Sylvvia Rubraurora
@sylvviarubra#desafio 365 dias
Dia 37 - Poema
São dez anos.
Ou foram dez anos?
Quanto mais estudo linguagem,
mais me perco nas representações temporais.
Talvez por senti-los apenas como evento único,
seria mais correto dizer: é dez anos,
a despeito de meus enganos
ou do que a dona Norma diga.
Eu odeio dona Norma, na verdade.
Por ela, eu deveria ter chorado,
perdido o controle, ter ido à missa,
ter refletido sobre aquela premissa
de amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas eu não consigo ser assim.
Pena. Não para mim, claro.
É dez anos sabendo da continuidade
de sua existência apenas no que sou,
daí só me restou o presente verbal.
O espelho me mostra seus olhos;
o espelho me mostra seus traços
adquiridos com a idade.
Eu sou tão ela, até mesmo no que ela
queria que eu não lhe tivesse sido.
Prefiro que pensem que esqueci.
Prefiro que pensem que não sinto.
Prefiro sempre ser aquele verso do Pessoa:
“Quem quer dizer o que sente/
não sabe o que há de dizer:/
Fala, parece que mente/
Cala, parece esquecer”.
Se é para ser, que seja poesia!
Dez anos com minha mãe em mim.
E nos rouxinóis que vejo por aí.
(nota: e agora já se passaram vinte...)
Dia 37 - Poema
São dez anos.
Ou foram dez anos?
Quanto mais estudo linguagem,
mais me perco nas representações temporais.
Talvez por senti-los apenas como evento único,
seria mais correto dizer: é dez anos,
a despeito de meus enganos
ou do que a dona Norma diga.
Eu odeio dona Norma, na verdade.
Por ela, eu deveria ter chorado,
perdido o controle, ter ido à missa,
ter refletido sobre aquela premissa
de amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas eu não consigo ser assim.
Pena. Não para mim, claro.
É dez anos sabendo da continuidade
de sua existência apenas no que sou,
daí só me restou o presente verbal.
O espelho me mostra seus olhos;
o espelho me mostra seus traços
adquiridos com a idade.
Eu sou tão ela, até mesmo no que ela
queria que eu não lhe tivesse sido.
Prefiro que pensem que esqueci.
Prefiro que pensem que não sinto.
Prefiro sempre ser aquele verso do Pessoa:
“Quem quer dizer o que sente/
não sabe o que há de dizer:/
Fala, parece que mente/
Cala, parece esquecer”.
Se é para ser, que seja poesia!
Dez anos com minha mãe em mim.
E nos rouxinóis que vejo por aí.
(nota: e agora já se passaram vinte...)
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Não, não é a norma. É você e o seu poema.
Seu poema é um presente.
Você é uma poetisa singular.
Parabéns, e obrigado... Te ler é uma dádiva.