avatar
@Cilene há 8 meses
Público
À Distância de um Olhar Ela tocou a taça no queixo porque precisava do toque. O vinho tingia o cristal como um presságio. Os olhos dele, mesmo do outro lado da tela, tiravam suas roupas com mais precisão do que mãos ousadas. “Você sempre me põe alguma vontade”, ele dissera. “Qual a de hoje?”, ela provocara, já imaginando que leria uma boa resposta no calor que subia pelas coxas. A mensagem chegou como um sussurro que atravessava o vidro: “Começa com mergulhar os dedos na tua taça, depois na tua boca, te olhando os olhos de muito perto.” Ela sentiu a boca se entreabrir, não pela surpresa, mas pela antecipação. O dedo úmido do vinho poderia ter sido dele, roçando seu lábio inferior, empurrando devagar para dentro, como quem oferece um segredo para ser guardado entre dentes e saliva. “Essa carinha de reação é bem como pensei a sua boca mesmo”, ele completou. Ela respondeu com um “hmmmm”, mas seu corpo inteiro falava outras línguas, outras urgências. E então ele afundou mais fundo nas palavras: “Se viesse um gemidinho assim, iriam também outros dois dedos na tua boceta, sem tirar os da tua boca e ainda te olhando os olhos de muito perto.” A cena se desenhava perfeita em sua mente — os olhos fixos, os dedos orquestrando uma dança entre lábios e carne pulsante. Ela respondeu com um arrepio e uma confissão: “que cena perfeita.” E ele seguiu, sabendo que já não havia como parar e nem queria recuar: “Os dedos todos e os olhos todos continuariam, até você gozar. Sem outro toque, sem mais proximidade do que estar perto, te olhando e tocando a boca e a boceta por dentro.” Ela adorou a maldade dessa ideia, mas desafiou: “Será que consegue? Ficar longe?” “Consigo”, ele disse. “A visão do teu corpo a essa curta distância e os teus movimentos… Eu seria capaz de te olhar assim muito tempo. Mas nem acho que seria preciso tanto tempo até você gozar.” “Não, não seria”, ela admitiu mais rapidamente do que deveria. E ele concluiu como quem sela um feitiço: “O movimento do teu quadril, bicando nos meus dedos. Aqui, só a construção da cena me põe vontade de um gozo. Imaginar também o teu corpo ao ler, aumenta minha vontade.” Ela fechou os olhos, imaginou o tamanho e a dureza da vontade, sendo empurrada para dentro de si. E isso arruinou qualquer chance de um minuto a mais. Gozou com força e vazio. Sem vergonha e sem pele. Ali mesmo, entre letras, vinho e desejo teleguiado.

Comentários (2)

@CrisRibeiro · há 8 meses
Arrasou!
@robsonmachado · há 8 meses
Simplesmente extraordinário 👏🏾👏🏾👏🏾❤️‍🔥
Entre para comentar.