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Tiago Bianchini Fidalgo

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30/0518:38
Poema para quem tem fôlego

(Considerem essa a minha estreia no SEXXXTOU... E espero não decepcionar 😇)

Eu, sentado.
Ela, no meu colo, senta.
Ela, de imediato, sente.
Pele com pele, sem tecidos obstruindo,
Sem barreiras.

Calor do corpo.
Do meu, do seu.
Embaça os óculos - ela os tira
Só precisa me ver
Com os olhos do desejo.

Molhados. Eu, de suor,
Ela, de tesão.
Escorrega, mas encaixa.
Sempre encaixa.

Seus seios, fartos e ofegantes,
Envolvem meu rosto:
Também eu não vejo mais nada,
Só a maciez da tua pele e do teu cheiro.

Sobe um pouco, desce um pouco
De leve devagar cadenciado
Respiração começando a pesar
Como o teu corpo pesando
no meu rígido membro em chamas

Em chamas
Ele se afoga em ti.
Molhado, mas em chamas.
Vai-e-vem, te acariciando por dentro.
Uma serpente a te dar botes e te envenenar.

Meus dedos passeiam de leve
Eriçando seus pêlos e mamilos
Sentindo sua pele se arrepiar
Quase sem tocar.

Escorrega. Prazer demais
Mel demais.
Um pouco mais forte, um pouco mais
Intenso a cada instante.

Não há pressa, mas há urgência
Em beijar teu corpo, e perceber
Teus lábios semi-abertos
Teus olhos semi-fechados.

Minhas mãos não querem parar:
Te leio como se fosse em Braille:
Tua pele cheia de pontinhos arrepiados,
Dizendo: "Me come gostoso"

"Me come, gostoso!"
"Gostoso!"
Me come com os olhos, com a boca em cima em baixo
Me come de todas as formas possíveis.

As palavras vão saindo, à revelia:
Não são mais seios, membro, ânus:
O decoro exige "bunda, cu, pau, peito".
A ocasião exige palavras de gala.

"Foda-se o decoro", penso eu.
"Foda-me gostoso", diz você.
A mesma língua, o mesmo
Vocabulário acadêmico,
Onde imperam os "Ah!s" e "Uh!s".

Meus lábios se incendeiam no teu peito,
Minhas mãos passeiam pela sua bunda,
Meu dedo roça no teu cu.
"Posso?", penso.

E então, sinto você estremecer
Prender a respiração, travar de leve
E sorrir e mexer e me agarrar o pescoço:
"Posso!", penso.

Cabeça para trás, a sentir a minha invasão
Meu dedo atrevido onde não deve
- Ou deve?
A aumentar a velocidade e intensidade
Da montanha-russa de emoções e sentidos.

Mergulhado na intensidade da sua Xana,
Envolvido no aperto do seu rabo
Mordiscando de leve seus biquinhos aguçados,
Me sinto seu e sei que és minha, ao menos agora.

Volúpia. Urgência. Afoita e entregue,
Rebola e arfa, e esfrega, e geme...
Envolvo em minhas mãos os seus cabelos
Seguro sua nuca, puxo pra mim.
Toda pra mim.

Tesão. Insustentável. Incontrolavel.
Interminável.
Sinto suas unhas de afundarem nas minhas costas
E um gemido de gozo e contrair da espinha
E uma travadinha de leve na pelve,
Como a não deixar que eu saia de lá de dentro.
Músculos tesos que se contraem.
Movimentos voltando ao normal,
Mais leves e frouxos e repletos de satisfação.

Olhas para mim com um sorriso bobo:
"Acabou comigo", me diz, sussurrando.
Deixa seu corpo relaxar sobre o meu,
Mas eu, ainda duro e sedento, dedo enfiado lá atrás,
Respondo: Não... Ainda não acabei...
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22/0507:22
A Vó Maria
(Acordei esta manhã, vindo de um sonho do passado. Travesseiro molhado pelas lágrimas da saudade. Então, nostálgico, me lembrei desta crônica. Às vezes a emoção é algo que apenas nós sentimos; talvez para quem a ler pareça uma crônica simples, palavras organizadas e estruturadas. Uma historinha comum. Mas, pra mim, não é... Então, esta vai para quem quiser ler, com emoção)

A VÓ MARIA

O tempo passa para todos, com a sua implacável indiferença...

Lembro das ruas perto da casa da vó, que a gente subia correndo quando ia visita-la (mas não correndo muito na frente, pra não se perder). As lojas e casas antigas, a padaria na esquina, os muros de cimento chapiscado.
Tudo lembrava passado, tudo lembrava dias de sol. Lembrava infância.

E hoje, quando vejo os primos, é tão difícil entender como pôde ser isso!... Uns casaram, outros têm filhos, outros já casaram de novo!... Para onde foram aqueles dias, aqueles dias de sol, brincando no quintal da vó, tomando cuidado para que a bola não batesse nas flores...

Ah, as flores da vó!...

E, de repente, parece que tudo ainda está ali: que amanhã vai fazer sol e calor, e que a gente vai lá na vó brincar com os primos e primas, correndo pelo corredor e subindo na mureta do poço, se sujando no chão de cimento quebrado... E que a vó vai aparecer na porta da cozinha, pedindo para que a gente venha almoçar e que pare de bagunça (porque, às vezes, nós merecemos uma bronca mesmo).

E a gente vai se sentar em volta da mesa, naquela cozinha enorme, com aquela vó enorme (sim, porque nós éramos muito pequenos ainda...) e comer cantando, atrapalhados pelos latidos do Toquinho, o cachorro da tia que morava na casa ao lado.
Hoje eu olho para os filhos dos primos, para os bisnetos todos da vó, e fico imaginando quem os chamará para comer, quem irá ralhar quando eles sujarem a roupa do varal, quem os porá para dentro porque vai chover... Eu os vejo brincar, correr, reencontrar os outros primos que moram longe, e fico pensando se não posso correr com eles também, “vamos brincar, vem me pegar, tá com você!”

Aquela casa minúscula, no fundo do quintal, às vezes escura, mas cheia de vida, já não vai mais me levar ao passado. Ao tempo que eu podia abraçar a vó e tomar café e lembrar que era criança. Ao tempo em que a gente botava grãozinhos de feijão no algodão, prá umedecer e ver brotar a vida. (Ah, se a gente pudesse fazer brotar a vida de quem amamos tal qual um feijãozinho, só com um pouco de algodão e água!...)

E, apesar de saber do sofrimento da vó nos últimos tempos, apesar de saber que ela finalmente vai poder descansar, choramos todos, por saber que ali está o destino de cada um de nós, por saber que assim é, que não há dias de sol nem grãos de feijão que resistam ao tempo, ah, o tempo, esse trem que passa, inexorável e indiferente.
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21/0516:38
Sonho de Maio
Poemas Antigos 007

(Mas acho que perdi a conta...)
(E nem percebi que, sim, estamos em maio... mas esse maio é mais antigo)

**Sonho de Maio**

Um dia me verás com os olhos d'água
transbordando de tristeza minha mágoa,
pra que jamais ela volte a me assustar;
e neste dia, calmo e delirante,
terás em mim o seu melhor amante,
o seu amado, o seu amigo; o homem certo pra te amar.
Sim; me terás inteiro em tua fina
e perfumada pele de menina
onde a saudade já não existe mais;
ora, que se hoje de saudades canto,
amanhã enxugarei teu pranto,
pra que não voltes a chorar jamais.

Tola sina, vaga de certeza;
se não encontro hoje em tua frieza
um só motivo que me faça desistir
de afagar os teus cabelos morenos,
e me ajoelhar ante os pés pequenos;
o que me resta apenas é prosseguir
a clamar pelo amor que eu sei que existe,
e se hoje, ao dizer não, me deixas triste,
não me entristece mais porque te adoro;
e diante de tão fútil negação
perceberás que não adianta dizer não
se mesmo sabes que dentro de ti 'inda moro.

Talvez por isso seja eu tão renitente
em alcançar de alguma forma o beijo ardente
que dos teus lábios me parecem seduzir;
para que mesmo depois de o Sol se pôr
possa provar com carinho o teu sabor,
e que a doçura em mim possa refletir
o teu olhar, que por mim irá brilhar,
e mais e mais, quando em meus olhos se inspirar.
E que a Lua, nesta madrugada quente,
venha roubar desta tua luz maravilhosa
com reverência, pra que brilhe, majestosa,
iluminando o nosso céu eternamente.

E se, por ora, idolatrando-te destarte,
Lhe paire a dúvida de que sempre irei amar-te,
não cegue os olhos com injúria tão cruel:
apenas deixe transparecer na retina
que és minha musa, minha inspiração divina;
és minha aura; és minh'alma; és meu céu.
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19/0513:55
A fábula das cordas
Poemas Antigos 004

🔴 Violino
🟠 Cello
🟡 Viola
🟤 Cello e Viola juntos

A fábula das cordas

🟡 - Responda, violino, onde vais tocar,
🟡 Assim, deste jeito, a nos deixar sem fala?
🔴 - Minha pobre viola, subirei no altar
🔴 E serei o centro, e serei o spalla!

🟠 - Mas, diga, violino: o que vais tocar
🟠 Para alegrar esta manhã triste?
🔴 - Meu súdito cello, tocarei eu Bach
🔴 E tocarei Mozart, e tocarei Liszt!

🔴 E serei xodó de Vivaldi, e tanto
🔴 Que ele, a mim, confiará sua primavera;
🔴 E despertarei, ao mundo, tal encanto,
🔴 Que haverão canções como nunca houvera.

🔴 Mas tu, minha irmã, se isto a consola,
🔴 Tu nunca serás, nesta vida, spalla;
🔴 1Nem nunca terás, singela viola,
🔴 Nem frase e nem palco onde possas tocá-la.

🔴 Ao passo que tu, meu simplório cello,
🔴 Jamais saberás o que é estar à frente;
🔴 E nem o que é puro, e nem o que é belo,
🔴 E não sentirão tua falta, se ausente.

🔴 Mas, eu, terei sempre os portões abertos
🔴 E receberei de todos as palmas
🔴 E emprestarei meu nome a concertos
🔴 E tocarei solos, e tocarei almas.

🟠 - Pois quanta arrogância há no teu agudo!
🟠 Meus graves jamais gostariam de sê-lo;
🟠 Voz esganiçada! Antes fosses mudo!
🟠 Saibas tu que muito me orgulho em ser cello!

🟡 - Teu grande defeito – deves percebê-lo! –
🟡 É teu timbre tosco, que cansa e que amola:
🟡 Minha voz é um veludo, e, tal como o cello,
🟡 Também eu me orgulho em ser uma viola!

🟤 Agora vai, anda! Vai tocar teu Bach!
🟤 Estoure as suas cordas, meu caro menino!
🟤 Pois sem nossa ajuda, ninguém ouvirá
🟤 O som fraco e tosco d’um reles violino!
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