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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 6 meses
Público
#Desafio 239

Petição ao Desejo

Requeiro,
liminar,
que teu beijo
seja DEFERIDO.

Executado.
Cumprido.
Em
caráter
IRREVOGÁVEL
(assinado em suor).

Erga omnes.
Corpo,
alma,
LIBIDO.
(Em combustão)

Declaro
INCOMPETENTE
o juízo da razão.

Paixão:
transitada
em JULGADO.

Sem recurso.
Sem apelação.

Tua ausência:
CRIME INAFIANÇÁVEL
no peito rasgado
do meu peito
rasgado
do meu peito…

Ônus da prova?
Teu sorriso.
Produzido
em audiência íntima,
suspiro após suspiro,
gemido…
gemido…
Prova viva,
assinatura líquida,
carimbo do desejo.

Sentença:
AMOR VITALÍCIO
sem prescrição,
sem prazo,
sem súmula vinculante,
sem saída,
sem perdão.
SEM ABSOLVIÇÃO.
Sempre.

Jurisprudência única:
tua boca…
na minha…
na minha…
na minha…
NA MINHA…

Fim.

E ainda não acabou…

(Nunca acabará)

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 6 meses
Público
#Desafio 238

Há um desejo que me arrebata
tão logo se faz dia.
Um querer que me esvazia e completa
sempre que me perco em teus olhos.

Preenche e falta

Ritmado,
gostoso,
ansioso.

Preenche e falta

Compassado,
faminto,
urgente.

Até se iludir saciado:
pleno,
repleto,
íntegro.

E minguar… de novo.

Minha vontade só se satisfaz em você.
E não se satisfaz.

E não se cala,
quando a noite vem.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 6 meses
Público
#Desafio 237

Cronista de mim

Nasci.
O petróleo escorria
nas veias da história:
crises,
ditaduras,
silêncios.

O susto do primeiro choro.
A vida entrando
sem medir tamanho.

Cresci.
Cresci entre silêncios,
cresci entre descobertas,
cresci aprendendo:
o corpo fala,
mesmo quando a boca cala.

Meu país tropeçava
na democracia.
Eu tropeçava no espelho,
tentando reconhecer
quem era aquela
que me olhava de volta.

Vieram os vinis:
febre girando,
ritmo rodando.
Vieram as cores da TV:
sonhos pintando,
vidas cintilando.
A sombra de Chernobyl
rasgava o céu de medo.

E dentro de mim,
uma inquietação
que não cabia
em caderno de escola,
sem margens, sem fim,
sem fim.

O mundo desabava muros,
eu erguia os meus
para me proteger.

O mapa se redesenhou
na poeira de Berlim.
E eu, língua incendiada,
querendo amor sem moldura,
querendo amor
sem fronteira.

Vieram guerras distantes,
aviões em lâminas no céu,
planeta em chamas,
fogo, fogo, fogo,
gritando por ar.

Vivi meus próprios incêndios,
aprendi a respirar poesia.
Descobri Drummond,
e soube:
dentro de mim
cabiam multidões.

O século virou,
eu virei junto:
mãe de mim,
mulher de cicatrizes,
mulher de coragem.

A internet conectava continentes,
eu queria
me conectar comigo.

Torres caíram,
presidentes desabaram,
veio o silêncio da pandemia:
solidão partilhada
em janelas virtuais,
saudade feita de pixels.

Hoje caminho
entre máquinas que aprendem,
climas que mudam,
humanos que se perdem de si.

Carrego os anos como amantes:
alguns me feriram,
outros me deixaram marcas
que aprendi a lamber devagar.

Fui me despindo das ilusões,
enquanto a humanidade se vestia
de cabos,
calos,
cores,
satélites,
redes,
rodas.

Ainda aqui.
Ainda danço.
Danço sobre cinzas.
Danço sobre telas.
Ainda.

Sou carne
que arde em segredo.
Sou cronista de mim.

Cada ruga: um capítulo.
Cada fenda: um desejo.

E se ainda há precipício,
eu atravesso.
Atravesso em prosa,
Atravesso em poesia.

Porque viver, aprendi,
é narrar-se,
Narrar-se.
Antes que o silêncio
conte por mim.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 6 meses
Público
#Desafio 235

No rastro
que deixei,
não há arrependimento:

vejo desejo
que não se apaga.

E se me perguntarem
se farei de novo,
responderei
com a boca
cheia de noite:

sim, sempre.

Porque foi
do meu jeito…

e o meu jeito
é fome.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 6 meses
Público
#Desafio 234

Disseram
“calma”,
entendi
“alma”:

fui tempestade.

Quando rogaram
“espere”,
eu já tinha partido.

A solidão,
às vezes,
me foi amante
mais fiel
que qualquer
corpo quente.

E ainda assim,
meus desejos
não pedem
licença.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 6 meses
Público
#Desafio 232

Eco

Peregrino.
Desavisado.

Entregava-se
ao mundo,
com a doçura
de ignorar
o perigo.

Olhar frágil,
quase um sussurro.

Falando
de destinos,
de dons divinos…

Cada gesto:
um traço vulnerável,
um convite
à intimidade,
desafinando
a solidão.

No fundo:
apenas um menino.

Ferido,
febril,

pele lanhada
de curiosidade
de medo.

Bebia vinho,
fogo líquido
que dissipa calor.

Saboreando dor
e prazer,

sem permitir
engasgar…

De…
Novo…

De…
Novo…

Engasgar…

De…
Novo…

Com a própria
vida.

Crs Ribeiro
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