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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio192

A visita indesejada chegou.

Sorrateira, impositiva.

Detentora algoz do tempo,

instiga o seu correr lento:

madrugada contemplativa.

Traiçoeiros — tal qual ela —

os fantasmas do meu pensamento.

Torturam-me de saudade!

Atiram-me ao chão do lamento,

põem em xeque nossa liberdade.

Ai de mim… por saber que o querer

é a delícia que rege o momento

mas não garante que o sentimento

vença as agruras da vida.

Quero a paz, o calor, a leveza

que meu coração, petulante,

insiste em crer merecer.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 191

Quase nunca,
nem sempre.
Talvez amanhã…

Hoje!

Quando é que você sente a tal da certeza?
O que valida um sentimento?
A seta?
O caminho?
O alvo?
Como saber se a mira vale a flecha?

Se até o que é tangível
escorre
feito areia,
feito tempo.

O que preenche:
ilude.

E a tal da segurança
talvez só seja
uma brisa
fantasiada de chão firme.

Quem manda em você:
a mente que trama
ou o coração que tropeça?

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 190

Convocação Geral: Alinhamento de Performance
( em modo compliance)

Senhoras, senhores,
prezados colaboradores,

A pressão subiu,
a demanda esticou,
o corpo pediu:
encaixe.

A empresa atendeu:
convocamos
entrega urgente.

Sem apego,
sem planilha.

Só potência.
Crua.

Resposta rápida
e foco em performance:

penetrar metas
com estratégia,
sem perder o eixo
nem o ritmo.

Só as cabeças.

Volume crescente
na contenção:

Ejeta.
Respira.
Fluidez consistente,
fluxo e vazão.

Instrumento calibrado,
toque alinhado,
prazo contado
até o último suspiro.

Precisamos da sua
abertura total.

Que cada gesto seja
comunicação clara
ou gemido honesto.

Seremos canal.
Seremos desempenho.
Seremos entrega.
Sem truques.

A jornada irá até onde
o comprimento dá conta
e a carne sustenta

e o resto…

É impulso,
é instinto,
é suor de equipe.

Que role.
Que tudo role.

E se não rolar,
a gente refaz o
alinhamento

com elegância,
com maciez
e com
consentimento.

Com todo o
corpo.

Mais uma vez.

(Atenciosamente)

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
Desafio #189

Rendição

Não quero salvação,
quero
pecado bem-feito.

Teu juízo enfraquecido,
meu leito
em combustão.

O medo esquecendo
o caminho
conhecido.

Rio enquanto ardo,
sussurro orações
entre os dentes.

Te batizo “meu amor”
como se fosse
blasfêmia.

Me beija com furor,
me engole
em agonia.

Me deixa marcada:
poesia cravada
em papel de bar.

Não venha com ternura
fora do enredo.

Me morda onde dói mais,
não tem
segredo.

Quero teu corpo
implorando
perdão

pelas vezes
que me sonhou
vestida.

Quero morrer de amor
todo dia,
sem anestesia,

me afogando
nos teus ais,

num delírio
que me despe:

sinfonia.

 Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 188

Entre o Silêncio e o Grito

Verbo calado,
poeta sem páginas,
adormecido nas dobras do burnout.
Espera que a vida o sopre de volta,
preso no arborecer da própria mente:
pensamentos em galhos,
ramificados, espessos,
impenetráveis.

E eu sou incêndio,
não aprendi a sussurrar.
Labareda de urgência,
abraço que arde,
vontade crua de agora.
Quero estrada,
grito, suor, gozo,
pele que fala
e não apenas o verso.

Nos amamos fundo,
como só os desajustados sabem amar:
atravessando paredes,
entrelaçando mentes brilhantes
e almas esgarçadas.

Mas ele precisa se erguer.
E eu, me conter
(e conter, pra mim,
é sangrar em silêncio).

Entre nós,
o tempo é bicho feroz.
Ele o doma.
Eu o acuso.

Eu grito.
Ele se fecha.
Eu cobro.
Ele se encolhe.
Eu espero em dor.
Ele com esperança.

Nesse nó de dois intensos,
com feridas ainda abertas,
nos reconhecemos,
nos repetimos,
nos ferimos
e tantas vezes,
nos curamos.

Queria dizer:
“Vou ficar contigo.”
Mas ele sussurra em clamor:
“Antes, preciso existir.”

E quem sou eu
para exigir voo
de quem reaprende o chão?

Mesmo assim,
me pego sonhando
com a poesia que ele vai escrever,
com o amor que, se for,
será inteiro.

Quando o tempo
decidir, enfim,
nos sincronizar.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio187

Geografia do Teu Riso

Nasce,
no arco enviesado dos teus lábios,
uma covinha linda;
do lado esquerdo,
matreira,
quase vinda
de um capricho do tempo,
um desenho no vento
que me prende
e desafia.

E ali se desfaz,
sem alarde,
qualquer traço do meu juízo:

feito prece sem fé,
feito vinho sem taça,
feito gozo sem riso.

Bem ali,
eu derrapo
no acidente geográfico
do teu sorriso,

desatino pacífico,
meu caos mais bonito.

O sulco do teu rosto
me desnuda sem tocar,
desenha, impiedoso,
o mapa de naufragar

onde cada linha é aposta,
e cada curva, um lugar
que
não
quero
mais
deixar.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 186



Teu nome
na minha boca
é grito abafado.

Teu dedo entra
antes da tua mão,
que entra
antes da tua boca,
que entra
em mim
inteira.

Me abres.
Me usas.
Me lambes.

Sem dó,
sem freio.

Com a pressa de quem quer gozar,
mas também quer
ficar.

Minhas pernas:
abertas,
trêmulas,
desobedientes.

Meu corpo dança
no teu ritmo:

pancada,
gemido,
pausa.

(pausa)

Outra pancada.
Arqueada.
Mais fundo.
Mais forte.

Me atravessas
como se eu fosse tua.
E eu
sou.

Urgência
bordada
em pernas
trêmulas.

Me escorro em ti.
Me desfaço.
Te imploro:
não para.

O gozo vem:
quente,
sujo,

escorrendo
entre minhas coxas,
te batizando.

Sorrio,
arfando,
despenteada.

Fodida.
Fodendo.
Feliz.

E digo baixinho,
mordendo teu queixo:

me doma
sem freio.
Beba de mim
sem cessar.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 185

Mente viajante
mãos intrometidas
quadril impaciente
movimentos oscilantes:
constantes.

Urgência ritmada
pernas aturdidas
abalo convulsivo
gozo alucinado
calor relaxante…

Sorriso satisfeito:
consumida.

Assim começa
e assim termina
mais uma noite
querendo você.

Crs Ribeiro

@
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@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 184

Coração sem norte
bate em desalinho

no peito
onde a sorte
desaprendeu o caminho.

O pêndulo
(frouxo)
oscila

entre o querer que queima
e o temer que paralisa.

Minhas rotas:
borradas

falham

em traços dispersos
desenhados por dedos trêmulos
num vidro
embaçado de dúvidas.

No meio do voo
abandonei minhas asas

por impulso
por susto
por poesia.

Girei em falso
num céu de cacos
onde nenhuma estrela
permanece.

Mas há um fio
tênue
teimoso
que não se parte no vendaval.

Não há névoa
nos olhos da minha alma.

Eles seguem:
verdes
nítidos
obstinados.

o único par que me enxerga
sem disfarces

que me acolhe
quando sou espinho.

Esse olhar
me ancora

me amarra no chão
me acende
me aflora

me refaz
em canção.

E eu cubro de volta

sem medo
sem fuga:

me aquieto
no amor.

Sempre vou.

Crs Ribeiro
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