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@mariadriano há 1 ano
Público
A Dona Morte estava cansada. Quantas vidas já havia levado durante toda a eternidade? Algumas tão fáceis, outras difíceis demais. Resolveu observar; entender o porquê disso. E percebeu que a chave estava nos hábitos. As vidas sedentárias, com maus hábitos alimentares e vícios de todos os tipos eram as mais fáceis de tirar. Então, para facilitar seu trabalho, começou a divulgar. Usando as redes sociais, postou vídeos viralizantes ensinando como viver "melhor". Logo fechou um contrato milionário de "publi" com uma grande indústria de alimentos. Salgadinhos, bolachas recheadas, refrigerante. Tudo cheio de açúcar e sódio, do jeitinho que a Morte gosta. Se dedicou tanto ao novo trabalho de influencer que esqueceu que, sem seu trabalho de levadora de vidas, nada faria sentido. Todos começaram a segui-la, venerá-la. Comeram o que queriam, as academias fecharam, as drogas se tornaram tão populares quanto a Morte. Depois de um tempo, os seguidores da Morte começaram a adoecer gravemente, mas sem a esperança de um fim que os tirasse daquela tortura.

Comentários (2)

@MarU · há 1 ano
Genial, Mari! Realmente, seria um martírio e ao mesmo tempo é viceral pensar nisso. Não somente os “bons” nunca morressem, mas os “maus” os enfermos terminais. Realmente, fico no dilema egoísta de querer a todos poupar vida, mas reconheço o papel da finitude no equilíbrio da vida. Maravilhosa! Adorei.
@tibianchini · há 1 ano
Que ótima premissa para um livro! O texto em si já é espetacular, mas... Você vai nos presentear com um livro desses? 😍
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