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@emanuellenascimento há 10 meses
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Mulher-Árvore Cresci ouvindo que mulher tinha que ser delicada. Mas a vida me ensinou a ser firme. Não com os outros comigo mesma. Tive que aprender a me sustentar em ventos que quase me arrancaram do chão. No começo, doía não ser aceita. Ser muito alta, muito brava, muito sonhadora, muito calada. “Você é muito”, diziam. E eu achava que era erro. Mas árvores também são “muito”. Muito altas, muito firmes, muito resistentes. E ninguém reclama delas. Então, comecei a me ver assim. Raiz profunda, tronco marcado, copa que se abre quando o sol permite. Não nasci forte. Fui crescendo. E cada queda virou adubo. Cada abandono virou espaço pra crescer mais reta. Hoje, carrego galhos que acolhem e sombra que acalma. E sim, às vezes ainda me sinto sozinha. Mas árvores grandes não têm medo de se destacar. Você tem regado a sua raiz ou tem tentado se podar pra agradar os outros?
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@emanuellenascimento há 10 meses
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A Fé das Coisas Simples Minha avó não falava de teologia, mas orava com os gestos. Passava o café como quem oferecia incenso. Ajeitava o lençol como quem prepara altar. Era fé no feijão, no banho de cuia, na vela da sala. Nunca vi ela pedir nada gritando. Ela falava com Deus como quem conversa com um velho amigo. E dizia: “Deus não gosta de escândalo, Ele gosta de rotina”. Na infância, eu achava graça. Como Deus podia morar numa casa tão pequena, com telhado de amianto e fogão de duas bocas? Mas hoje entendo: Ele mora onde O deixam entrar. Não preciso de cenário. Preciso de presença. E ela me ensinou isso sem palavras, só vivendo. Hoje, faço meu café e lembro. Não oro em voz alta. Mas sinto. No cheiro da água fervendo, na luz que entra pelas frestas, no suspiro profundo quando o mundo me cansa. Talvez a fé não more nos céus. Talvez ela more mesmo nas coisas simples.
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@emanuellenascimento há 10 meses
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Corpo que Veste Silêncios Cresci apertando o corpo pra caber no que diziam ser certo. Cintura marcada, perna cruzada, cabelo esticado, voz baixa. Diziam que era ser feminina. Mas era só mais uma maneira de me calar. Demorei anos pra perceber que o que me vestia não eram roupas, era culpa. Era o medo de parecer demais. O medo de chamar atenção, o medo de parecer livre. Porque liberdade assusta. E mulheres livres… essas são sempre olhadas de lado. Meu corpo era casa onde ninguém queria morar. E eu? Eu era inquilina dos padrões. Até que um dia, num espelho sem moldura, olhei fundo nos meus próprios olhos e pensei: "Quem decidiu que isso aqui não é bonito? Quem me ensinou a me odiar em silêncio?" Foi ali que ouvi, baixinho, como só as avós sabem falar: “Tua carne é de guerreira. Teu cabelo é de tempo. Tua pele é de história”. E eu chorei. Porque entendi: eu sou feita das que resistiram. Hoje, quando me visto, penso: quero me caber. Não mais me esconder. Quero ser presença, não pedido de desculpas. E você? O que veste quando ninguém está olhando?
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@emanuellenascimento há 10 meses
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Te reconheço daqui Te reconheço no silêncio da tua força, no modo como insiste em continuar mesmo quando tudo em volta sopra ao contrário do teu passo. Você carrega um mundo nos olhos e ninguém nunca te perguntou quantas vezes precisou sorrir por fora pra não desabar por dentro. Mas eu vejo. Vejo o grito que você guarda no peito e a luz que ainda insiste em brilhar, mesmo coberta de escuridão. Não se engane: o universo inteiro se curva quando alguém escolhe resistir e amar sua própria história, sem aplausos, sem plateia, só com fé. Se você sentiu que essa poesia falou contigo, é porque somos da mesma tribo. E mesmo de longe, eu te reconheço daqui.
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@emanuellenascimento há 10 meses
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Reflexos de uma Vida Verdadeira Olhe no espelho e veja além da imagem, Descubra o que a vida realmente significa. Cada olhar carrega histórias não contadas, Cada suspiro é uma possibilidade. Quem você é de verdade? O que você realmente deseja? Há um mundo inteiro esperando por você, E ele começa nas páginas que você ainda não leu. Siga-me. Vamos escrever juntos uma história que fará diferença. Meus livros são a ponte entre quem você é E tudo o que você pode vir a ser.
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@emanuellenascimento há 10 meses
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O Toque da Esperança Há um fogo que arde dentro de todos nós, Às vezes apagado pela dúvida, pelo medo. Mas a esperança não morre, Ela está apenas esperando ser despertada. Você já sentiu o calor de um novo começo? Já sentiu que há algo mais, algo profundo Que está aguardando para ser revelado? É o momento de despertar, de acreditar em si. Eu escrevi para você que procura mais, Para você que não aceita a rotina como um fim, Mas que deseja um caminho de transformação. Vamos caminhar juntos, e você verá: A vida pode ser tudo o que você quiser.
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@emanuellenascimento há 10 meses
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Recriar a Vida Deixe as cicatrizes falarem, Porque em cada marca, há uma lição. A dor não é fim, mas início de uma nova jornada, Onde cada escolha é a chance de se recriar. Quem disse que não podemos ser novos? Que não podemos começar de novo, Deixar para trás as sombras do passado E brilhar com a luz que há dentro de nós?
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@emanuellenascimento há 10 meses
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Caminho da Alma A vida nos leva por caminhos tortuosos, Mas é na travessia que descobrimos nossa força. Entre sombras e luz, cada passo se transforma, Em cada página, uma chance de ser mais. Siga a trilha do seu coração, Entre palavras, ressurge sua alma. O que você busca, já está dentro de você, Deixe-me mostrar como encontrá-lo. Abra meu livro, abra sua mente. Deixe-se tocar por cada história, E ao me seguir, encontrará mais do que respostas. Você encontrará sua própria verdade.
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@MarU há 10 meses
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#Desafio 129 *Alegria* Alegria é um sentimento nobre. Desabrocha em sorrisos, preenche o coração. Dos olhos escorre, em lágrimas de emoção. Comoção que se confunde com tristeza, uma emoção forte, da alma a surpresa do que tocou as profundezas do coração. Alegria que contagia por dentro, doação do outro que esboçou sentimento. A cura pra todo tormento, paz ao coração. MarU
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@literunico há 10 meses
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 132- Fale sobre um livro que trate de imortalidade. #Link365TemasLivros
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@manuraraujoautora há 10 meses
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#microficção 002 Solidão Era sorriso de todo mundo, menos dela. Quando o silêncio chegou, doeu. Mas também foi ali que se ouviu pela primeira vez.
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@manuraraujoautora há 10 meses
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#microficção 001 Versões Mudou o cabelo. Mudou a roupa. Mudou o tom da voz, o jeito de andar, a risada e até os gestos. Mas ainda precisava aprender a se vestir de si.
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@fksilvain há 10 meses
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 131 - Fale sobre um livro que conte sonhos. Posso ser deserdada da Letras por ficar indicando Paulo Coelho (já fiz outras vezes). Este foi meu primeiro livro dele, li na adolescência, sem preconceito, e gostei da história. A narrativa começa exatamente porque o protagonista tem um sonho com um tesouro e sai em busca dele. Recomendo. #Link365TemasLivros
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@emanuellenascimento há 10 meses
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As Mães que Ficam, As Mães que Partem: Um Ensaio Etno-Poético para o Dia das Mães por Emanuelle Nascimento Há mães que partem. Há mães que ficam. Há mães que partem ficando, e outras que ficam partindo aos poucos, como quem some em pedaços sutis, nos gestos que se repetem, no silêncio da cozinha, no olhar perdido no quintal. Mães que são corpo e território. Presença e ausência. Terra e vento. Nas vielas das periferias brasileiras, nas casas de barro do sertão ou nos apartamentos frios dos centros urbanos, vi mães de todas as formas durante meu trabalho de campo. Umas com os pés inchados, segurando o mundo com uma mão e o filho com a outra. Outras caladas, com rugas fundas, olhos que parecem ter chorado tudo que era possível, mas ainda assim colocam o feijão no fogo. Antropologia me ensinou a escutar. E escutar mães é aprender uma língua antiga, feita de repetição, resistência e reinvenção. A mãe é a primeira paisagem que habitamos, e talvez por isso nunca mais nos livremos completamente de sua geografia. No ventre, ouvimos seu coração como um tambor ritualístico. Do lado de fora, aprendemos que ela é chão: onde caímos, onde voltamos, onde somos plantados. Ela é a etnografia viva do cotidiano. Está no cheiro do pano de prato, no barulho da panela de pressão, na frase que atravessa gerações: “leva um casaquinho”. Durante uma observação participante em um hospital público, testemunhei o parto de uma mulher indígena. Ao sair da sala, ela não gritou. Não pediu nada. Apenas olhou o recém-nascido com uma reverência ancestral. A maternidade ali não era performance, era rito. E compreendi o que minha orientadora dizia: “o nascimento não é apenas biológico, é cosmológico”. A mãe não dá só a luz ela religa mundos. Em outro canto, entre as ruas estreitas de uma comunidade quilombola, entrevistei uma senhora de 86 anos, mãe de 11 filhos. Falava com orgulho, mas não sem dor. Disse que ser mãe é “carregar santo e cruz ao mesmo tempo”. E riu. Uma risada entre dentes, feita de cansaço e fé. Ali, percebi que há mães que são guardiãs da memória coletiva. Suas histórias são arquivos orais, suas práticas são heranças silenciosas. Elas tecem o tecido invisível do social. Mas nem todas as mães estão. Algumas se vão cedo, como a minha. E mesmo ausente, ela segue sendo presença. Está no modo como arrumo a cama, na forma como falo com Deus, na mania de guardar potes que poderiam ser jogados fora. O corpo da mãe pode partir, mas sua cultura permanece. Ser filha é continuar um ritual interrompido, costurar um vestido com o pano que restou. Há também aquelas que optam por não ser mães. Mulheres que renegociam seu lugar na estrutura simbólica da maternidade. São olhadas com estranhamento. A sociedade exige que toda mulher seja mãe ou, no mínimo, deseje sê-lo. E isso também é tema para a antropologia: os desvios da norma, os silêncios sociais, os corpos que dizem “não”. Escrever sobre mães é como caminhar descalça numa estrada de pedras e flores. Não há neutralidade. A antropologia, que sempre buscou a alteridade, encontra na figura materna um espelho invertido: ela é o “outro mais íntimo” de nós. É o campo de pesquisa e o campo afetivo, misturados numa poética da observação. Neste Dia das Mães, não trago respostas, nem homenagens prontas. Trago perguntas: o que é ser mãe em tempos de pressa? O que resta das mães que partiram? Como acolher as que ficaram para além da data? E por fim, deixo um silêncio. Aquele silêncio denso, cheio de sentidos, que aprendemos a respeitar no campo etnográfico o mesmo que uma mãe faz quando olha o filho dormir e sussurra para Deus que ele tenha um futuro mais leve que o dela.
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@CrisRibeiro há 10 meses
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#Desafio 132 Agraciada Sou Filha de Carminha, tempestade mansa. Mãe de Luísa, meu verbo mais bonito. Sou aprendiz do amor: com tropeço, com reza, com sangue gritando nas veias e abraço largo, feito abrigo. Hoje, uma falta. A outra, solta. Mas o que me costura por dentro é essa linha invisível, bruta, delicada. Afeto espesso, doçura áspera, rigor que firma o chão de quem ama. A certeza de ter sido querida é raiz no tempo que me coube. E o desejo, nu, sem rodeio, que o bem abrace forte quem cruzar meus passos, sempre vem. Sempre. Cr💞s Ribeiro
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@novidadesliterunico há 10 meses
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Homenagem a Rubem Fonseca (1925-2020) "A vida é difícil, mas quem não enfrenta a dificuldade não sabe o que é viver." Rubem Fonseca foi um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, conhecido por sua escrita direta, crua e muitas vezes brutal. Nascido em 1925, no Rio de Janeiro, ele teve uma carreira multifacetada, com uma produção literária que inclui romances, contos e roteiros de cinema. Feliz ano novo: <a href="https://www.literunico.com.br/books/545">Aqui!</a> #aniversárioliterário #diadecelebrarescritor
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@CrisRibeiro há 10 meses
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#Desafio 131 Acuso você por tudo que sou por medo de ser o que em mim ressoa (eu engulo). Te faço espelho embaçado: ver-me é vertigem. Projeto em tua pele as minhas sombras aponto o dedo sem sangrar. Covarde me escondo no reflexo do teu olhar. Condeno-te sem lâmina para que eu siga intocada. Mimada em fugas protegida na redoma de desculpas ensaiadas. Mas se tocasses meu lado B encontrarias a chaga viva o caos manso a menina que aprendeu a não doer em voz alta. E tua alma (tão pura) talvez tremesse. Sem filtro sou farpa. E no gesto de amar rasgo. Dói em ti. Mas em mim dilacera devagar: agulha cega bordando carne crua. Cr💞s Ribeiro
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