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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio 144

 ❤️‍❤️‍

Cio

Vem.
Agora.

Sem aviso,
sem palavras.

Arranca minha roupa com os dentes.
Com raiva.

Me cola na parede,
me faz saber o que é ser tua.

Vira.
Usa.
Faz.

Se restar algo de mim,
que seja o gosto da tua saliva.

Tô aqui.
Queimando.

Te esperando como quem sangra o tempo.
Meu corpo: função da tua fome.

Não quero promessa.
Nem futuro.

Quero teus dedos cravando.
Tua voz enterrada no meu grito.

Teu prazer na minha pele,
tua ausência latejando.

Me toma
como bicho.

Mas não promete nada depois.

Hoje
é só cio.

E silêncio.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio143

Devaneio em Dó Maior

A hora
(amante distraída)
passa
me deixando no abandono.

Um corpo que finge estar presente
enquanto a alma flutua
despida
num céu sem chão.

Tempo estendido
no varal do talvez.
Seca lento
cheirando a promessas não ditas.

Devaneio:
o lençol onde me deito
quando a realidade pesa.

Crepúsculo dissolve
o que eu jurei cumprir.
O que eu desejei ardentemente…
e não ousei tocar.

Minhas ideias
despenteadas, sensuais
indomáveis
fogem ao toque da razão.

Labirinto.
Cada escolha é uma dança com a dúvida:
mais uma volta
em mim.

O sossego é só maquiagem.
O incômodo
esconde-se sob a pele
feito desejo calado.

Vertigem.
De tudo que pulsa.
Do que espera.
Do que clama.

Ausência.
De ação
de coragem
de nudez emocional.

Vácuo.
Lugar onde o querer
treme diante do fazer.

E então me embriago
com a promessa mais suave
e mais cruel:

Amanhã.

O nome mais bonito
da mentira.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio142

O Que Já me Queima

Vida pouca,
pequena.

Quisera um compasso
(ou febre)
pra dilatar o instante
em que, enfim,
te houver.

Que minha pele,
(ainda virgem da tua)
saiba arder a eternidade
num só segundo:

tempo nenhum bastando
pra aquilo que já me queima
e consome
antes mesmo
de ser.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio141

Noite no centro:
olhos cegos, mãos nuas.

Espadas cruzam.

Silêncio zingra,
acende o fogo,
morde a carne,
sangra sem aviso.

O peito, covarde, hesita.
Gota seca,
copo vazio,
ninguém vai encher.

Não se mente para dentro:
corte o talvez,
arranque o “se”,
fode a dúvida até ela gritar.

Diz teu nome,
pelada,
sem pedir desculpa
por querer,
por queimar,
por viver.

Não tem prêmio,
não tem castigo,
só consequência.

Você é tudo.
Por que ajoelhar-se
pedindo permissão
para ser amada?

Ama-te primeiro,
sem bênção,
sem perdão.

É o fim.
Ou começo…
Nunca mais como antes.

Levanta,
espelho,
desnuda o desejo:

tempestade que sussurra,
fúria que acaricia a alma,
vento que derruba a calma,
sem ousar disfarce:

Incinera tudo.

Sê inteira.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio140

Partitura da Falta

O real
escapa

me
assusta.

Sigo
na marcha silenciosa
da falta

do que nunca foi meu
e ainda assim
me move.

Causa do meu desejo:

tão perto
que queima

tão presente
que fere.

Visceral.

O gozo impossível
não me curva.

Me ergue.
Me afirma.

Sou mulher
na corda bamba
do querer:

barrada
cortada
castrada.

Não posso
ter tudo.

Mas desejo.

E o desejo rasteja
circula
lateja.

Insiste
mesmo sem razão
mesmo sem licença.

A angústia
rasga o peito
sem nome certo.

Desloca
condensa
encena.

Alerta vermelho:
o perigo mora dentro.

Ali
sob o tapete
varri
o que recusei sentir.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio139

Leve, Lá Dentro

Pés no mato,
o chão respira,
transpira aroma verde
com notas de liberdade.

Trilha que serpenteia
até paragens doces:
lá dentro.

Ali, é ela:
leve,
desfeita no tempo,
em pedaços de vento.

Cada passo
descalça certezas.

Sorriso que nasce,
regado de orvalho,
banhado de Sol.

Sol que ama
quem se atreve
a se ver:

nua,
inteira,
incendiada.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio138

Feitiço

Silêncio:
expectativas desbotadas.
Lençol esquecido no varal
de um amor que não seca mais.

Fui temperança,
plantei paciência em terra rachada,
reguei com esperança:
engoliu-me o deserto.

O tempo não é santo,
não conserta,
não cura tudo.

O amor não basta.
Sozinho, cansa.

Fingi não ver.
Fingi não doer.
Fingi que esperar era amar.

Atriz do próprio abandono,
roteiro escrito à lápis,
alma gritando entre cenas.

A hora de cortar o nó
badalou dentro do peito.
Sem piedade.

Algo morreu.
Não te culpo,
nem me culpo mais.

A vida não é tribunal,
é estrada.
E eu sigo.
Nem sempre reta,
mas sempre minha.

Sou feitiço,
não súplica.

A minha escolha
sou Eu.
Mesmo depois da queda.
Ou talvez…

por causa dela.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio 137

 ❤️‍❤️‍

Língua na Curva

Flor se abre,
molhada.
Lua: cúmplice,
calada.

Sussurro rouco.

Minha sede
é tua dobra.
Tua pele
nunca foge.

No vão da perna,
minha boca
silencia,
arde,
implora.

Tua entrega
me devora.

Lençol no chão.

Tua sombra
me atravessa.
Cada gesto
uma promessa.

Meu peito arfa,
ritmo cru
dos teus dedos.
Minhas coxas,
teus segredos.

Tua carne pulsa.
Te penetro com a fala
e com a língua…
calas.

Teu gosto me guia.

Me afundo
até a espinha.
Sou fome
que te alinha.

Espasmo violento.
Chuva
arde em meu queixo.
Teu gozo
no meu beijo.

Me habitas inteira.

Teu prazer
me incendeia.
Sou vulva.
Fogo.
Fogueira.

Meu corpo é tua prova.

Tua boca
me conduz.
Sou mulher,
não peça:
me traduz!

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio 136

Querer Ser

Riso que veste tua dor,
disfarce de carnaval.

O que te rasga por dentro
quando empurra ao fundo:
quieto.

Vidro quebrado
que não se esconde
sob o tapete.

Feridas viram rotina,
medos sussurram
em lábios entreabertos
exaustos da espera.

Sonhos deixados no acostamento,
entre uma escolha e outra,
te acordam afobada
por temer a derrapada.

Mil versões,
um só nome.

Prazos, metas, boletos.
A existência pendurada
no último cabide
do guarda-vidas.

Te esqueces:

Ser é verbo que exige mergulho.
É se ver no espelho
e escolher acender,
escolher querer.

E,
mais que tudo,
querer ser.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 9 meses
Público
#Desafio135

Canto

Para dispersar
todo o pranto

perder-me
em encantos

dissecar
a alma

expor
o matiz
da dor

E ao ardê-la:
me levanto

me estiçalho
me recolho
me espalho

ou me espantalho.

Crs Ribeiro
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