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Tenho uma tristeza alegre
uma melancolia saudosa
uma esperança tênue
uma dor que lateja
sou agridoce
poeta de lágrimas secas
da maré de lua cheia
dia a dia
noite após noite
decido dar mais uma chance
sorrio encabulado
imaginando você
que nem existe
mas me move
lá vem o sol
Edu Liguori
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Naquela noite ele foi ele
outra vez insistiu na verdade
foi real humilde sincero
depois arriscou um chiste
não colou não deu
mesmo assim ela disse
que delícia falar com você
naquela noite ele foi ele
e mais uma vez voltou pra casa
com ele
naquela noite ele foi ele
outra vez
Edu Liguori
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Ando macambúzio
um gramo insolente
desse jeito sorrateiro
entre ramos me queixo
de que vale essa prosa
todo o molejo poético
se meus vasos sem flor
permanecem assim
sem beijo sem cheiro
raiz seca e terra árida
ando emburrecido
um tanto tenente
sem dinheiro
ali me deixo
admirando uma rosa
sirvo um sorriso patético
sigo sem teu amor
uma semana sem fim
um perigoso vespeiro
a cara lavada pálida
com o corpo adormecido
tenho o pensamento demente
sem barro oleiro
novamente me queixo
com uma bossa
Edu Liguori
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As vezes entre o piscar de vaga-lumes
me falta a modéstia
na escuridão de noites de lua nova
como Vênus creio ter o brilho da via láctea
tenho certeza do meu engano
mas entre o pisca-pisca
os pinheiros mortos
celebram o nascimento divino
então por que não eu
este insignificante poeta
não pode eventualmente
crer que é digno de algo especial
Edu Liguori
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Amor nasce e as vezes vira estrela
A gente percebe que não há espaço para o tipo de amor que sente
Então fazemos céu
Pra seguir bonito
Edu Liguori
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Saudade de coisas que existiam
de cenas que aconteciam a vera
corriam a espera dos mecenas
que fundos acuidade e louças
traziam para aguçar os desejos
a arte o açúcar os peitos e cor
odor de almíscar seixos e carne
a profundeza úmida dos sexos
o nexo daquela realeza sumida
somos apenas os pobres poetas
elas não estão mais aqui nuas
o pó nas ruas e as suas cavernas
quietas seguem sem as novelas
Edu Liguori
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As vezes me assusto
do tanto que sou comum
um cara bem mediano
uma vida simples e regular
nem isso nem aquilo
só normal, vulgar
nenhum atributo especial
só mais um
no meio do tudo
talvez a única diferença
seja a palavra
Edu Liguori
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Cada pequena peça
um pedido um pecado
perdido eu te peço
um pedaço perfeito
sem preço predicado
o prejuízo pensado
sem patrão padrão
ou perdão permaneço
um pássaro outro passo
pisco e pesco o pintado
cada pequena peça
um perfeito prefácio
Edu Liguori
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Eita que a lua tá de espreita
me mirando assim de canto
com seus olhos amarelos
uma nuvem pálida a arrodeia
e os continentes de areia e pedra
escondem oceanos extintos
tão perto e tão longe
me faz lembrar de tu
que enfeitiça escarniça
e não chega com a maré
tão linda tão mistério
me faz de testemunha
que prova toda a dor
da distância deste céu
Edu Liguori
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O pior da solidão
é o cheiro
esse odor escuro
o barulho
desse aroma cruel
Edu Liguori
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