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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio 134

Cárcere Desejado

Espelho
do meu infinito:
Amo-te

com a serenidade
de quem sabe
e a vertigem
de quem se perde.

Sou.

E, sendo,
desdobro-me
em mil versões
que só tua presença
desnuda.

Mais madura
ainda crua ao toque
tocada

pela ternura nos teus olhos
quando me vês
sem defesa.

Teu amor:
cela e céu.

Me aprisiona em liberdade,
me solta
com algemas
de vento.

Te pertenço
como a noite
pertence ao delírio:

Entregue, escura, eterna.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio 133

(Imersa)

Aturdida.
Invadida.
Molhada.

Ar?
Suspiros
cor/ta/dos.
Naufrágio.

(Só o doce)

Não-tragédia
é desejo.

Desejo o fundo:
insanamente.

Virar água.
E sal.
E ti.

Me dissolver em você.

E depois,
talvez,

nascer
de novo.

Mais uma vez
renascer.

(Ou não.)

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
#Desafio 132

Agraciada Sou

Filha de Carminha,
tempestade
mansa.

Mãe de Luísa,
meu verbo
mais bonito.

Sou aprendiz do amor:
com tropeço,
com reza,
com sangue gritando nas veias
e abraço largo,
feito abrigo.

Hoje,
uma falta.
A outra,
solta.

Mas o que me costura
por dentro
é essa linha invisível,

bruta,
delicada.

Afeto espesso,
doçura áspera,
rigor que firma
o chão
de quem ama.

A certeza de ter sido querida
é raiz
no tempo que me coube.

E o desejo,
nu,
sem rodeio,

que o bem abrace forte
quem cruzar meus passos,
sempre vem.

Sempre.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
#Desafio 131

Acuso você
por tudo
que sou

por medo de ser
o que em mim
ressoa
(eu engulo).

Te faço espelho
embaçado:
ver-me
é vertigem.

Projeto em tua pele
as minhas sombras

aponto o dedo
sem sangrar.

Covarde
me escondo
no reflexo
do teu olhar.

Condeno-te
sem lâmina

para que eu siga
intocada.

Mimada
em fugas

protegida
na redoma
de desculpas
ensaiadas.

Mas se tocasses
meu lado B

encontrarias
a chaga viva
o caos manso

a menina
que aprendeu
a não doer
em voz alta.

E tua alma
(tão pura)
talvez tremesse.

Sem filtro
sou farpa.

E no gesto de amar
rasgo.

Dói
em ti.

Mas em mim
dilacera devagar:
agulha cega
bordando carne crua.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
#Desafio130

Areia Movediça

Não foi justo
ter permitido.
Tarde demais,
fiz-me presa.

Afundo em ti:
areia movediça
de um amor sem fim.

Não tento escapar.
Ignoro os cipós lançados.
Salvar-me de quê?

Quero ser engolida,
mastigada,
deglutida.

Quero a prisão.

Cedo demais,
fui permitida.

E é justo,
justíssimo,
morar na tua imensidão.

Crs Ribeiro

*** A você que permitiu: não foi descuido.
Foi abrigo. Foi casa. Foi sim. E segue sendo.
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@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
# Desafio 129

 ❤️‍❤️‍

Um olhar
me come,
uma boca
me despe:
lenta,
desarmada.

Um cheiro
enxerga
cada desejo
desatinado
que se abre
no leito
quando
me sinto
em teu peito:
frágil,
mas inteira.

Uma mão
me aspira,
uma língua
me ausculta;
uma voz
rouca
arranha
suspiros,
gemidos;
ferroa
prazer.

Só eu
e você.

Toda
noite,
a noite
toda.

Vais
querer?

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
#Desafio 128

Coração Desalojado

Meu peito:
um quarto vazio.

Vivo
por teimosia.

É certo:
aqui não mora mais
coração.

Músculo ingrato.
De tanto pulsar por outro,
abandonou-me.
Sem mais.

Sem bilhete.
Sem cerimônia.
Sem olhar para trás.

Mudou de corpo
como quem muda de estação:
satisfeito.

Morando no leito
de quem tanto desejou.

Fiquei eco.
Ausência.
Poema.

Não julgo
a sua ousadia
(invejo).

Quisera eu,
todo dia,
domada por encantos
e alegrias miúdas,
descansar
onde mora a poesia.

Onde mora ele.

Onde repousa
e suspira
aquele que não soube
ficar.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
#Desafio 126

**ATUALIDADE**

Evangelho segundo São Julgamento
(versículo dançante)

E foi assim:
dias de show,
glitter no céu,
fé tremendo
no salto quinze.

Ela veio:
couro, coragem,
coração remixado,
talento a mil.

Do outro lado,
bradaram
homens de vitrine
(crucifixo no peito,
pornografia no histórico):

— Ela canta! Ela pensa!
Logo, é o demônio!

Mas surgiu,
entre bíblias e pecados,
um influencer gospel,
olhos culpados.
Inflamou:

— Quem nunca sambou
na própria hipocrisia,
que atire o primeiro tweet.

Silêncio.
Stories apagados.
Lábios trêmulos.

Os dançantes
abriram os braços,
ergueram o salto,
deram glória.

Beijaram sem medo,
amaram sem culpa,
desceram até o chão
com o Espírito do pop
manifesto nos quadris.

E foram salvos.
Não por medo,
mas por verdade.

Que nos protejam dos castos
sem desejo.
Dos santos sem amor.
Dos fiéis sem alma.

Amém, Gaga.

Aleluia, amor.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 10 meses
Público
#Desafio 125


Te encontro
no espaço
entre versos perdidos:

pausa precisa,
vírgula
depois do suspiro.

Sem rima,
ainda assim
melodia.

Teu som
me atravessa
antes da tua pele.

Tua boca
é vanguarda.
É linguagem.

Tece fonemas na minha carne,
sem consoantes,
com o sal do desejo.

Tu és verso solto
em corpo de homem.

Devasso no detalhe,
terno
por perversão.

Sou tua página arrancada.
Metáfora suada.
Rastro
de palavra entreaberta.

Te ler
é ir embora de mim.

Te ouvir
é retorno
com febre.

Escreve em mim, poeta:
com tua letra indecente,
tua fome antiga,
tua culpa
de quem goza doído.

Serei teu pergaminho.

Mas aviso:
textos eternos
também queimam
se a mão versa demais.

Sob o risco de nos consumir,
te peço:
fica.

Até teu cheiro,
tua escrita,
grudarem
na curva
da minha nuca.

Crs Ribeiro
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