Deu Match! Às vezes pinta um final feliz

Alguém mais não sabe falar dos próprios livros? Eu vou deixar a escritora de lado e vou falar como professora de literatura (afinal, foi para o que estudei!).

Existe uma técnica chamada Mise em Abyme - “colocar em abismo”. Consiste em “espelhar” uma história, ou imagem, dentro de outra. O exemplo mais fácil de explicar são as bonecas russas — uma maior contém uma menor que espelha algumas características da primeira.

Em literatura, vide As Mil e Uma Noites — história na qual Sherazade conta histórias, e elas trazem pontos de conexão com protagonista. Porém, o termo veio com o autor André Gide. Em Paludes (1895), o protagonista, um escritor, está trabalhando em um manuscrito intitulado "Paludes". Ele discute o progresso do manuscrito com seus amigos, e essas discussões são intercaladas com trechos do próprio manuscrito.

Então, "Deu Match! Às Vezes Pinta um Final Feliz” foi escrito desse jeito. No mundo fora da literatura, existe a escritora Sylvvia (eu!) publicando seu livro “Deu Match!”, certo? Pois bem, já no prólogo, a primeira personagem que conhecemos é Amélie, uma escritora que está lançando seu livro “Deu Match!”.

Daí o primeiro capítulo é sobre ela? Claro que não! Se pegarmos a ideia da boneca russa, temos agora a terceira: abrimos as páginas do livro que Amélie. Nele, ela conta a história de Marcos e Sofia (uma escritora que, adivinhem, está escrevendo um livro chamado “Deu Match!”). Creio que assim ficou fácil de visualizar como a narrativa foi escrita, não é?

Marcos é um pedreiro traído pela mulher que amava. O narrador acompanha como ele buscou ajuda em um aplicativo de namoro. E, assim, ele conheceu Lisa — uma CEO. Esse casal é responsável pela maior parte de cenas hot no livro.

Já Sofia é uma escritora que está passando por falta de inspiração, de dinheiro e um casamento falido. Ela narra sua própria história enquanto busca inspiração para terminar seu livro “Deu Match!”.

Quando terminamos de ler o livro da escritora Amélie, com a conclusão das histórias de Marcos e Sofia, a escritora (eu, Sylvvia) traz no epílogo a conclusão da história de Amélie, finalizando a obra.

Lembrem-se “Feliz nunca é o final, mas aquilo que fazemos enquanto esperamos por ele!” (Sylvvia Rubraurora).
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