julgamento alheio, de não ser capaz. Medo do novo. Apesar de estar há quase 10 anos trilhando uma carreira como escritora e ilustradora (ou, como costumo dizer, "saindo do armário artístico" \0/) , meu primeiro livro só foi publicado em 2017.
Disse medo? Bem, hoje o medo se foi. Ao assistir à honestidade de uma mulher incrível, trabalhadora, eficiente e talentosa, como a atriz Fernanda Torres, recebendo o prêmio Golden Globe e admitindo que não estava preparada para ganhar – mesmo sendo uma forte candidata – porque nunca achou que fosse possível, me fez refletir sobre o quanto nós, mulheres, muitas vezes sentimos que não somos boas o suficiente.
A tira da Helô resumiu brilhantemente essa ideia. E, de repente, percebi: não preciso ter medo. Estou preparada. Terei coragem. Coragem não significa não sentir medo, mas sim agir mesmo quando o medo está palpitando dentro do meu peito.
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Ano Novo, De Novo
Li uma tirinha em que dois ETs observavam a queima de fogos na Terra através de um monitor na sua nave. Um deles perguntou ao outro:
— O que eles estão comemorando?
A resposta foi:
— Mais uma volta da estrela deles em torno do planeta.
O outro, com um olhar curioso, completou:
— E ainda se acham inteligentes...

Somos todos, ou quase todos, engodados por um desejo extraordinário de recomeçar. Um momento para novos inícios, afastando tudo que é desagradável. “Tudo permanecerá igual”, diriam os ETs. “Tudo pode ser diferente”, acreditam os humanos.

A linha entre sonho e realidade é tênue e dura apenas um segundo: o instante que separa o dia 31 de dezembro do dia 1º de janeiro. O resto — 364 dias — está à sua disposição para decidir se seguirá o sonho ou a realidade.
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