Público
Caminhando
pelas hipotenusas da vida
buscando cada atalho
evito catetos
o tal papo reto
não sou arquiteto
me embaralho
na entrada e na saída
de todos os medos
aqui tem poesia
curto-circuito de sons
de pássaros marrons
Edu Liguori
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Público
Chega o dia em que a lua
de sua fantasia se despe
e você enfim só enxerga
cinza, areia e pedras
nesse mesmo momento
largue as suas chinelas
os sonhos e toda a poeira
Edu Liguori
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De repente tudo sumiu
não tinha azul nem anil
Só tão somente só
que esperança era pó
Restou sonho nenhum
dos dois agora era um
Edu Liguori
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Público
Ando macambúzio por aí
por não conseguir transformar
meus sentimentos em algo sólido
porque o reflexo não é espelho
De grão em grão o mar desenha a praia
E este poeta de verso em verso tentou criar o amor
Mas o amor é sorrateiro e não se cria
O amor é
ou não é
Edu Liguori
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Nem no amor
a meritocracia existe
maldita ilusão
que explora
corpos e sentimentos
Edu Liguori
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Poesia se lê devagar
várias vezes
como uma sopa quente
pelas beiradas
Edu Liguori
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Entre os cacos de vidro
opacos e sangrentos
pés desnudos perdem
a dignidade e a cor
são pés de quem segue
nas sombras da solidão
feridos e sujos são pouco
perante a dor e a rua
sem saída nua e crua
o som rouco dos escapamentos
os assentos sem chão
nada que se apegue
só tristeza e a dor
mesmo que neguem
todos os ventos
são o nosso anoitecer
Edu Liguori
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Não quero um átomo a mais do que eu mereço
Se não sou digno, não venha
Meu mundo
é o planeta dos justos
não há paz na terra da mentira
escolho todos os dias
a verdade
crua, nua e simples
Edu Liguori
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Entre os elos
a tensão
amarelos
girassóis
eu queria ela
além-paixão
dobra os lençóis
e não esquece
sua revelação
sol desaparece
e desbota a tela
nos elos
muita atenção
Edu Liguori
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Público
E se eu me assumir um homem triste, engraçado
será que viverei melhor
o solitário alado
voa entre os sorrisos
Edu Liguori
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