De preto ou de rosa, Eu a vejo… Logo, A desejo… Ardendo em mim, A chama da vontade… Aquela que acelera o meu coração... Arrepia-me o corpo. Que me incendeia sem me consumir... É luxúria… Tesão. Indícios de paixão. Se é para arriscar, Por que não? A quero… Não nego… Nem resisto. A quero. Não apenas por uma noite… Um instante. Quero mais que isso. A quero em meus braços. Sendo um desbravador, conhecendo cada centímetro do seu corpo... Com mãos de explorador, Acariciar cada marca… Cada cicatriz… Cada tatuagem… E com meus lábios beijá-las, O beijo mais doce e carinhoso. Sentindo o calor de sua pele em minha boca. É, Isso é mais que apenas desejo carnal… Se fosse só isso… Seria fácil de saciar… Encontraria alívio em qualquer braço… Em qualquer esquina… Jogado em qualquer cama… Mas não é apenas isso que quero… Eu quero ela… Especificamente, Ela… Não só pelo seu corpo... Mas pelo conjunto que ela é… O seu bom humor que me cativa... A sua inteligência que me excita… Com sua personalidade me atiça. Fazendo-me encontrar assim… Com ela em meus pensamentos o dia inteiro… Querendo, por fim, beijar aqueles lábios carnudos, Demonstrando tudo que minha boca é capaz de provocar. Os sentidos e sensações. Perdendo-me nas curvas de sua cintura… Envolvido em sua abundância… Tornando-me a sua alcova. Quero ser o preto que combina com a sua pele… Ser o calor que a envolve… E os braços que a acolhem… Não quero apagar o fogo. Quero, juntos, Incendiarmos… Vivenciando essa nova emoção...
A Morte entrou em minha sala… Ela não invadiu… Não chegou de surpresa… Eu a convidei…. Arrumei a casa… Preparei a ceia. As mais belas flores espalhei por todos os cômodos… Na dúvida entre um cozido e um assado, Preparei um molho… Entre branco ou vermelho, Vesti-me de negro… Preto como a noite sem estrelas… Sem luar… Minha convidada foi prontamente recebida…. Com uma leve reverência… Pois sempre admirei sua grandeza… Sem medo… A tomei pela mão, E com um beijo leve em seu rosto descarnado… Era frio, Mas a sensação foi prazerosa… Em suas órbitas oculares vazia, Pude ver, Que se tivesse carne em suas feições… Minha Senhora até ficaria corada com meu gesto. Todos as temem…. Todos preferem sua irmã gêmea… Aquela tal de Vida. Mas, não eu… Eu a amo… Como nunca amei outra mulher. Eu a venero, Como nunca me curvei para nenhum outro Senhor. Puxo a cadeira para que ela possa sentar… A sirvo do mais saboroso vinho. Brindamos!!! Não a vida, Mas a Morte. Nessa casa, é a única que és bem-vinda. Conversamos, Por horas e horas a fio… Como velhos conhecidos. Dos meus regalos, Prova um bocado. Se farta. Finalizamos com uma partida de xadrez… Não posso vencê-la… Tão pouco, quero. Apenas me divirto, Com movimentos mal pensados… Arrancando dela sorrisos leves. Quando meu Rei tomba… Ela sabe, Que tens também meu coração… E sua voz grave e gutural… Diz-me, Que nenhum outro mortal, Foi tão gentil… Tão galante… Tão merecedor de sua atenção. Em sua companhia, Todos fogem… Mas, que eu fui diferente da maioria. A convidei para minha casa. A recebi com pompa e honra… A servi de tudo, Não lhe neguei nada. Então quis da minha vontade saber… Eu preferiria para sempre viver, Ou estar para a eternidade ao lado do seu Ser? Não hesitei… Só tenho um amor. Respondi. Uma só Senhora. Deixo sua irmã, Para os tolos. Ajoelho-me diante seus pés. E por fim, Recebo o que por eras busquei. O amor da minha existência… O amor está morto, Pois só a Morte posso amar. Só por ela, Sou amado. Enfim, Juntos partimos… Como velhos amantes.
Aos seus pés, Me encontro... Devoto... Inerte... Admirando, A beleza e o contorno de seus pés... As unhas bem feitas, Num tom rubro esmaltado... Encanta-me! Deixando-me rígido diante desta visão... Acaricio aqueles pés... Massageando-os... Minhas mãos percorrendo cada centímetro... Movimentos que vão e vêm... Circulares... Sentindo... Deslizando... Escuto-a suspirar... Relaxada... Envolvida... Num rompante silencioso... Seu pé livre começa a roçar meu membro duro... Subindo e descendo... As pontas de seus dedos percorrendo minha barriga... Indo em direção ao meu peito... Me empurrando de costas ao chão... Tirando de mim um gemido de excitação... Deitado no chão, sendo pisado por ela... Contemplo a visão exuberante dela nua, E soberana... Imponente sobre mim... Raramente gosto de me sentir assim, Dominado... Mas confesso que estar sob os seus pés é prazeroso. Me olhando com olhar triunfante, Ela monta em mim de forma veloz... Pronta para saciar sua vontade, Senta em mim... Em minha masculinidade ereta, Penetrando-me profundamente... Gemendo e sorrindo de prazer... Cavalga-me como uma amazona feroz, Poderosa e no controle, Coloca seus pés agora sobre meu rosto... Envolvido e dominado, Dou mordidas em seus dedos... Sugando... Chupando... Beijando... É entorpecente a sensação... Quase explodo de tesão... Mas resisto!!! Rebolando seu quadril com vontade, Convidando-me a intensificar as minhas estocadas... Em riste, Vou mais fundo, Sentindo sua umidade e calor mais internos... Ela ri extasiada... Sinto os espasmos de seu corpo, Minhas mãos em sua cintura acompanhando seu ritmo... Sinto a nossa troca de fluidos e energia, Unindo-nos em uma sincronia, A energia que nos cerca, Percorre o seu corpo como correntes elétricas, Saindo de si, atravessando todo o meu corpo... Uma completa sintonia. Após intensos minutos de prazer, Ela estremece, Desfalecendo sobre mim, Ainda com os pés entre meus lábios... Os beijando, Não me seguro mais, E explodo em gozo farto em seu interior... Ofegantes, ficamos ali no chão... E eu com a eminente certeza, De que é ali, Que sempre vou querer estar... Aos seus pés....
Meu prazer não está em me satisfazer... Não é só enfiar... Penetrar... Me realizar... Explodir... Acabar. Não!!! Meu prazer vai além. Sinto prazer em te dar prazer... Em tocar seus lábios íntimos, Com minha boca te tocar... Te fazer delirar... Meu prazer está em ouvir você gemer... Seu corpo contorcer... De ápice estremecer... Arrepiar. Como toques suaves, mas com vontade... Nos pontos certos... Nas regiões corretas... Te fazer inundar... Transbordar... Múltiplos orgasmos se realizarem... Meu prazer está em ver você realizada... Amada. De pernas bambas... De sorriso bobo. Esse é o meu orgasmo. Saber que sou capaz de te saciar... Te desejar... Te enlouquecer. De fazer em chamas queimar. Esse é o meu mais doce prazer...
Perguntaram-me O que me motivou a tornar-me escritor... Prontamente respondi: Foi um livro que na infância eu li... Fábulas de um distante amor... O Cupido vesgo, Que em um baile se divertia, Acertando e formando casais apaixonados... Mas em suas últimas flechas, Erra bisonhamente, E, saindo desiludido, É chamado pelos alvos que ele acertou... As sombras do casal que ele não acertou... Apaixonadas e temendo a sua separação, Quando seus donos se afastassem... Clamam ao pequeno Deus alado, Uma cura para seus corações flagelados... Uma ideia surge: Contar histórias de amor, Em alta voz, Como faz aos homens e não às sombras... Pois ninguém sai, Enquanto uma boa história de amor não tenha fim. Enquanto voaria de volta ao Olimpo, Buscar novas flechas... E assim foi, O livro que me tornou escritor... Por falar de amor...
Perguntaram-me Sobre o que me fez ser poeta... E eu pouco me lembro, Pois, numa tola vontade de estimular a leitura... Emprestei meus livros... E eles nunca voltaram... Uma coletânea de poesias, De Cecília Meireles... Poema Da flor que beijava o beija-flor... Da pedra no meio do caminho, E acabou a festa... Cadê José? Onde está João? Drummond, outra fonte de inspiração... Da Rosa do Guimarães... Mas pouco me lembro desses poemas de infância... Infelizmente perdidos... Apenas vaga lembranças... Do meu livro perdido, De capa azul bebê... Das tardes pós escola, Onde eu rabiscava meus primeiros versos E minhas rimas primárias surgiam... Assim, dei vida ao Poeta em mim... Que desde então, Não parou mais de poetizar... De amar em e com palavras escritas, No papel... Em cartas... E na fria tela do celular. Foi bem ali, Na infância ainda... Que dois livros distintos, E imortais bem conhecidos... Me moldaram... Me fizeram ser o que hoje sou... O que nasci para ser: Um artista na arte de escrever... Um livro me tornou escritor... Outro me revelou poeta. Foi ali, Na infância, Onde tudo começou.
Eu queria escrever sobre saudade… Como ela me invade o peito… Como ela me joga na cama… Repleto de drama… De choro… Lágrimas sem fim… Queria escrever sobre a saudade… Que sinto… Que carrego no peito. Mas não consigo… Então, Tentei falar sobre liberdade… Livre estou? Quem disse? Quem pensou? Mentiu… Meu coração retrucou. Não és livre. Está preso… Preso a um sentimento que não te larga. Aprisionado a uma memória que não se ausenta. Está sempre lá, Em seu pensamento. Gritou em batidas ritmadas o senhor da emoção. Do que escreverei então? Se de saudade não consigo… De liberdade estou impedido, Por não saber o que é isso. O que me resta para ser inspiração? A motivação de meus versos intensos… Minhas poesias sem estruturas definidas… Sem padrões literários pré-estabelecidos. Apenas minhas escritas. Minha arte. Perguntei… Sobre o que irei falar? Apaixonado estás… Fale de seu amor… Não há quem resista a uma bela história de amar. Quer assunto para escrever? Que tal este? Então escrevo… Do que está cheio meu coração. Um amor sem medidas… Sem fim. Pura intensidade. Escreverei sobre esse tal de amor. Seja ele qual for...