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@MarU há 11 meses
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#Desafio 76 *Sonhando* Sigo, Compondo poesia, Inspirada em você. Sonhando o sonho Que nunca irei viver. Derramando, Palavra a palavra, O que jurei esquecer. Não posso, não quero… Este sonho Me ajuda a viver. MarU
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@literunico há 11 meses
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Tomem esse choque de capa incrível! Nova capa da @fksilvain para a versão física de Carícias Sob o Céu.
@fksilvain · há 11 meses
Ficou lindaaaaaaa 😍😍😍
@MarU · há 11 meses
Que lindaaaa! Da vontade de escolher o livro pela capa. Apesar que já li dois da maravilhosa autora, em outro pseudônimo dela e já sei que é uma escrita deliciosa, a capa faz jus. 👏👏👏❤️❤️❤️
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@ellen há 11 meses
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"O mundo pode estar em silêncio, mas isso não significa que ele esteja vazio. Cada sombra tem uma história, cada ruína guarda uma lembrança, e cada instante é uma nova página à espera de ser escrita." ✨
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@wilcipolli há 11 meses
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Espelho, espelho meu O tempo passa, firme, inexorável, no espelho, a face se transfigura. Espreita o vidro, olhar interrogável, buscando a juventude que foi pura. A bruxa indaga ao vidro tão cruel, se ainda reina, jovial, sua nação. Mas vê no rosto um traço mais fiel, um sulco fundo em lenta erosão. Desperdiçamos quando ainda jovens, segundos raros que não retornam. A eternidade não serve aos homens, que de tique, em taque, evaporam. Jamais pedimos para aqui nascer, mas suplicamos para não perecer.
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@purapoesia há 11 meses
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sinto muito, apesar de tudo sentir é uma alforria ante o açoite diário os donos do mundo vetam o afeto sê frágil feito vidro caco fere se preciso sê límpido feito vidro peito aberto, sangria batimento em galeria inda não somos ossos é frágil a pedra, o aço é forte a pétala, a água a rosa desarma a bomba a nascente não desanda deixa escorrer teu sangue vence a sede vampírica vence os hematófagos deixa o rubro inundar tu, o outro, a metrópole a seda cortine os entulhos os monolitos titãs matando apolo inda há afrodites, apesar de tudo inda há cores britando escorra o rio sal horizonta o branco foz na face erupciona se couber escreve carta cursiva cola dois verbos põe em ti a peça restante fuja da carne toda a flora desmatada toda a fauna enjaulada.
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@JuNaiane há 11 meses
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"Está tudo bem" disse eu, ao ser indagada por aquela voz amada, preocupada. Tentei me convencer— o caos encontraria ordem, e tudo em breve, se alinharia. Entrei no banho, deixei a água levar o peso, afinal, a rotina chamava. Então fui, ao ritmo das manhãs preguiçosas, daquela impiedosa segunda-feira. Mas ao olhar no espelho, ele riu de mim. Mostrou-me as olheiras inchadas, o cansaço latente. "Sério? Tem certeza que está bem?" Me encarei por um instante. Não havia como fingir: eu não estava bem. O espelho é cruel, e os olhos não mentem. Jusley Naiane #desafio 80/365
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@CrisRibeiro há 11 meses
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#Desafio 076 O intenso sente no direito e no avesso, em cada dobra da alma. Dói fundo, rói os ossos arde o travesseiro, cala a fome. Explode sem freio: é muito, é demais e ainda falta espaço. Mas quando transborda, a luz entorpece e o mundo dança. A manhã invade a janela prisma insano de cores, melodia que ninguém ouve. Seja flor, poema ou um bom dia perdido na rua… tudo é motivo para rir até doer. Não há meio-termo. O morno é morte em prestações. E a vida, se não for para sentir, vira o quê? Esquina vazia, silêncio sem eco. Cr💞s Ribeiro
@CrisRibeiro · há 11 meses
Tomara! 🥲💞🌹
@Albertobusquets · há 11 meses
A intensidade de quem sente com o espírito é a estrela mais linda na noite do mundo 🥹💞
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@literunico há 11 meses
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 76 - Fale sobre um livro que narra a história de um personagem circense. #Link365TemasLivros
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@Albertobusquets há 11 meses
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Amanhece. Respingos de chuva em minha janela. Um bom café fumegando, Um ronronar do gato, vestir uma roupa a contra-gosto, E enfrentar os compromissos. Hoje, quisera eu ser o gato. manteria-me à janela, com o respingo da chuva e alguns raios de sol, Olhando aquele homem apressado entrar num carro e ir embora. Pularia para a cama, aninhando-me à bela adormecida e esqueceria do mundo. Aliás, que mundo? Alberto Busquets #Desafio 076
@CrisRibeiro · há 11 meses
Que bela adormecida?
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@eduliguori há 11 meses
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Manhã nublada dez horas de sono só eu e eu o café e um cigarro mesmo em um quintal com cara de bosta as telhas molhadas ainda são poesia Edu liguori
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@literunico há 11 meses
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Bom dia! Palavra do dia: #𝔼𝕊ℙ𝔼ℝ𝔸ℕÇ𝔸 Frase do dia: "A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar." — Elis Regina, na canção O Bêbado e a Equilibrista Datas comemorativas de hoje, 17 de março de 2025: Dia de São Patrício Dia Internacional da Marinha Dia Nacional do Mel Aniversariantes: Elis Regina (1945-1982) #elisregina Kurt Russell (1951) Rob Lowe (1964) Jair Oliveira (1975) Sérgio Malheiros (1993) Hoje celebramos o que seria o 80º aniversário de Elis Regina, uma das maiores cantoras do Brasil. Diversas homenagens estão programadas pelo país para relembrar seu legado.
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@calorliterario_ há 11 meses
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A dor me acordou antes do sol. Não foi um chamado abrupto, desses que fazem o coração disparar no susto. Foi um toque insistente, como alguém que sabe que não deve estar ali, mas também não vai embora. De olhos ainda pesados, tentei ignorá-la. Rolei para o outro lado, puxei o cobertor, fechei os olhos com força, como se isso fosse suficiente para convencê-la de que não era bem-vinda. Mas a dor tem paciência. Sabe esperar. Sabe sussurrar no escuro até que a gente não tenha escolha a não ser escutá-la. Ela não veio do corpo. Ou talvez tenha vindo e eu só tenha aprendido a senti-la de outro jeito. Sei que estava ali, pulsando no peito, nos pensamentos, no espaço vazio ao lado. Sei que era antiga, mas também nova. Uma dor conhecida, vestida com outra roupa. Levantei. Senti o chão frio nos pés. Caminhei pela casa em silêncio, como se não quisesse perturbar as coisas que ainda dormiam. A cidade ainda não existia por completo. Havia só o silêncio, cortado aqui e ali pelo som de um carro distante, o barulho de árvore que o vento tocava. A dor caminhou comigo. Não me disse nada. Apenas ficou. E eu, em vez de expulsá-la, fiz café. Sentei-me com ela. Olhei pela janela. Esperei. A dor me acordou antes do sol. Mas eu, pela primeira vez em muito tempo, não tentei adormecê-la. Estou cansada até pra isso, mais tarde uma agenda cheia de compromissos e eu já pensando em como de desvencilhar de todos de uma única vez…. Agora aqui às 03:15 acordada com a dor.
@JuNaiane · há 11 meses
🥺🫂
@wilcipolli · há 11 meses
Fiquei ansioso para descobrir qual era a dor, e no final, nem importa.
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@fksilvain há 11 meses
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 73 - Fale sobre um livro da literatura inglesa. Por mais que eu revirasse minha memória atrás de livros que li e que são de autores ingleses, não fui capaz de lembrar de mais alguém além de Shakespeare. Li Macbeth atraída pela fama de peça maldita. Gostei muito na época e não lembro nada agora (como aconteceu com muita coisa que li depois de adulta. Incrível como a leitura na infância e adolescência marca). Quem sabe seria legal reler? #Link365TemasLivros
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@josimary184 há 11 meses
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Livro: Nada além de nós - Simony Peres Uma mulher de fibra que deixa tudo para trás em busca de seus sonhos. Trata-se de um romance que se passa nas cidades de Olinda e Rio de Janeiro, da autora Simony Peres, que mora em Fortaleza e ama livros. Essa leitura chegou até mim por um grupo de Leitura Coletiva. Que grata surpresa! O livro conta a história de Lolita, a garota de Olinda, filha do prefeito e noiva de Murilo, o filho de um oponente político de seu pai. O noivo, ao saber de sua gravidez, não dá o apoio que ela esperava. Ela conhece Eduardo, um turista carioca, que está de casamento marcado com Bárbara. Ambos estão noivos, porém algo muda dentro deles que pode afetar seus compromissos e transformar suas vidas. Essa história tem tudo para dar errado. Mas a gente fica torcendo para dar certo. Até porque Lolo e Edu são apaixonantes. Sem dar spoiler, devo dizer que Lolita enfrentará grandes desafios na cidade maravilhosa. Ainda bem que ela é uma mulher forte. E a força se multiplica quando há uma nova vida em seu ventre. Uma história que prende do início ao fim. Cheinha de reviravoltas e descobertas surpreendentes. Um destaque adicional para a preocupação de Lolita com o povo de sua cidade e com as mulheres que enfrentam dificuldades de encontrar trabalho quando estão grávidas. O que mais me encantou foi a criatividade dela diante das adversidades. Ela sempre achava uma forma de resolver as situações em que se envolvia. Isso desperta em nós uma emoção boa, uma esperança de que sempre podemos buscar uma saída. É uma história leve, gostosa, ideal para quem gosta de romances onde as protagonistas não ficam esperando o príncipe na torre do castelo, em vez disso, vão atrás de seus sonhos.
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@Albertobusquets há 11 meses
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*Tragédia* Contra o ócio, trocava um quilo de "compreender" por um punhado de "ser compreendido". Nos negócios, cobrava velhos sonhos démodé que há muito havia perdido. Não lhe tiveram compaixão: chorava com arrítmico coração, protegendo seus caros poemas nas mãos. Falido. Alberto Busquets. #Desafio 075
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@omathreis há 11 meses
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Ruína A escuridão assolava a cidade. A noite consumia todo e qualquer resquício de luz, mas isso já não era surpresa. Já fazia um tempo que todos os dias eram assim: o mesmo tom deprimente, dia após dia. Havia uma única coisa que parecia mudar: a constante sensação de estar sendo observado, que aumentava a cada dia. Nas ruas desertas, onde o vento parecia sussurrar uma marcha fúnebre enquanto soprava sem rumo, aquela presença se movia com a precisão de um predador. Com passos silenciosos, deslizava como uma sombra; o som de sua respiração era quase imperceptível. Mas, dentro de sua mente, essa batalha estava longe de ser silenciosa. Era como se algo ou alguém o estivesse chamando, sussurrando palavras de ódio e desespero o tempo todo — algo que ele já não conseguia mais controlar. A essa altura, ele já não distinguia onde começava a realidade e onde terminava a loucura. Seus pensamentos sufocavam os resquícios de sanidade que ainda restavam, como uma serpente rastejando e envenenando cada indício de um sentimento bom. Essa presença o consumia de dentro para fora, mas, no fundo, ele entendia que aquilo era parte dele. Ele a ouvia o tempo todo, sussurrando palavras amargas, envenenando seus pensamentos, sempre o lembrando de sua impotência, de seus fracassos e de sua dor. “Você falhou mais uma vez!” A voz parecia vir de todas as direções, mas ele sabia exatamente de onde ela vinha. Ele sentia a presença, o peso, o veneno se infiltrando em cada fibra de sua existência, drenando sua força vital. Mas ele não se importava mais. Não podia se dar ao luxo de se importar. Ele se olhou no espelho quebrado do banheiro — um reflexo distorcido e fragmentado. O rosto que um dia lhe fora familiar agora estava irreconhecível; era apenas um espectro de si mesmo. Seus olhos, escuros e opacos, não refletiam mais esperança, apenas um vazio imenso e avassalador. “Você é um monstro!” A voz parecia se divertir com sua miséria. Ele queria gritar, mas a dor em sua garganta o impedia, como se suas cordas vocais estivessem rasgadas. Ele já não sabia mais se era ele quem controlava a presença em sua mente ou se era ela que o controlava. Ele se lembrava de tudo. De como já tinha sido feliz um dia, antes de tudo começar a desmoronar. Antes de perder tudo aquilo com que se importava. Antes de se perder. Mas, agora, nada mais importava. Nada fazia sentido. A escuridão em sua alma era tão espessa que ele já não conseguia mais ver a luz, nem um mísero feixe. Ele caminhava pelas ruas desertas, sem rumo, sem propósito. Cada passo o enterrava mais fundo em sua obsessão. Pensava em como se tornara invisível, em como as pessoas falhavam em vê-lo, em entendê-lo, em como ele, mesmo sendo apenas um reflexo do que as pessoas queriam ver, ainda se tornava um fardo para elas. Ele sabia que não seria o herói que esperavam. E, mais do que isso, não queria ser. “Eu sinto a vontade que você tem de me destruir, mas o que você não entende é que eu sou você!” Cada sussurro o desestabilizava ainda mais. Ele sabia que não havia salvação. Nada poderia curá-lo. Nada poderia tirá-lo dessa prisão que ele mesmo havia criado. Não podia mais escapar. Mas, ao mesmo tempo, sentia-se poderoso. A presença dentro dele — essa sombra, esse ódio, essa dor — era dele agora, e ninguém mais poderia tirá-la. A raiva, a vingança, o desespero — tudo isso o alimentava. Ele era o veneno que corria em suas próprias veias. Ele era a escuridão que engolia tudo ao seu redor. Quando chegou à praça central da cidade, parou e observou todo o vazio à sua frente: os prédios quebrados, os veículos abandonados, as luzes apagadas, a ausência de vida. Tudo parecia refletir o que sentia por dentro. Uma cena de destruição, de desolação completa. O vento gelado cortava seu rosto, mas ele não sentia nada. Não se importava mais. “Depois que as luzes se apagarem e a sua vida inútil chegar ao fim, eu estarei aqui. E vou me lembrar de todas as vezes em que você gritou e do quão saboroso é o seu sofrimento!” A frase ecoou em sua mente, e, pela primeira vez em muito tempo, ele sorriu. Um sorriso torto, que não chegava aos olhos. Ele sabia que estava preso em um ciclo de vingança e dor, e entendia que não havia mais como sair. Mas, de alguma forma, não queria sair. Queria que a presença o consumisse por completo, que a dor o engolisse até que não restasse mais nada. E, enquanto a cidade se afundava em silêncio e desolação, ele se entregava àquilo que havia se tornado: um eco de sua própria ruína, um reflexo distorcido de sua antiga humanidade, um monstro à espreita, pronto para devorar tudo o que ainda restava. Porque, no final, ele sabia que não se importava mais. Não poderia mais se dar ao luxo de se importar, de sentir. O monstro era ele, e ele era o monstro.
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@wilcipolli há 11 meses
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Título: Bia Fit. Eu só queria treinar em paz. Só isso. Desde que decidi participar do Campeonato Municipal de Agachamento Profundo (sim, isso existe), minha vida se resumia a duas coisas: descer e subir. Joelho flexiona, joelho estende. Nada de firula. Nada de distração. Até que ela chegou. Bia Fit. Ou pelo menos era o nome que estampava sua garrafa d’água, seu top, sua toalha, seus stories, sua existência. O problema? Bia Fit não treinava. Bia Fit performava. Ela fazia do agachamento um evento multimídia. Três takes por repetição. Um filtro para cada gota de suor. Texto motivacional, enquetes, desafios. “Cada curtida, um agachamento!” “Cada compartilhamento, uma superação!” Para mim, um inferno. Porque, enquanto ela verificava as notificações, a barra de agachamento ficava lá, parada, esquecida, como um figurante de luxo. Eu podia reclamar? Podia. Mas e se... e se eu desse a ela o que ela queria? Criei perfis fakes. Vários. A cada postagem dela, eu despejava curtidas e comentários como um algoritmo enlouquecido. "Maravilhosa!" "Inspiração!" "Rainha do agachamento!" Ela queria engajamento? Pois então. E funcionou. Funcionou bem demais. Dias depois, a academia estava vazia. Minha barra, livre. Bia Fit sumira. Foi um alívio. Treinei como nunca. Fiquei forte, veloz. Estava pronta. Então chegou o dia do campeonato. E quando anunciam a próxima competidora... Bia Fit. Com patrocínio, uniforme personalizado, um treinador particular. Fiquei em choque. Como? Como aquilo aconteceu? Foi só depois que entendi. Meus perfis fakes não a sabotaram. A impulsionaram. Ela virou um fenômeno. Tanto engajamento atraiu seguidores, que trouxeram patrocínio, que trouxeram dinheiro. Dinheiro suficiente para que ela abrisse sua própria academia. E enquanto eu me equilibrava sob o peso da barra, vendo aquela mulher agachar como se tivesse molas no joelho, caiu a ficha. Eu só queria treinar em paz. Ela queria vencer. Eu odiava a performance. Ela transformou a performance em poder. Quando anunciaram sua vitória, engoli a frustração. Aprendi uma lição? Sim. Mas antes... vou ali criar mais uns perfis fakes. Tem outra competidora que me irrita.
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@wilcipolli há 11 meses
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O Rádio no Deserto Era uma manhã quente e sem promessas de alívio quando o avião caiu. Um grupo militar em missão secreta foi forçado a fazer um pouso de emergência no deserto imenso após uma pane na aeronave. A situação era desesperadora. No entanto, havia algo que os mantinha vivos: a limitada carga do avião. Comida, água, medicamentos... aquilo era tudo o que tinham. Mas sabiam que não duraria muito. Mesmo com a morte do comandante e do piloto, o grupo ainda era composto por cinco pessoas, e os recursos estavam cada vez mais escassos. No primeiro dia, o subcomandante assumiu a liderança e ordenou que, em duplas, fizessem patrulhas pelos arredores. A ideia era aumentar as chances de serem encontrados ou, quem sabe, encontrar algum pedaço do avião, que logo seria coberto pela areia. A rotina era exaustiva. As patrulhas se sucediam a cada hora, sempre com a esperança de que, de alguma forma, algo poderia mudar: um sinal de resgate ou, talvez, algum objeto que pudesse ajudá-los. Foi então que, em uma dessas patrulhas, encontraram algo que parecia um milagre: o rádio portátil do comandante. Ele havia morrido na queda, mas o rádio... ah, o rádio parecia ser a chave para a salvação. Era o único meio de comunicação, o último vestígio de esperança de contato com o mundo exterior. Os rádios militares funcionam em pares, mantendo uma frequência única que só se conecta entre si. O rádio do comandante estava sintonizado com o rádio de outro grupo, que não havia caído com o avião. No entanto, o problema era que eles estavam fora de área, em um deserto vasto e isolado. O que restava era a procura por algum lugar que conseguisse manter o contato, o que parecia uma missão impossível. O clima estava tenso. Cada um com suas estratégias e formas de lidar com a solidão e o medo, mas sempre fiéis ao subcomandante, que era o único a manter algum senso de ordem. Durante uma patrulha noturna, o soldado comentou com o cabo que o acompanhava: – "Um rádio caríssimo, tecnologia de ponta, à prova d'água e inútil. Que decepção." Após uma breve reflexão, o cabo respondeu: – "Não é à prova d'água." A patrulha deles já estava terminando, mas o tempo foi o suficiente para que se estressassem ao ponto de uma discussão acalorada. Gritos e xingamentos se espalharam pelo deserto, reflexo do calor, da desidratação e da falta de qualquer perspectiva de resgate. Quando chegaram ao acampamento, o soldado, ainda em seu ímpeto de provar que o rádio era, sim, à prova d'água, fez o impensável: mergulhou o rádio no último cantil de 5 litros de água. O cantil já estava pela metade, e era a única água que restava. Ao mergulhar o rádio, um pouco da água foi espalhada, deixando quase nada no fundo do recipiente. Quando percebeu o erro, a lucidez finalmente o atingiu. Ele retirou o rádio da água, mas foi em vão: as luzes do rádio começaram a apagar lentamente, e a frustração tomou conta do grupo. Todos estavam incrédulos com a atitude. Alguns, tomados pela raiva, cogitaram punições severas, talvez até a morte. Contudo, após uma longa madrugada de discussões, todos seguiram as ordens do subcomandante. – "Alguém morrer agora será sem necessidade, se todos já estivermos destinados a isso. Não sabíamos se o rádio de fato funcionaria. E, apesar da falha fatal, este asno permanecerá trabalhando conosco. E, se formos resgatados, ele responderá ao setor jurídico da instituição." Na manhã seguinte, após horas de caminhada, algo apareceu no horizonte. Em meio ao nada, um brilho se destacou na areia. Era uma lâmpada. A patrulha, exausta e cética, levou o objeto de volta ao acampamento. O subcomandante, ao observar a lâmpada, teve uma ideia. Talvez fosse uma chance. Talvez fosse um sinal. Talvez fosse magia. Sem hesitar, ele esfregou a lâmpada. Como em um conto de fadas, um gênio apareceu diante deles. Era imponente, envolto em fumaça, e sua voz grave e autoritária ecoava no ar. O desespero misturava-se à expectativa. O gênio ofereceu um único desejo ao grupo. Todos, então, refletiram. Um filme com todas as probabilidades passou diante de seus olhos. O desejo de salvarem-se tomou conta deles. Mas logo perceberam que pedir dinheiro, joias ou até mesmo comida não resolveria. Estavam ali, no deserto, para sobreviver. Precisavam de algo mais criativo. Foi então que o homem que havia destruído o rádio, tomado pela culpa e agora com os olhos brilhando, adiantou-se. Ele estava convencido de que algo tão simples poderia ser a solução. Olhou para o gênio e, com voz firme: – "Quero um rádio…" Todos ficaram catatônicos, incrédulos, e o bonachão ainda decretou: —… à prova dágua! O gênio o encarou, surpreso — pernas amoleceram-se ao seu redor — mas fez um gesto com a mão. Instantaneamente, o rádio apareceu entre os dedos do homem. Todos ficaram em silêncio, observando o objeto, encarando a própria morte. O gênio, prestes a desaparecer em fumaça, olhou para ele e, com um sorriso sarcástico, fez a pergunta: – "Mas vai falar com quem?"
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