@Cilene
há 1 ano
Público
Adiantei o pedido: uma água com gás, dois copos com limão fatiado e gelo.
Ele chegou. Pedi dois expressos sem açúcar.
Nos cumprimentamos como dois cotovelos adolescentes: ossudos e desajeitados.
Meu rosto quase ofereceu a boca. O hábito, às vezes, é mais forte do que a vontade.
Ele olhou para os nossos copos com olhos tristes.
- Você está bem? - dissemos ao mesmo tempo e sorrimos olhando para baixo, sem mostrar os dentes.
- Você primeiro. - Meneou com a cabeça.
- Tudo indo. É estranho. - Respondi.
- Eu também, muito estranho. - Ele tomou a vez.
Fiquei em silêncio. Tomei a água toda. Troquei a cruzada de pernas.
Coloquei a pasta com os papéis sobre a mesa. Peguei uma caneta na minha bolsa e levei a mão ao papel.
Ele a segurou. Olhei para nossas mãos juntas, senti o calor tão familiar… apertei a palma de sua mão com as pontas dos meus dedos, olhando para ele. Olhei de volta para as mãos, balancei a cabeça negativamente, com pesar.
Assinei e passei para ele o papel e a caneta.
Ele assinou olhando dentro dos meus olhos, sem olhar para o papel.
Não precisei piscar para as lágrimas rolarem dos meus olhos.
Levantei.
- Obrigada. Beijei-o na bochecha demoradamente.
- Já vai? Não tomou seu café! Ele alertou-me.
- Esfriou.
Eu saí. Olhando para trás, ele me assistia ir embora. Pensei que, assim como o café, se a gente deixar, o amor também esfria.
Comentários (2)
@CrisRibeiro
· há 1 ano
Arrasou!👏👏👏
@rodrigosantos
· há 1 ano
Que senhor texto...
Me vi sentado na mesa, olhando a folha e pensando se deveria assinar
Parabéns
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