Às vezes eu me pergunto porque ainda levanto? Porque continuar lutando? Em mundo tão cruel tão sem alma, tão sem coração, morto, frio, gélido e objetivo! Um mundo onde todos somos produtos.
Mas a vida, de vez em quando, me responde, me mostra, que as pequenas coisas podem mudar tudo, um ato de amor, um gesto gentil, me fazem acreditar que o amor não morreu, que o cinza sem graça ainda não matou as cores da vida!
São essas pequenas luzes em meio a um mar de escuridão, que mostram que a vida ainda pode ser bonita, e que mesmo diante de toda a maldade do mundo, a luz da bondade ainda pode brilhar, pois enquanto houver vida o amor nunca irá se apagar.
No momento mais escuro da noite, quando o sono me abandona e meu descanso me é tolhido, eu me pego me perguntando qual é o propósito? Qual é o objetivo?
Como sempre, quando tomado pela angústia, eu escrevo, e como um tolo espero ser respondido pelo papel em branco!
Percebo agora, que não há no mundo, alguém que possa me dar essa resposta, só eu posso respondê-la, só eu posso significar minha própria vida
Mas será mesmo cada vida única? E se todas tiverem a mesma significância? Talvez o poder de significar, nunca tenha nos pertencido!
Talvez nosso propósito seja como um petisco, para que os ratos corram mais rápido em suas pequenas rodas, na esperança de um dia alcançá-lo
Talvez as vidas não sejam assim tão diferentes , só estamos em gaiolas diferentes, correndo em rodas diferentes, mas no fim todos correm atrás do mesmo petisco
Mas se nos foi tomado o poder de significar a vida, o que fazer para retoma-lo? Talvez baste parar de correr e se perguntar "Quem coloca o petisco"?
O ódio, o sentimento que todos sentimos, mas nenhum de nós admite, o pecado que habita em todas as almas, as trevas que trancafiamos sobre nossa casca!
Ele é o fogo que nos queima por dentro, o ácido que corrói até os ossos, o monstro que mantemos enjaulado! por toda vida tentamos domá-lo!
Mas as vezes tudo se complica, a vida não facilita, e a fera esfomeada, já não suporta mais ficar calada, as celas que lhe prendem, já são frágeis demais para prendê-la e seu domador já não tem forças para impedi-la! E então ela escapa!
Imprevisível, incontrolável e insaciável! Ela toma o controle! E em sua ferocidade nos faz confundir coragem com crueldade! E só depois de muito tarde notamos, que tudo o que restou foi orgulho e solitude
Olhe bem para aquele ponto, o ponto final, o limite que dá fim ao infinito, a rua que termina em um beco sem saída!
As paredes, a cada segundo, ficam mais perto, você está encurralado, prestes a ser esmagado!
O ar começa a lhe faltar, a realidade te sufoca, e inutilmente você tenta respirar, como um pobre coitado procurando por esperança, desesperado, você procura por ar!
Mas as ondas da dor te trazem para o fundo do mar, e tudo o que lhe resta é se afogar!
No fosso profundo do mar obscuro, dor e silêncio é tudo o que se pode encontrar. Lá as feras noturnas do seu lado oculto vão despertar.
Cabe a você a difícil tarefa de domá-las, só você pode prendê-las de novo, naquele velho poço onde ninguém se atreve a entrar! Aquela terra desconhecida, por onde nem mesmo você se arrisca a andar!
Você tem medo do que pode encontrar, pois sabe que lá vivem as feras que você não sabe que pode se tornar!
Lá habitam os monstros que você pode ser! É lá que nascem os cruéis sentimentos que tenta ignorar!
Espero que consiga sair de lá! é melhor que consiga prender aqueles monstros, para finalmente voltar a respirar!
Você precisa respirar de novo! Do contrário só loucura irá restar!
Lá estava eu, sob a mesa em pedaços, enquanto lá estavam eles, me olhando, salivando!
Me encaravam com desdém, me fitavam me julgando, devoravam o devorado, machucavam o machucado
Mastigavam, me rasgavam, retiravam os meus órgãos, trituravam os meus ossos, me partiam, me dobravam, e eu senti que merecia
Me cuspiram, me abusaram, me afogaram no meu sangue, me mostraram meus pecados, os meus erros, meu passado!
Me culpei, me desculpei, mas senti que não valia! Me amarraram em uma corda, pendurado balançava, entre pedras e porradas
E lá em cima pendurado questionei será eu todo culpado, ou meio todo, talvez meio terço? E já todo espancado percebi que por mim mesmo, fui culpado e condenado!
Nada, um grão insignificante, uma poeira sem importância. É assim que me sinto: um nada que sabe quase nada.
O que sou eu diante do universo? Que importância eu tenho diante de todos os mundos que moram nas mentes que me cercam?
O que sou eu, sem o amontoado de rótulos colados na minha embalagem? O que sou eu sem a atenção daqueles à minha volta?
O que sou eu, além de um palhaço implorando por atenção, um mendigo implorando por amor, como um miserável implorando pela própria vida!
O que sobraria de mim se eu fosse invisível? O que seria de mim se ninguém me notasse? Nada! Não seria nada! Pois de nada adianta um livro que ninguém pode ler, de nada adianta um poema que nunca será recitado ou a vida que não pode ser vivida.
Quando ninguém vê, quando nenhuma atenção te sobra, O que mais resta além solidão e a escuridão que lhe acompanha?
Foi chegando o anoitecer, e todo o céu se escureceu, o silêncio enfim reinou e a lua então subiu ao céu e me iluminou!
E aquela luz tão linda, daquela lua tão magnífica me fez lembrar da bela dama, a quem dedico esse poema! Ah minha doce donzela como eu queria que a lua aqui descesse e me desse um desejo, só um desejo!
E meu desejo usaria para estar perto de você! Mas como a lua, não importa o quanto eu lute, eu nunca alcanço!
Talvez seja sua beleza tão grande e seu jeito tão perfeito, que o destino me julgou indigno de tê-la!
Ah amor da minha vida, razão dos meus respiros, motivo do meu acordar, razão do meu levantar, se eu pudesse ter um poder seria o de me teletransportar! Só para ao seu lado eu poder estar!
Queria eu poder doar tudo o que tenho só para poder lhe abraçar, nem que fosse só por um segundo!. Eu daria tudo, só para sentir o sabor do seu doce beijo
Mas não se engane minha princesa, não pense que eu desisti, pois tal coisa eu jamais direi para você! Já prometi e lhe prometo novamente que de você jamais irei desistir!
A nações criaram foguetes para alcançar o que julgavam inalcançável. E eu farei o mesmo, construirei navios, foguetes e aviões se for necessário, passarei noites em claro se for preciso, nadarei mares inteiros se for necessário!
E eu farei tudo isso por que sei que no mundo inteiro, só você é mais bonita e encantadora que a lua!
Imagino, imaginei! Mas sei que o monstro virá, seus feios dentes verei, um frio nome lhe dei, de realidade o chamei.
Realidade inventada, terra dos homens sem alma, reis desse cinza que mata nossas viagens incertas e nossas ideias achadas nos devaneios perdidos da madrugada.
Mais que peste pavorosa, feito o mar nos engole! Leva as ideias pra longe! Ergue o concreto das dores, prende as ideias da mente.
Ó meu caro leitor, não fique preso ao útil, louve também o inútil, não deixe que o chato real mate sua alma brilhante!
Imagino, imaginei e, para sempre, seguirei imaginando! Pois não há monstro no mundo que me impeça de seguir imaginando!