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A Dama do Imaginar Não posso ver os olhos teus, eu posso só imaginar como será nosso encontrar. Quero sentir o seu tocar, quero beijar os lábios seus! Quero deitar em seu olhar! Quero sentir o seu amar. Mas eu só posso imaginar! E mergulhar nesse sonhar, me perder e delirar! Quero rezar e implorar pra que não finde esse sonhar! Quero deitar e delirar! Me deleitar e imaginar seu corpo nu, nosso gozar! Quero beijar, quero explorar, quero sentir seu respirar! Quero zanzar por suas curvas! Quero morder, quero apertar, endurecer, lhe adentrar e lhe preencher com meu prazer! Quero ouvir você gritar, me implorar por mais prazer! Me deleitar no seu olhar! Olhar primal, fera fatal! Quero morrer lhe dando mais! Ó, por favor, não vá embora! Não deixe o sonho falecer! Por favor, não parta agora! Quero ficar no imaginar enquanto não puder te ter.
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Corpo Fraco Fraco, corpo fraco, suor perdido, suspiro caído, cansaço doído! Bambo, parco e duvidoso, não se pode confiar no corpo! Frouxo, flácido e troxo, perde a vida num encosto! Morre cedo num tropeço! Que no fim nos reste a alma pois se tudo for só corpo, nosso fim será o escuro! E no escuro só se vê o vazio do além tudo.
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O Verme O verme ao chão pertence, o verme no chão rasteja, se embrenha, se suja e imunda Se Ferra, se queima inteiro, merece sofrer no inferno, inferno da mente dele, inferno feito por ele! Se Dana, se quebra inteiro, sua pele, toda rasgada, quem rasga se chama juras e a faca se chama quebra! O Verme pertence ao chão, ao verme só serve o pé! E ao pé resta esmagá-lo.
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Ovelhas Abrem-se as porteiras, disparam as ovelhas! Correm como podem, anseiam por centeio Giram, Giram o moinho, sofrem, sofrem as ovelhas! Cansam, Cansam as ovelhas! Morrem, Morrem não tão velhas! Gritam, choram as ovelhas. Perdidas rogam por socorro! Cegas se enganam em falsas promessas! Mudas se engasgam com os próprios sussurros! O Gritos só ficam na mente, os choros se perdem pra sempre, o medo no fim sempre vence! E as ovelhas despertam de novo! Abrem-se os portões, disparam as ovelhas!
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Estrada da Miséria Tem um futuro muito belo logo à frente, é bem depois, bem depois do rio seco. Vá, não duvide, sei que o caminho é morto, mas tanta morte vai levar até o ouro! Mas quando eu piso, sinto o podre na minha sola! Mas quando eu sinto, sinto a morte na minha boca! Eu dou um passo, dou três passos, e passo ao dobro! Ando mais rápido, mas o ouro tá distante! Fico confuso, pra onde foi esse futuro? É só mais morte, só mais morto e só mais corpo, é só o seco e o sol sempre escaldante! E quando eu piso, sinto o podre na minha sola! E quando eu sinto, sinto a morte na minha boca! Agora eu noto que estou preso nessa estrada e que o futuro era promessa vazia! Tudo desculpa, desculpa esfarrapada! Tudo mentira pra matar sonso na estrada! E agora sigo feito um burro sem destino! Sigo perdido nessa estrada da miséria! E quando eu piso, sinto o podre na minha sola! E quando eu sinto, sinto a morte na minha boca! E quando morro, pela estrada eu sou deixado.
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Morrendo de Medo Eu estou morrendo de medo. Eu estou morrendo tremendo, morrendo com medo, tremendo de frio, o frio do medo. Morro mais. A todo tempo morro um pouco mais. Vão morrendo todos que eu amo, e o medo vai me escalando, me tomando em seu desespero. Meu medo não tem acalento, não tem nem mesmo alívio. Eu desperto com medo morrendo, e durmo temendo o morrido. Eu sigo tremendo de medo. Eu sigo morrendo com frio. Eu tento esquecer que eu morro, mas morro, não tem outro jeito. É essa cruz nos meus ombros, ter medo do próprio destino.
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Terra Fértil São férteis essas terras tupiniquins. Daqui brotam os melhores artistas, e como belas videiras desabrocham suas belas obras. Elas crescem. Crescem como lendas colossais, nos alimentam com o doce mel de suas estranhas mentes. Marcam nossas almas a ferro quente e se tornam imortais para todo o sempre. E a cada novo broto que surge, surge porque deles vem a semente. Surge porque dessa terra a arte nasce aos montes. Ah, quanto ouro há nessa terra farta. Quantas raras pedras aqui nasceram. Os outros que lutem para nós alcançar, pois um só dos nossos bota o mundo todo abaixo. Pois essa arte não é qualquer uma. Essa arte é brasileira.
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Cavalo Brasil Que voraz armadilha se meteu, o selvagem alazão, que pelo canto estrangeiro se deixou levar para as profundezas da servidão! E mesmo já tendo escapado, passou a porteira com as cores do império que lhe escravizou! E mesmo livre de novo, foi preso de novo, por um novo nem tão novo assim! E livre foi feito de bobo pelo homem de verde, de mão nada amiga, mas braço bem forte: batia no lombo, batia o chicote! Mas novamente o cavalo viu a liberdade. Será liberdade? Ou só pasto novo com cerca mais longe? Será liberdade ou só dono novo? Espero algum dia que esse velho cavalo alcance um futuro mais livre que o hoje!
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Horas, Minutos e Segundos Sete dias por semana, trinta dias tem o mês. São Vinte e quatro as horas do dia, são sessenta os minutos da hora. São outros sessenta, os segundos do minuto. Com quem será que gasta o dia as suas horas? Com que será que gasta as horas os seus minutos? Será elas como eu e você? Que os gasta sem nem mesmo perceber, que os perde por motivos tão grandes quanto os ciscos levados pelo soprar do vento? Quantas horas leva o dia até notar que lá se foi a sua vida? Quantos segundos leva o minuto até notar que já morreu e que nunca mais retornará? Quantos anos leva a gente até notar que, a cada momento, estamos mais próximos de findarmos, como se finda o minuto? Cada segundo, cada hora e cada minuto, todos eles são únicos, só se vão e nunca voltam! Não teriam motivos pra vida ser diferente! Por isso eu me pergunto... Terá o minuto o mesmo medo de ser único que eu carrego em meu peito? Terá a hora o mesmo terror, quando se lembra que o chegar da morte finda tudo o que se vive? Espero eu que nossos dias não tenham essa consciência, pois esse medo angustiante nos acompanha até o último segundo.
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Solidão Solidão, santa solidão, maldita solidão, solidão da multidão, solidão em multidão Solidão solitária, solidão na escuridão, solidão sem solitude, solidão que massacra o coração Escrevo, choro, rio e amo em solidão, sofro, caio e lavanto! Tudo! Tudo! em solidão! Queria eu escrever outras palavras além de solidão, mas solidão é tudo o que me vêm, solidão é tudo o que eu tenho. Vivo, respiro, e morro em solidão! Afinal, o que mais se pode esperar desse mundo, que como eu, só entrega solidão.
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