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A felicidade é um alucinógeno
percorre nossas veias feito seiva
despetalam-se sorrisos e sons
miúdos, quase surdos que só
a alma reconhece
esse estado mais ao norte
irriga a tez, excita a melanina
e belos, quão belos são os que
amam
Edu Liguori
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Pode o amor
florescer de uma chuva
de ondas opacas
do vento forte
pode o amor
sobreviver lonjuras
reviver memórias
celebrar desfiles
pode o amor
desprezar o tempo
esquecer o nascimento
intensificar o grito
pode o amor
deixar o passado
despreocupar o futuro
e ser presente
pode
basta um beijo
Edu Liguori
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Senti no ar um cheiro de canela
era ela
o aroma que vinha da orla
a brisa contínua
e as ondas em seus cabelos negros
Jorge não veio o Amado
não era Gabriela
era ela
uma música em minha retina
a pele
o perfume
era ela
aquela que servia sorriso
e cuscuz
não me preocupo com o tempo
não tenho nada para pensar
só lembrar
era ela
Edu Liguori
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Insuportavelmente perfeita
de um grão de areia
uma parábola
insuportavelmente deliciosa
de um oceano
uma concha
insuportavelmente distante
a joia
adornava o mais indelével
pescoço
com a pérola
mais linda que já vi
Edu Liguori
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É definitivo que amo tanto a ti
como amo a este que aqui escreve
e portanto de ti não mais preciso
a ver que só com a tinta sou feliz
pois amo o poeta que se fez em mim
é virtude permanente que nasceu
hoje sou teu e também sou meu
amanhã assim contente permanece
pois nada em mim um momento esquece
o que já se provou e já se viveu
se por ventura houver comunhão
teus caminhos cruzarem minha volta
não permitirá tristeza nem mata-borrão
apagar a construção deste amor sem fim
que ausente em corpo e tatuado em alma
sobreviveu calado por tantas horas
mas possa enfim iniciar outra história
se sou tão eu aqui a sonhar sorrindo
imagina-te unidos o que seria bem vindo
se vens cravos vermelhos no jardim
se ficas flores brancas de jasmim
não importa quem se importa
um poema é sempre assim
definitivo em sua declamada glória
no esplendor de um único amor
que se realiza em carne e gozo
ou em fantasias que constrói
felicidades amada
onde quer que você vá
por fim repito que te quero
sempre livre a escolher
entre cravos e jasmim
Edu Liguori
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De tão linda se odiava
não acreditava nos homens
mutilava sua beleza e chorava
esquecia seus nomes
Viveu pouco
e intensamente
mas só amou um louco
que a desprezou solenemente
Assim escolheu a morte
doía muito ser a atração
nunca aceitou seus atributos como sorte
sem crer no amor perfurou o próprio coração
Edu Liguori
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Sentado em uma pedra
ele mal pode ouvir o som da rebentação
está em outro plano
a espera do amanhã
contou todas suas histórias
mostrou todos os caminhos
na hora da verdade uma pausa
o julgamento e as escolhas
olha para o infinito
tenta ver-se junto dela
sorri por dentro
mas tem medo
o mar tem truques
que mesmo os mais experientes
desconhecem
nunca se sabe o que virá
essa é a mágica do horizonte
mas ali sentado
a espera do amanhã
aguarda o brilho do sol
a brisa que refresca
a cor dos olhos dela
o marfim dos dentes brancos
a maciez de sua boca
um beijo e paz
Edu Liguori
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Deste dia que já passou
até o futuro que irá chegar
segue assim emaranhado
com o pensamento a vagar
poeta de carteirinha
romeiro insistente
segue o sonho que não acabou
vive a paixão da musa pequeninha
que o advento um dia lhe achegou
bagunçou, tripudiou, apaixonou
verbos, advérbios e adjetivos
os objetivos que planejou
(e não realizou)
emaranhado entre os ramos
da cerca viva de sentimentos
pensa em esquecer
enlouquecer
se perder
mas sabe se lá
que razão segue o chão
olhos abertos cristais
brilham no escuro
dessa esperança mortal
que alimenta a verve
do poeta que persiste
emaranhado até o final
Edu Liguori
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Ela sorriu em São João
leu e declamou Pessoa
flor bela pequenina
espanca toda cor
poesia tão menina
cachos de muito amor
mulher coisa boa
pétalas sobre o chão
música e melanina
Seu Pereira o cantor
Paraíba feminina
sim, sim senhor!
Edu Liguori
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Escondido atrás de um copo de uísque
tamborilava os dedos nervosamente
'que será será what will be will be'
tentava resolver aquelas dúvidas
sufocar a ansiedade que o cercava
(mais um dia normal na vida dele)
Não há nada mais sincero que o velho uísque
o malte carrega a tinta que alivia as nossas dores
(ou apenas uma aceitável desculpa entre os bêbados)
Que será será
depois que o gelo derreter
que o cigarro acabar
what will be will be
Edu Liguori
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