@tiagoandreatto
há 11 meses
Público
Algo me diz que a gente é foto, tipo polaroid,
Que não se apaga totalmente, mas desbota
E vai amarelando e ficando, aos poucos, irreconhecível
Como aquele VHS velho, com a fita, magnética, toda avacalhada
A imagem, ali gravada, distorce à tela, distorce a vida
Que um dia foi e agora é só mais um “não era”
O metal evaporado contamina o ambiente fechado
Enquanto inalamos produtos tóxicos por todo o lado
O mundo não tinha acabado, mas estava acabado
Quando inventaram um novo modo de guardá-lo
Modo instantâneo, disseram, tomou conta de tudo
Tornamo-nos instantâneos, fajutos, descartáveis
Um reflexo nas fotografias que queríamos guardar,
Bem mais próximos de um retrato do que gostaríamos de esquecer
>> Polaroid
Comentários (1)
@MarU
· há 11 meses
O quanto eu me leio nos seus textos, não está escrito. (Mas está!) Amigo, que prazer ler você voltando com seus poemas lindos, reflexivos, que sempre me fazem pensar sobre temas tão profundos e desta forma tão linda, em poesia. Te admiro tanto! 🥹❤️ Espero que continue lutando e deixo aqui, como fã do seu trabalho, o registro: Se vir o seu lado poeta seresteiro, avisa que eu mandei um “Olá!”.
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