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@tibianchini há 1 ano
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1986 ( @andreajguesse , seu poema me lembrou deste, que fiz há muito tempo... Obrigado pela lembrança e pela nostalgia, espero que goste) Hoje o sol brilhou mais forte; Olho a janela e lembro de uma manhã de 1986. O céu azul de 86, o domingo de férias, A manhã quente e sem barulhos de 1986. Parece que vou ligar minha TV na sala, Minha Telefunken de 14 polegadas, Para assistir à Fórmula 1 E ver o Piquet ganhar e o Senna chegar em terceiro. Depois vou subir no andar de cima do prédio, Comer a macarronada da vó e assistir ao Silvio Santos - Ela adorava o Silvio... E quem sabe, de noite, Tia Cida aluga um VHS pra gente ver, já que só ela tem videocassete. E, nesta manhã de 1986, Vou sentar à mesa e sujar a toalha azul Ao derramar guaraná Brahma sem querer... Mas mamãe não liga, porque sou criança ainda. E papai hoje está em casa, E vai sentar no sofá de vime comigo e me mostrar Aqueles livros todos que ficam no alto e não posso pegar sempre E me contar do Cometa Halley, que vai passar por aqui em breve. Descer na padaria da esquina e comprar um sorvete Yopa, Porque faz muito calor aqui em 1986, E jogar bola no estacionamento da frente, E jogar Atari até de madrugada. E o Sarney vai aparecer na TV, anunciando outro plano E depois mudar de novo o nome da moeda, Mas tudo bem, depois vou ver futebol, Com aquela seleção maravilhosa de 1986. E olhar na janela para ver o movimento, Meninas nas ruas com lenços no pescoço, E roupas coloridas, e calças largas Voais da moda de 1986. Mas a vida é de uma mão só: O Senna morreu, a Vó morreu, o Zico já não joga... E os lenços nas ruas, e as roupas coloridas Já nem lembram uma moda que não existe mais. Hoje o mundo é de barulho, é de internet, É de black blocks e não de Diretas já. É de carrões importados e coreanos E não dos Fuscas e Brasílias e Escorts de 86. Hoje as fotos não existem senão em pixels, Que só vemos em telas de cristal líquido: Onde foi parar aquele clicar e ficar na angústia, Esperando para revelar e ver se ficou bom? Onde foram as cores infinitas das fotografias, As cores bregas e berrantes das camisetas? Onde foram os encartes das revistas, os jornais impressos As paredes cor cáqui e as geladeiras vermelhas? Não foram; ficaram. Em 1986. Nunca saíram de lá; nós é que saímos, Para continuar a vida e a evolução das coisas, Nesta marcha sempre em frente de um trem chamado Tempo.

Comentários (2)

@CrisRibeiro · há 1 ano
Muito bom! 👏👏👏
@andreajguesse · há 1 ano
Fui tele transportada , a tv telefunken com amadeirado, e eu sendo o “controle remoto” da família. (Até desenhei isso uma vez!!! ) Em 86 era uma criança com pezinho na adolescência e tudo que você cita foi marcante na minha vida, obrigada pela ressurreição das minhas lembranças!
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