@cainafarias
há 10 meses
Público
Segui pelo caminho de arbustos, ervas daninhas e espinhos. Encontrei calcário, barro, pedras azuladas e, no fim do riacho que descia a colina, vestes perdidas.
Por dez segundos, olhei um segundo para cada perímetro em busca de encontrar um movimento entre as plantas.
Algo se mexeu, me senti mexido, afoito, ofegante, curioso.
“Quem poderia estar ali?”
Mesmo se tentasse não fazer zoada, o barulho da floresta faria por mim. O vento sussurraria a chance de acontecer algo de errado no meu ouvido, mas alguém poderia ter se perdido. Como eu poderia não fazer nada?
Cauteloso, de mãos vazias, parti em direção ao barulho, segurei forte uma mão no galho à frente e a outra apertei os sentimentos na tentativa de não me fazer desistir.
Até que vi uma pequena mariposa do tamanho da minha mão surgir por de trás do caule de uma árvore. Não era nada.
Se algum dia o meu peito não via sentido em existir, essa foi a primeira vez que entendi o que é se sentir vivo.
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