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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 051

O Amor entre o 5 e o 7

Não se dividem por outros,
mas sabem somar.

Colhem-se inteiros:
rio e margem;
cálculo exato da incerteza.

Dizem que são primos,
sem par…
E o amor se importa com isso?
Não cabe em parentesco,
não preenche formulário.

O amor não se desculpa por ser,
ainda que o mundo exija.
Rótulos, fórmulas, razão:
“Por que não simplificam?”
Mas amor não é cálculo,
não resolve lacunas.
É erro bonito que vira solução.

Perfeitos? Nunca foram.
Quem, de fato, quer ser?
O amor é sobra, é caco, é sorte.
É partir e voltar
sempre ao mesmo sinal.

E se alguém pergunta
se a união faz sentido,
respondem num riso,

desafiando a lógica:
“O amor é primo…

E primo é para sempre.”

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
Um dos meus poemas preferidos dele.
Toda a grandeza de @Albertobusquets!
Declamação em setembro de 2024
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 050

Despedida

Oco.
Vazio.
Um sopro. Frio.

Quase nada.
Um arrepio.
Uma lâmina na pele do dia.

Queria tudo,
queria mais.
Mas foste sombra,
eco,
vão…

Nem um olhar,
nem um adeus:
Partiste.
Rasgo no vento.

E eu?
Fiquei aqui.
No dentro do dentro.
No nunca.
Na fome de ti.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 049

Amor Psicodélico

Desaprende os mapas
desenlaça os fios da lógica
caminha torto
de pés descalços
na contramão do tempo.

Vento sem dono
tremor sem cura
arde em surto:
sol desobediente
na palma da mão.

Chove cor no peito
faz o coração dançar
sem música
sem chão
sem medo…

É dor que ri
loucura que brilha
vaga-lume bêbado de lua.
Deus menor
deslembrado de si
errante, errando
inventando morada.

Bate, explode
entre a carne e o cosmos
no exato lugar
onde se rasga e se refaz.

Pobre mente fria
atada a normas
engavetando explicações…

O amor é bicho faminto:
morde, lambe, fere, sara.
É sopro profano
saliva em cio
um grito preso
que escapa pelos furos
pelas frestas
pela imensidão.

Ou talvez nem escape.
Só fique ali,
respirando,
esperando fazer sentido.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 048

Fila do Pão

O cheiro dourado
passeia no ar,
quadro recém-pintado
por mãos invisíveis do dia.

O sol na vitrine
realça o vidro.
A fome brilha
entre o querer e o nada.

Na fila, cores e vidas:
olhos de café,
bocas de goiaba,
mãos de trigo,
sonhos de açúcar
e muito suor.

Eu,
entre paciências e risadas,
espero.

O pão ainda não veio,
mas o vazio
já pediu a senha.

Fecho os olhos,
pinto na mente o teu rosto.
Mordo tua ausência
antes mesmo do pão,
antes mesmo de saber
se haverá café
para me consolar.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 047

Leve

Sinto-me assim:
barco de papel
sobre lago sem pressa,
valsando ao compor do vento.

O sol me toca,
arde a pele:
lume suave,
incêndio manso…
jeito terno de amar
(amar a mim).

Anos a me perder de ser,
sepultei minha alma
em avalanches de culpa.

Metamorfose:
cansei de me sufocar.
Hoje sou leal a mim.

Fui raiz,
cravada na espera:
imóvel, funda, sem alarde.

Agora sou pólen.
E voo.
E voo...
E voo,
até onde o sonho me chamar.

Crs Ribeiro.
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 046

Rosa Fora do Tom

no meio das vermelhas
uma amarela

tão só
tão sem jeito
tão errada? Destoada?

Ventava pra ser vista
chovia pra crescer
abria o peito ao sol
mas ninguém a escolhia.

Até que um olhar
sem pressa,
sem lógica,
a acolheu:

“nem ouro, nem prata
nem rosa qualquer:
para um amor assim raro
uma flor que também o é.”

E a rosa entendeu:
não é falta ser diferente.

Ser única
é o jeito mais bonito
de ser.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 45



Meu Gozo

Começa no teu olhar:
lâmina afiada
rasga-me devagar
saboreando a própria fome.

Tua língua
lufada quente
desfolha minha pele
toma, exige,
não pede licença.

Árvore em cio
explora cada fresta
disseca segredos
saliva minha boca
até que eu me renda.

Teus dedos
raízes rebeldes
escavam, invadem
com a precisão de quem vive o vício
o tormento de ser o toque.

Fazem de mim terra úmida
fértil ao plantio.

Desidrato
fraquejo, cambaleio.
Arrancas-me do chão
desapareces entre minhas coxas
desfazes-me
gota a gota.

Bebo-te
deixo me beber.

Levantas o rosto
olhar de predador
bicho que não se satisfaz.
Lábios úmidos
marcados de mim.

Puxo-te de volta
sugo, mordo.
Sinto meu gosto em tua boca
tua marca de posse
tatuagem que arde na língua.

Quero ver-te derramar,
meu nome escapando rouco
de tua garganta
quantas vezes couber em nós.

E, em cada espasmo teu,
reinvento o prazer e o castigo
porque sabes:
não há redenção
sem pecado.

Crs Ribeiro
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