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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 094

Tudo em mim é teu

Procuro as mais belas palavras,
as mais delicadas,
para lhe oferecer.

Percebo, encabulada,
que cada uma delas
já pertence a você.

Decido pelos sorrisos mais lindos,
os mais sinceros,
para lhe agradecer.

Novamente constrangida,
noto, enternecida,
que só brotam
ao te ver.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#093

Quero ser o que sobra.
Aquilo que transborda.
O que te faz inteiro em mim.

Quero sentir sem medida:
Ser abrigo. Ser pele.
Meu corpo colado ao teu.

Sonho sem agonia.
Amor sem solidão.

A todo instante:
Você.

Aqui.
Agora.
Ao alcance da mão.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 092

O encontro inesperado:

um elogio,
um cumprimento,
um apreço…

E o peito?
Sorriu, satisfeito!

O olhar curioso,
a atenção sem medida,
o afeto,
a urgência.

Ah, a urgência!

Vontade sem fim de estar perto.

Suas mentes faziam amor
a cada toque de suas palavras.
Seus corpos dialogavam aflitos,
ardiam no desejo que os percorria.

Tudo se harmonizava:
Ela, a luz que ele merecia.
Ele, fogo ardente e sua calmaria.

Um imaginava, o outro respondia.

Sorte? Acaso? Sincronia?

Nomear era irrelevante.
Nada alterava o fato
que nenhuma ciência refutaria:

A existência de uma falta.

Ardida, sentida, dolorida.
Do que apenas era,
(ainda)
uma promessa…

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 91

Seres errantes, pedaços soltos.
Costuram no outro o que lhes falta.

Sonham um amor inteiro, exato.
Mesmo que a linha seja de névoa.

Lançam-se cegos na febre do encontro.
Bocas sussurram promessas de cura.

Ilusão?

Delírio?

Ou
          só
             mais
                  um
                        tropeço
                                       bonito?

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 90

Espiralante

Nômade do orvalho,
pegadas de prata
no caminho.

Poeta da lentidão,
esculpe mundos invisíveis
na terra úmida.

Viaja sem pressa,
sem testemunhas,
um suspiro de sombra
entre folhas.

Nas costas,
a espiral do tempo:
casulo de cal,
refúgio e destino,
diário de voltas
e recomeços.

Na noite fresca,
desliza:
mole, silencioso,
ancestral.

Seu casco frágil:
escudo e fardo,
prisão e abrigo,
segredo que pesa leve.

Sob o sol,
vira silêncio.
Fecha-se em si,
aprende a espera.

Busca graça no caminho,
enquanto se dissolve na luz.
Deseja chegar

Mas sabe que
chegar
é só um jeito bonito
de continuar

Indo…

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 088

Ainda mora em mim
uma menina:
desajeitada, distraída,
cheia de céu nos olhos.

Dança sem razão,
só porque sim;
fita o voo dos pássaros,
sussurra segredos às flores.

Mergulha fundo,
deixa o sol tatuar
lembranças na pele.

Uma menina que espera
(sempre espera)
que a vida traga rostos novos,
a conduza a mundos intocados
e a embriague com sabores
que explodem na boca.

Cheiros, toques, tudo que arrepia…

Vibra com um “oi” de repente,
com o nada embrulhado num laço,
com a esperança teimosa
de que o mundo pode ser bom,
se cada um entregar
o que tem de mais bonito.

E ela ri, ri alto,
chora sem medo de borrar,
não esconde o que sente
(nunca aprendeu essa parte).

O tempo passa,
mas ela ainda brinca
na calçada onde os dias escorrem:
descalça,
solta…

Sem pressa de crescer.

Crs Ribeiro

****Revisado
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 087



Entre Sol e Sal

Imenso, azul, espumante
ansioso por engolir.

Fulgurante, ardente, impiedoso
devorador de pele e sombras.

Amantes vorazes!

E ela, ali, na areia
voyeur à espreita do casal libertino.

Seria justo assistir sem arder?
Os olhos denunciam:
febre, ânsia, entrega.

Os pés afundam,
o corpo cede.

Um mergulho lascivo
arrepiando a pele.

Ali se dissolve…

Nas investidas impetuosas das ondas
nas carícias atrevidas da brisa
no domínio implacável do sol.

Esquece-se de que não se dobra.
Abre-se inteira
não quer ser poupada.

Gotas desprendem dos cabelos
serpenteiam pelo pescoço
cirandam o seio teso
descem famintas ao umbigo
despedem-se
onde deveriam fazer-se de línguas.

E então vem:
sem toque
sem trégua
sem perdão.

Um sismo intenso, cruel, redentor.
O gozo escorre salgado.
O riso explode trôpego.

A alma, descalça
caminha vitoriosa
exibe seu êxtase
sobre as águas.

Crs Ribeiro

***Revisado
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 086

Os olhos,
mais que os lábios,
falam no silêncio:
sussurram o que a boca
não ousa dizer.

O sorriso na foto,
cheio de promessas,
não se sustenta,
despenca
quando os olhos
não são fiéis.

Guardiões do além,
contam histórias
sem começo ou fim.

Revelam segredos
que a língua teme tocar,
ainda que a gente tente calar.

São delatores sem voz,
X-9s da alma,
cagoetes da essência.

Entregam o que somos,
sem piedade, sem fuga.

E o preço disso?

A verdade, meus caros,
desnuda e crua,
como o chão sob nossos pés.

Sem adornos,
Sem ilusões.

Crs Ribeiro

***Revisado
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@CrisRibeiro
há 11 meses
Público
#Desafio 085

Inimigo à Meia Luz

Um rosto partido
no vidro trincado da alma.

Sombra muda
voraz por calcanhares incautos.

Serpente de olhos abertos
nunca dorme, nunca cega
nunca cede.

Vigia.
Vigia.
Vigia.

Cruel, impassível.

E eu danço
à beira do erro
na estação do último trem
que não vem.

Esmaga.
Sufoca.
Sangra.

Obriga-me a voar mais alto.
É pedra que ensina
a raiz a resistir.

No espelho embaçado
um vulto que não se apaga.

Sou eu? Ou sou outra?

Ele ri.
Já sabe o meu nome.

E, ai de mim!
Sei bem
quem ele
é.

Crs Ribeiro
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