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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 183

A balança entre nós

Se encontraram uma vez,
na esquina torta do destino
um com o peito pra dentro,
outra, querendo colo divino.

Ele pesava o mundo em silêncio,
ela gritava com olhos de luz.
Ele: introspecto,
ela: explosão que seduz.

Na balança dos dois,
não havia medida justa:
ela queria mimo,
ele, caverna e busca.

Amaram-se num relâmpago,
que cortou o tempo em dois.
Ela queria ser tocada com palavras,
ele, calava depois.

Ela: sobrecarga de afeto.
Ele: superproteção.
Dois excessos opostos,
dançando na contramão.

Ela queria atenção inteira,
ele, amar sem se expor.
Dois pesos de uma moeda,
que só gira na dor.

Hoje, ele carrega suas culpas,
feito pedra na alma, discreto.
Ela finge não doer, mas chora
por um abraço completo.

A balança nunca equilibra
quando um ama em silêncio
e o outro em voz alta demais.

Mas ainda assim, ambos pesam:
no mesmo coração,
em lados opostos
do cais.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio182

Se é pra ter um amigo imaginário…

Papo com Drummond

Ah, Carlos, andei trocando confidências com o silêncio e ele sussurrou teu nome.
Diz que você ainda acredita em anjos, mesmo os de asas tortas.
Eu também. Mas confesso: às vezes eu os alimento de desespero e café preto.
Viraram criaturas noturnas, amantes da dúvida.
E a seta? Ah, errou feio.
Mas vai ver era pra errar mesmo.
Vai ver errar é o novo acertar.

Fica tranquilo, tá?
Mesmo que o coração aperte como calça jeans lavada,
mesmo que a vida nos balance como rede velha em dia de vendaval,
o meu peito ainda abriga.
Cabe o mundo, tua tristeza, e até o estalo seco de quem nos quebra por esporte.

Coração de mulher, Carlos, é mistura de construção e demolição.
A gente tira os escombros dançando.
E ainda planta flor entre os entulhos.
Porque fé aqui é planta daninha: brota até em concreto.

Acredito sim. Acredita comigo?
Que o anjo bom já enrolou o outro num lençol pesado,
amarrou uma pedra no pescoço e mandou pro fundo.
A ferida lateja, mas já tem cheiro de cura. Tem gosto de amanhã.

Vem comigo, Drummond.
Você se enganou. E tudo bem, acontece até com os poetas.
Os suicidas não estavam certos.
A vida é crua, mas é banquete.
Vamos brindar à dor com conhaque e gargalhada.

Vamos nos perder entre estantes e hashtags.
Nos despir de ego e de medo.
Vamos chorar em verso, amar em caixa alta.

Porque, você sabe, melhor que ninguém , o tempo não é pão para guardar.
É vinho para derramar.

Vamos amar, Carlos.
Com todas as letras.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 180

O dia nasce

em azul intenso

e mesmo assim,

não é belo.

Caminhar

é desejo:

perder-me

de mim,

ser consumida.

Despedaçada,

desapareço.

Para nunca mais

pertencer.

Nem a mim,

nem à tortura insana

dos meus pensamentos.

E então,

sinto

uma espécie

de liberdade.

Não mais

(in)existo.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 178

Vi seu amor

tornando-se palpável.

Tão intenso, voraz e belo!

Perdoe-me, sentia medo...

Pensava que um sentimento assim

só acontecia em sonhos,

em páginas de encantamento,

ou em telas enamoradas.

Ensina-me a me entregar?

Sinto o mesmo, não posso negar…

Quero me rasgar, explodir, confiar.

Desejo pertencer a você

em toda e qualquer vez

que me faz res-pirar.

Eis as suas chaves.

Adentre, aposse

faça de mim o seu lar!

Crs Ribeiro

輦⛵️
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio177

Ah! Mar…

A contemplar-te,
passaria a vida…
Mas travessa sou,
e mergulhei os pés
na tola inocência
de só me refrescar.

Segura,
por saber nadar…

Mas águas
assim tão quentes
amolecem a gente,
entorpecem a mente,
levam a desejar.

Ondas,
correntes,
vertigens.

Não há pés no chão,
nem vontade ereta,
que barreira imponham
ao teu querer ardente.

Entregar-me é certo:
já não tenho medo.
Afogar?
Talvez.

E, para esse risco
sem mapa nem margem,
meu grito é incêndio:

“Engole-me inteira!”

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 176



Incêndio em Sussurros

Arrepios caminham por mim:
sabem teu nome.

Te olho
e tua boca não precisa dizer,
teu olhar já me manda despir.

Levanta minha saia
antes do pensamento.
Tens a urgência dos intensos.

Me rouba
com violência delicada,
com ternura que morde
e olhos que pedem mais
do que a fala ousa.

Teus lábios,
grossos como promessas não feitas,
se encaixam nos meus:
nosso pecado consentido.

Tua língua desce,
sem mapa, sem rumo.
Vai fundo no pescoço,
lambe o medo,
me despe de história.

Me rebatiza com saliva,
me escreve com gemidos:
sou teu poema
entre espasmos nada sacros.

Mãos despudoradas,
feito culpa boa,
moldam meus seios
erguem altar.

Teus dedos me procuram,
me invadem com loucura,
descobrem cada curva,
mistério que se entrega.

Calcinha encharcada
de intenções não ditas.

Palavras que não se falam
em voz alta
(mas a gente diz).

Teu fogo derrete meu juízo.

Teu corpo me encontra
no exato segundo
em que minha língua
te silencia de prazer.

Sou tua.
Aberta.
Molhada de coragem.

Espalhas
meus joelhos no lençol,
me lês com digitais,
página por página,
gemido por entrelinha.

Toco tua nuca.
Entre um beijo e outro,
te escapa a confissão.

Goza comigo
com pressa,
com fúria.

E dentro do gozo,
te escrevo.

Te tomo.

Te invento.

Me queimo.
E me deixo tremer.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 174

O mundo lá fora é
lento,
barulhento,
raso.

Por isso me desfaço.
Sumo.
Me recolho ao abrigo de mim.

Não é por você,
é que carrego demais.

Preciso decantar o mundo,
como vinho bom.

Não tente me conter.
Não grite pra mim.

Apenas brilhe.

Pela fresta entreaberta
do que ainda sou,
seguirei tua luz.

Crs Ribeiro
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