Avatar

@tibianchini

Tiago Bianchini Fidalgo
225 posts 1 seguidores 0 seguindo
Ainda não segue ninguém.
@tibianchini
há 1 ano
Público
À noite todos os gatos são pardos

Vi hoje que o tema era #Felino...

E lembrei-me da primeira redação que fiz na escola, aos 11 anos. Ela ganhou elogios de todos os professores, e foi ali que percebi que tinha habilidade para escrever (e que queria ser escritor um dia). O tema da redação era "Medo" e o título era sugerido pelo livro didático.
Espero que relevem erros pueris e a superficialidade de um garoto de 11 anos da década de 80...

À noite todos os gatos são pardos

Eu estava andando à toa pelas ruas da cidade naquela noite fria e assustadora, que a fraca luz da Lua e a precária iluminação dos postes tentavam disfarçar. Eu tremia. Decidi que era hora de voltar para casa. A noite, porém, me convidava inevitavelmente a andar mais um pouco. Mas foi resistindo que cheguei em casa. Meus pais haviam ido a uma festa, e minha irmã, como todas as noites de sexta-feira, tinha pêgo um cineminha com o, ou um de seus namorados. Estava sozinho. Deitei-me na cama, olhei prô quadro que geralmente fica à minha frente e percebi que a paisagem refletia um campo verde cheio de árvores. Isso me fez lembrar: havia feito um lindo dia àquela manhã! O quadro, que aliás brilhava sobre a luz que vinha da rua, me aborrecia cada vez mais.
Prá estragar de vez, começou a chover. E a chuva que caía insistentemente empurrava ainda mais o mormaço para dentro de meu quarto. Apaguei a luz e tentei dormir. Virei prum lado, prô outro, de bruços, de barriga prá cima...e nada. De repente, quando eu olho para a frente, eu vejo...dois olhos!!! Gelei. Dois olhos que brilhavam como dois diamantes na noite e nada mais eu via. Mas, num estrondo, vi algo ainda mais assustador: um corpo escondido por um véu!!! Sim, um corpo pequeno coberto por um véu ou coisa parecida que ficava perto do interruptor da luz. Pensei: "Quem sabe se eu levantar, acender a luz e poder ver nitidamente aquilo que me mete medo, talvez eu possa encarar numa boa". Tá bom. E cadê coragem de chegar até o interruptor, com aquele ser a guardá-lo?
Eu estava apavorado. Nunca em minha vida pensei em ter "contatos imediatos de primeiro grau" com um OVNI que eu nem sabia o que era. Aqueles olhos piscavam e olhavam friamente para mim. Aquele ser se mexia de tal forma a me impressionar. Num relâmpago, gritei: abri os olhos. Abri e vi uma espécie de janela de luz à minha frente, na parede. Uma janela que eu nunca tinha visto antes que dava para um outro mundo e prá lá dela eu não via nada; só uma luz muito forte. Aterrorizado, era assim que eu estava. Os olhos, o corpo, a janela, a luz, a luz... Sim, a luz! Claro! A luz da janela!!!
Criei coragem, levantei-me da cama, cheguei até o interruptor e acendi a luz. Acendi e dei risada da besteira que minha cabeça havia inventado: o tal corpo era somente uma toalha branca que eu deixo sempre na maçaneta da porta, e, sendo esta redonda, assemelhava-se realmente com um corpo. A tal janela era o quadro do campo que, refletindo a luz que vinha da rua, pela janela, brilhava, e os olhos... bem, os olhos eram realmente olhos. Olhos de um gato, preto ou pardo, que fugiu, pulando a janela, logo após eu ter acendido a luz...
Abrir 2 curtidas 0 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
Não há nós.
Há eu, há você.
Não amarramos direito nossas vidas.

Havia um laço
Com pontas soltas.
Com pontos sem nós.

Há dois que não formam um;
Há dois nenhuns tentando ser um
Um para o outro.

Fios de vida que se encontraram um dia
E hoje, ao se separar, saem lisos:
Não há nós.
Abrir 4 curtidas 1 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
Eu tenho estado longe da escrita nos últimos dias, e não tenho muita previsão de volta (por enquanto). Mas vim perguntar uma coisa para a minha amiga Ju Naiane, e, assim de passagem, dei uma lida no que aparecia na página inicial...

E aí, vejo a MarU nos agraciar com isso:
Abrir link

Aí vem a Ju Naiane com essa pérola:
Abrir link

Rolo mais um pouco, e vejo o Alberto Busquets com essa maravilha:
Abrir link

E a Sylvia Rubraurora, então, com essa preciosidade?
Abrir link

E o que dizer desse, da Calor Literário?
Abrir link

Meu Deus!... É tanta coisa boa que eu não posso ficar fora daqui... Cada poesia me dá novas inspirações, me dá novos assuntos e imagens! Que vontade de voltar a escrever e publicar!...

Mas, tudo ao seu tempo.
Abrir 7 curtidas 2 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
O Caso de Paixão Mal-Correspondida do Mecânico pela Dondoca Dona da Loja de Carros Antigos

Oba! Vi que agora os textos podem ter até 5 mil caracteres... Então dá pra postar muita coisa que eu não conseguia...

Não vou conseguir mais postar todos os dias... Mas quero aproveitar pra postar um texto engraçadinho (quem quem conhece carros antigos vai se deliciar).

O Caso de Paixão Mal-Correspondida do Mecânico pela Dondoca Dona da Loja de Carros Antigos

Amo-te. Quando passas por aqui, a abanar o rabo
Do teu Cadillac rubro – a seduzir-me qual um diabo
Ou qual um anjo louro a levar-me ao céu;
Ao ir-e-vir, sempre num bólido diverso,
A inspirar-me cânticos de amor, e versos,
A passar em alto giro, e a cantar pneu:
Vejo-te voltando num Corcel.

Sim, amo-te!... E sou mais que um reles amante:
Quando por mim passas dando gás na Variant
Eu compreendo os teus anseios de menina:
De alçar-se a um sonho de aventura bem maior;
Chegar ao êxtase a bordo de um Simca-Chambord
Ao ansiar que te apertem a buzina:
Volta você, pilotando uma Belina.

Mas nem me dá bola: espia-me pelo espelho
Retrovisor do teu Mustang vermelho,
Como a mostrar-me que não és para um qualquer;
E, ao voltar das festas dentro de um Róis-Róis,
Me deixas claro a distância entre nós;
Me mostras tudo o que eu desejo em uma mulher.
Manhã seguinte, me apareces num Bell’Air.

Ah, como sofro! É um sentimento tão raro
Que, ao esnobar-me às rédeas do teu Camaro,
Me fazes sofrer, e o sofrer é mais que a morte;
O meu sofrer sucumbe a um ronco de motor
Pois é impossível que se padeça de amor
Sem que a vida não nos reserve melhor sorte.
Não obstante, passas batido num Escort.

Oh, sim, eu sofro! E por sentir-me tão só,
Eu te desejo, quando vais num Marajó,
Como eu desejo um romance casual!
No teu Aero-Willis de bancos de couro,
Beijar-te e acariciar teus cabelos d’ouro,
Mostrar que amo-te mais do que qualquer mortal!...
Mas vens e quase me atropelas com um Landau.

Se um Gordini passa, eu penso: “É você!”
Numa Brasília, uma TL ou DKV,
E isto basta a disparar-me o coração;
Mas, se me olhasses, de dentro de um Mawerick,
Se me sorrisses, minha mágoa iria a pique,
Se me chamasses, se me olhasses, mas, não...
Lá vem você, guiando um Zé-do-Caixão.

“Meu Deus, eu a amo, e sempre irei amá-la!”
Exclamo eu, ao ver-te dentro d’um Impala
A acelerar e desprezar-me à distância;
Mas eis que ouço um grande estrondo, e olho a rua
E vejo vir, depois de instantes, uma perua,
Uma perua que destrói tua arrogância:
Te vejo vir numa perua da ambulância.

Me desprezaste demais; amei-te um dia,
Quando à minha frente acelerava um Kharmann-Ghia,
Mas por não ter visto o Scania na direção contrária,
E por pisar demais no da direita,
Foste além do meu amor, e ora deita
Nos fundos d’uma Veraneio funerária.
(Otária!)
Abrir 5 curtidas 0 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
APELO

Vejo muita gente dizer que ama poemas. Esta rede é um lugar incrível, onde amantes de poesia podem se encontrar, indicar seus livros, formar uma comunidade de leitores e fãs.
Você, eu sei, adora poesia. Afinal, este post chegou até você, e o algoritmo é um carinha que sabe onde deve entregar as mensagens, como um carteiro divinal que quase nunca erra. Você, certamente, tem uma alma sensível e um coração aberto, pronto pra amar um livro de poemas maravilhoso.
Há um livro maravilhoso que está esperando por você. Um livro de uma pessoa sensível, poeta sensacional, capaz de te causar as mais belas sensações.
Mas esse livro não existe. Quer dizer, ele ainda não está nesse mundo - só na mente e na alma dessa pessoa. Ele precisa da sua ajuda para nascer.
Ora, vamos, você ama poesia. É uma pessoa sensível, que entende os anseios de um livro lutando pela sua vida. E, olha, se você ajudar, tornará a poeta muito feliz (olha que coisa rara: uma poeta feliz!...)
O nome da poeta é Jusley Naiane. Você a encontra em @ju.naiane e alguns dos seus poemas estonteantes podem ser lidos de graça, como uma cortesia, no site da Literunico (Abrir link
Mas, para que o seu livro possa nascer, você também precisa fazer uma força. Ajude-a, aqui:

Abrir link

Apesar de tantas pessoas que amam poesia, que lutam pela valorização da literatura nacional, e que adorariam ter mais uma (excelente) opção de poemas para enfeitar as suas almas, a captação de recursos para que o livro da Ju venha ao mundo ainda é tímida. Sabe, leitor, produzir um livro é caro, difícil, desafiador. A campanha ainda não arrecadou recursos suficientes - mas sei que, sendo você uma pessoa amante das artes, poderá ajudar... Uma pequena doação pode ser a diferença entre termos mais um excelente livro no mundo, ou termos mais uma razão para lamentar o fracasso dos artistas independentes.
E nem estou te pedindo nada de graça; ao doar R$ 19,95, você GARANTE um exemplar do seu livro físico. É uma compra tentadora, não?
E então? Vamos ajudar a fomentar a poesia nacional?
Abrir 4 curtidas 0 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
DESPEDIDA

O texto mais importante que eu escrevi na vida foi o livro "O garoto que ninguém entendia". É um infanto juvenil que fala sobre bullying, e que irá sair (se Deus quiser e se eu criar vergonha na cara) pela editora RHJ, ainda esse ano.

Ele não é nem de longe o meu melhor trabalho - pelo contrário; ele possui tantos problemas que acho que vou acabar tendo que reescrevê-lo. Ele foi escrito no começo dos anos 90, e tem muitas coisas que, naquela época, era mau gosto, mas hoje poderiam me levar preso por discriminacao., gordofobia, capacitismo, etc.

Mas, então, por que eu tenho um especial apreço por esse livro? É uma longa história.

O livro conta a história de uma turminha de 5ª série que, ao receber um aluno diferente, começa a tratá-lo como um bobalhão (essa é uma das palavras que vou ter que tirar). Ele não gosta de jogar bola, não faz bagunça na aula, não gosta de Rock n' Roll; então todos o tratam como um cara com problemas mentais (ops! Outra).

Esse carinha existiu (e, pasmem, não era eu - eu era um dos que não o entendiam) e a turminha foi uma compilação de diversas pessoas que eu conheci no ginasial. Tinha a menina bonita, o cara amigão, a riquinha, o paquerador... Eu usei alguns dos meus melhores amigos na historia.

E tinha uma menina por quem eu era apaixonado... Ela era linda, cabelos negros, olhos azuis claros, pele branquinha e delicada: a princesinha da turma. E eu? Bem, eu era o cabeludo e esquisito. O nerd. Ela nunca sequer olharia pra mim, mas, mesmo assim, eu a coloquei na minha história, quando escrevi o livro em 1993.

Eu passei a vida com a esperança de virar "escritor" e fazer uma "carreira", mas nunca fui atrás de publicá-lo (em uma época pré-internet e pré-Amazon, isso era dificílimo). Então, em 2014, eu decidi que não ia mesmo ficar rico vendendo livros, e postei a história toda em um blog pessoal. E enviei o link, via Facebook, para o único amigo com o qual ainda tinha contato.

Acontece que esse era justamente o amigo popular, e ainda tinha os contatos da maioria da turma. No dia seguinte, havia sido marcado em um post do Facebook que dizia: "Ei, pessoal, olha só a história que o Tiagão escreveu sobre a gente!" E, abaixo desse post, além de me marcar, ele marcou a turma toda...

(Continua nos comentários... 路‍♂️)
Abrir 8 curtidas 4 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
À minha amiga Terra
#Desafio 365 Dias (038 de 365)

Ref 07/02

Li que o tema de hoje é #핋피ℝℝ픸
Então, lá vai:

À minha amiga Terra

Vais, vais, Terra,
Vais por aí afora;
Por entre fauna, entre flora,
Por entre a paz e a guerra.
Vá por aí, minha Terra,
Ao despontar da aurora,
Ou, então, ao pôr do Sol,
Ou nas árvores de uma serra,
Onde canta o rouxinol;
Isto é teu, amiga Terra,
Desde um simples girassol
Até as luzes cintilantes,
Que brilham, feito diamantes,
Como um imenso farol.

Gira, minha grande casa,
E jamais hás de parar
Pois a cada volta tua
Mais a vida continua,
Mais momentos hão de passar.
Feliz é quem vive em ti,
Ó massa de amor e paz;
Ou que chora, ou que ri,
E que sabe que aqui
A vida vale muito mais;
Pois continue, Terra amiga
Sempre e sempre a girar,
Espalhando alegria,
Esbanjando calmaria,
Pra vida continuar.

A vida, pois, nada mais é, senão um rio,
Que, sereno, nasce à terra e morre ao mar.

P.S.: é um poemelho bem antigo, da época dos meus 12, 13 anos. Acho que a Terra era mais bonita naquela época...
Abrir 6 curtidas 2 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
푨풔 풗풆풛풆풔, 풆풍풂 풗풐풍풕풂
#Desafio 365 dias (037 de 365)
Ref 06/02

푨풔 풗풆풛풆풔, 풆풍풂 풗풐풍풕풂

Ele acordou
No meio da noite;
Ela ainda estava ali.

Fingiu que não era nada,
Ignorou sua presença.
Preferia estar sozinho.

Mas ela
Se recusava a ir embora
Ficava dançando à sua frente

Marcando lugar
Escrevendo o seu nome:
Solidão.

E no frio da madrugada,
seus suspiros eram o vento,
um eco persistente de memórias
que ele preferia não ter.

Ele estendeu a mão,
mas o vazio respondeu,
pois a solidão não tem corpo.

No limbo eterno
entre o querer e o não querer,
ele se rendeu ao inevitável.

Até que um novo dia nascesse
e a luz dissipasse a névoa,
Ela seria sua única companhia.

Mas, por enquanto, noite.
Dor e escuridão.
Solidão.

Silêncio no quarto,
Um perfume distante,
sussurros perdidos.

Caminhos sem volta,
passos que se vão.
Um amor que se esvai.

Cartas não enviadas.
palavras esquecidas.
Solidão.

um olhar que não diz,
mas tudo revela.
Um olhar que se apaga
Quando a luz se esconde.

solidão, uma sombra,
silenciosa e pesada,
Sombras na parede.

Um vestido escuro,
Ela dança no espaço.
Ela senta ao seu lado.

Risos longínquos,
ecos do passado,
Órfãos de memórias.

Na mesa, um vazio,
na taça, um vazio,
Um copo quebrado,
fragmentos de "nós".

Nas sobras do jantar,
Nas sombras, nem o eu nem o tu
A desatar nós.

Mas não há mais nós:
Desata-os a aurora;
Um novo dia, uma nova esperança.

Ela ainda está ali.
No fim das sombras, a depressão:
Solidão.
Abrir 4 curtidas 2 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
Badinerie
Pra quem quiser ler meu conto premiado, vou deixá-lo aqui, na LITERUNICO, em primeira mão.
Mas depois o pessoal do Concurso Aline Alencar vai postar também, no Insta - então, se vocês puderem dar uma força pra "ingajá"... 
Abrir 10 curtidas 5 comentários
@tibianchini
há 1 ano
Público
#Desafio 365 Dias (036 de 365)
Ref. 05/02

Um dos concursos de contos mais legais do Brasil é o Concurso Aline Alencar.
Ele foi criado pelos irmãos da Aline, que faleceu ainda jovem, vítima de câncer de mama. Seus irmãos decidiram criar um concurso de contos, para homenagear a sua paixão pela literatura.

Em 2024, tivemos a segunda edição do concurso, que distribuiu R$2.000,00 para os cinco primeiros colocados. O tema desse ano era: "O SOM DO AMOR".
A divulgação do resultado foi hoje à noite.
É aqui que eu entro na história.
Meu conto "Badinerie" FOI O GRANDE VENCEDOR!!!

E eu, fico como? SURTADO DE FELICIDADE!!!朗

"Badinerie" é o nome de uma dança e é, também, um termo usado para designar um movimento de uma suíte (normalmente barroca). A mais famosa, Suíte Orquestral nº 2 para flauta e cordas BWV 1067 de Johann Sebastian Bach, foi quem me inspirou nessa história.

Não é uma história "alegre", no entanto. Essa é uma das ironias. Mas há muitas outras. Vale a pena ler (bem, vale mesmo, né, já que agora sou um escritor premiado )

Vou deixar o link para leitura aqui embaixo. Eu havia disponibilizado o texto a R$ 1,00 aqui mesmo, na LITERUNICO - não percam a oportunidade de ler!

Agora eu vou até ali na rua, sair correndo e gritando de alegria, e já volto, ok? 
Abrir 7 curtidas 3 comentários