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@luscaluiz

Lucas Luiz
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@luscaluiz
há 9 meses
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Insights e reflexões espontâneas surgidas dos estudos e leituras: Por que a Poesia ainda importa?
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
Quem lê poesia com a mesma abordagem da prosa dificilmente alcança sua essência. O ritmo, a musicalidade e as camadas de significado se diluem, tornando difícil entender o encanto que a poesia provoca. Sua força está menos no conteúdo direto e mais na forma sutil como as palavras sugerem e despertam sensações.
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
"TROVAS"

xi.
O passado permanece
como narrativa — nada
é novo quando se esquece
a nossa condição atada...

xii.
Não se pode ser as cousas
ao nosso próprio gosto
— seu futuro só repousa
onde o espírito está posto...

xiii.
A imaginação é essa
centelha a nos vincular
com o divino – professa
lições a nos religar...

xiv.
Pensar de forma ritmada,
– sete sílabas constantes –
ressoa ao peito, agrada,
transparece no semblante.

xv.

(p/ meus sobrinhos)

Nesses outros olhos vejo
minha meninice inteira,
como num breve lampejo
principia-se a videira...
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
"TROVAS"

vii.
Quintana com os seus versos
de belezas fantasmais,
diz-nos de modos diversos:
só mistérios são reais...

viii.
Bandeira em vossa ternura
legou a lição em desatino:
quando a vida estiver dura,
dancemos tango argentino.

ix.
A vida é penitência,
que o sublime bem prediz
– aquilo que há em potência
é a nossa real raiz...

x.
Em suas mitologias,
Borges instiga os intintos,
ensina que em um só dia
carregamos labirintos.
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
"HAIKAIS"

i.
a primeira luz
pela fresta da manhã
— incita vida

ii.
à minha janela
anunciando a manhã
— pousa o beija-flor

iii.
Pássaros cantam
o sol folia nos rastros
derrama alvorada

iv.
o dia amanhece
— ouvir o canto das aves
também é orar

v.
na esteira do pássaro
pulsa a trombeta dourada
raia a paz do sábado

vi.
Pássaros no fio
Avô tosse corta a grama
– Orquestra do sol.

vii.
Vestígios da lua
poça reflete a roça
– três sapos na rua.

viii.
Os causos mineiros
vigia o lobisomem
– alguém pede sal.

ix.
Mesmo à distância
a natureza alumia
– ascende o verso.

x.
Trabalha a criança:
refaz castelos de areia
com o que imagina.
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
"TROVAS"

i.
Da Vida brota mais vida,
essa é a grande lei:
na semente está contida
toda a fagulha do Rei.

ii.
A flor rebenta em si, impera,
dá sementes sobre o leito...
O que sou desde sempr'era
de alguma forma no peito.

iii.
É preciso praticar
sempre a justa contenção:
domesticar nosso olhar,
pra falar o coração.

iv.
Fecha-se no mesmo instante,
a vida é este agora:
fortalece-se no seu antes,
mas difere no que aflora.

v.
A dor tem função arquetípica,
nos ensina a valorar
o lado bom dessa vida
– isso que há de perdurar...

vi.
A beleza traz em si
a potencialidade:
todo gosto que há de vir,
rebentada a eternidade...

TROVA CÍNICA

A língua a dizer amor,
sofre em tom comprometido:
pois herdamos seu sabor
mais sarcástico que ungido.
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
A poesia, em sua materialidade enquanto poema, não se resume a ser apenas "expressão dos sentimentos"; ela é a construção consciente de imagens, sons e ideias que transcendem a mera subjetividade, buscando estabelecer um diálogo sensorial e intelectual com o leitor, ancorado em linguagem, forma e intenção estética.
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
A poesia se constrói por meio de imagens, enquanto a narrativa se desenrola através de ações. Isso porque o cerne dos sentimentos humanos é inefável, inalcançável em sua totalidade. Só é possível aproximar-se deles, e é nesse ponto que entram as imagens e as ações. A matéria-prima do escritor não são os sentimentos em si, mas a experiência humana concreta. Nesse sentido, ambos criam uma conexão por meio da atmosfera que o autor constrói com diversos recursos técnicos, capaz de evocar sentimentos análogos nos leitores. Daí surge a polissemia, que ressoa em cada indivíduo conforme suas próprias vivências.
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
Depois de quase quinze anos postando versos pela internet — a maioria não tão bons, claro —, tive uma sensação crescente: o único lugar realmente palpável para os poemas são os livros.
Por mais que existam sites específicos de literatura, blogs e redes sociais, nada disso consegue abarcar a experiência completa da leitura de uma boa poesia.
Há sempre um buraco aberto, causado pela própria dinâmica do meio, essa necessidade constante de sobreposição, essa sanha sedenta por novidade.
Se o poema é aquilo que permanece, então essa parece uma conclusão inevitável.
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@luscaluiz
há 9 meses
Público
O trabalho criativo é isso: abrir as frases, experimentar sinônimos, testar combinações.
A palavra certa não surge de primeira.
É tentativa, erro e escuta.

Criar é sair do abstrato e cavar até o específico.
Cada frase é uma escavação: não se inventa, se descobre.
Lapida-se até que soe inevitável

"A luz morria no horizonte."

Você pode cavoucar a frase inteira.
Luz pode virar claridade, fulgor, ouro, laranja, incêndio, esperança.
Morria pode virar se apagava, desfazia, dissolvia, declinava, afundava.
Horizonte pode ser linha tênue, boca do mundo, fim da tarde, mar distante, pálpebra do tempo.

Daí nasce:
“O fio de ouro se desfazia na boca da noite.”

A mesma ideia, mas agora com outra textura.
Mais simbólica, mais sensorial, mais poética.
Escrever é isso: escavar até encontrar o que já estava lá, esperando ser dito.
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