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#Link365TemasLivros 161 um livro que tenha como protagonista alguém de identidade híbrida, personagem que pertence a dois mundos e não é aceito por nenhum, e que precise forjar seu próprio lugar entre a origem e a escolha.
A graphic novel Hoka Hey!, do artista francês Neyef Esteban, publicada no Brasil pela editora Taverna do Rei
A história acompanha Georges, um jovem mestiço indígena que vive entre dois mundos: o dos colonizadores brancos e o dos povos originários. Mas ele não pertence completamente a nenhum deles. Essa condição de “entre-lugar” é o que move toda a narrativa, uma busca por pertencimento em um mundo que insiste em apagá-lo. Neyef constrói um protagonista que não quer glória nem redenção, apenas um sentido para existir.
A ambientação é o Velho Oeste, mas longe dos clichês: aqui, o western é desconstruído com uma estética que mistura mangá, animação japonesa e crítica social. A arte é vibrante, cinematográfica, e acompanha o clima emocional da história com uma paleta de cores que alterna entre tons quentes e frios. A crítica tem elogiado a profundidade com que o autor trata temas como racismo, exclusão e trauma — tudo isso sem abrir mão da ação e da beleza visual.
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#Link365TemasLivros 160 um livro onde o fantástico nasce da infância, e a imaginação não serve para entreter, mas para processar afetos confusos, raiva, medo, abandono, amor, que ainda não sabem dizer o próprio nome.
Espinho de Arraia, de Roger Mello.
A história começa com um dos oito irmãos narrando como chegou ao fundo de um rio de águas escuras. Mas o mergulho não é só literal, é também emocional. O fantástico surge da infância, sim, mas não como fuga: é uma forma de dar corpo ao que não se entende, de nomear o que ainda não tem nome. O peixe aruanã, que engole os próprios filhotes para protegê-los, vira metáfora de cuidado e medo. As borboletas amarelas, as plantas amazônicas, os silêncios entre os irmãos — tudo se transforma em símbolo de afetos confusos, de perdas que ainda doem, de amor que ainda não sabe como se dizer.
As ilustrações do próprio autor intensificam essa experiência sensorial: são vivas, oníricas, e ao mesmo tempo carregadas de melancolia. A crítica tem elogiado justamente essa fusão entre texto e imagem, onde a infância é retratada como um território de beleza e dor, de invenção e sobrevivência.
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#Link365TemasLivros 159 um livro onde a poesia ou a prosa se façam instrumento de denúncia, mas sem abrir mão da beleza formal, obras que transformam a revolta em linguagem
Aleijão, de Eduardo Sterzi. Publicado em 2009, mas ainda absolutamente atual, o livro é um grito lírico e político, onde a poesia se torna trincheira e cicatriz.
Sterzi constrói uma linguagem que não suaviza a dor, mas a molda com precisão estética. Os poemas denunciam violências familiares, urbanas e sociais, entrelaçando temas como desigualdade, repressão e herança traumática. A cidade, a família e o corpo são apresentados como territórios de conflito — e a poesia, como o único espaço possível para que essa revolta não se transforme em silêncio.
Críticos e estudiosos destacam como a obra transforma a denúncia em forma, sem abrir mão da beleza formal. A violência não é apenas tema, mas estrutura: ela está no ritmo, nas quebras, nas imagens que ferem e iluminam. Como aponta uma análise da Universidade de Brasília, a poesia de Aleijão “é uma herança sanguínea e social, nascida na família, expandida na cidade e infiltrada no corpo até o colapso"
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#Link365TemasLivros 158 um livro onde a inquietação interior se revela com intensidade lírica, obras em que o conflito é íntimo e o poema ou a prosa se tornam o único lugar possível para que o excesso da alma não transborde em silêncio.
Outro livro que preciso ler ainda esse ano: O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei.
Publicado originalmente em 2017, mas ainda reverberando fortemente em 2025, o romance é escrito em uma prosa poética que pulsa como um coração inquieto. A história acompanha uma mulher dos 8 aos 52 anos, atravessando perdas, silêncios, violências e descobertas. A linguagem é fragmentada, delicada e brutal ao mesmo tempo — como se cada frase fosse o único espaço possível para conter o que não cabe no corpo.
A crítica tem elogiado a forma como Aline Bei transforma a dor em ritmo, e o trauma em beleza. Leitores falam de lágrimas inesperadas, de identificação profunda, de um livro que parece sussurrar e gritar ao mesmo tempo. É uma obra que não narra apenas uma vida ela a sente, e nos faz sentir também.
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#Link365TemasLivros 157 um livro que celebre uma data histórica ou cívica, não como registro formal, mas como vivência, memória ou sátira, onde a data se torna palco para revelar o espírito de uma época ou a ironia do tempo.
O Dia em que o Brasil Acordou, de Luiz Ruffato. Embora ainda esteja em pré-venda, a obra já vem sendo comentada por críticos como uma das mais provocativas do ano.
O romance se passa ao longo de um único 7 de Setembro, mas atravessa décadas por meio das memórias, delírios e contradições de seus personagens. A data cívica — símbolo da independência — é usada aqui não como celebração, mas como espelho rachado de um país em constante reinvenção e repetição. Ruffato mistura ficção e sátira política para mostrar como o “espírito da época” pode ser tanto heroico quanto farsesco, dependendo de quem segura a pena da história.
A narrativa acompanha diferentes vozes: um professor aposentado que se recusa a sair de casa, uma jovem ativista que organiza um protesto performático, e um político em crise de consciência. Cada um vive o feriado à sua maneira, revelando as camadas de ironia, desencanto e resistência que envolvem a data.
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#Link365TemasLivros 156 um livro onde a arte é linguagem e conflito, em que a criação estética não é apenas expressão, mas embate, entre visões de mundo, crenças, escolas, tradições e destinos.
O Corte que Desafia a Lâmina, de Antonio Arruda. Essa obra é uma verdadeira colisão entre arte e conflito, onde a criação estética não é apenas expressão, mas um embate visceral entre memória, dor e linguagem.
O livro mistura ficção e autobiografia em textos curtos, poéticos e intensos. Cada fragmento é como uma ferida aberta que se transforma em arte — ou, como o próprio autor define, uma “estética da cicatriz”. A arte aqui não é contemplativa: ela é luta, é sobrevivência, é enfrentamento. Os textos abordam temas como sexualidade, morte, religiosidade e identidade, sempre atravessados por experiências pessoais e coletivas que se chocam com tradições, crenças e estruturas de poder
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#Link365TemasLivros 155 um livro onde o enredo se desenrola ao longo de décadas, atravessando gerações e construindo lentamente um mundo em que tudo muda, exceto o poder.
O Colibri, de Sandro Veronesi. Embora tenha sido publicado originalmente na Itália, ele chegou ao Brasil recentemente e tem conquistado leitores por sua estrutura ousada e narrativa que atravessa décadas.
A história acompanha Marco Carrera, um oftalmologista cuja vida é marcada por perdas, silêncios e escolhas que ecoam por gerações. O romance se desenrola em fragmentos — cartas, e-mails, diálogos, lembranças — e vai construindo, aos poucos, um retrato de um homem que tenta manter o equilíbrio em um mundo em constante transformação. Tudo muda: a família, os amores, os valores sociais. Mas o poder — seja ele emocional, institucional ou simbólico — permanece como uma força silenciosa que molda os destinos.
Críticos têm elogiado a forma como Veronesi mistura o íntimo e o histórico, criando uma narrativa que é ao mesmo tempo pessoal e universal. O livro venceu o Prêmio Strega, um dos mais importantes da literatura italiana, e foi descrito como “um romance sobre resistência, sobre permanecer de pé mesmo quando tudo desaba”
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#Link365TemasLivros 154 um livro onde o sobrenatural não vem de fora, mas do passado, narrativas em que os fantasmas não são criaturas, mas memórias, culpas, erros que se recusam a morrer.
É a continuação de um dos livros que li esse ano, e apesar de não ter gostado tanto fique um tanto curiosa para a continuação dele
Como a Neve Cai, da autora Erin Doom. Embora à primeira vista pareça um romance juvenil, o livro mergulha fundo em memórias dolorosas e traumas que se recusam a desaparecer.
A protagonista, Ivy, é enviada para viver com o padrinho na Califórnia após a morte dos pais. Lá, ela reencontra Mason, o filho dele, um garoto que já não é mais o mesmo das fotos antigas. O que se desenrola não é apenas um romance, mas uma jornada marcada por silêncios, segredos e lembranças que assombram os dois personagens. Os “fantasmas” aqui não têm forma, mas estão presentes em cada gesto contido, em cada palavra não dita.
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#Link365TemasLivros 153 um livro onde a infância é narrada a partir da memória adulta, revelando não apenas os encantos do crescer, mas também as rupturas, as dores silenciosas e os ritos involuntários que se impõem no processo de deixar de ser criança.
É um dos livros que pretendo ler esse ano, não lembro se cheguei a citar sobre ele aqui Olhos d’Água, da Conceição Evaristo. Embora seja uma coletânea de contos, muitos deles abordam a infância a partir da memória adulta, revelando não só os encantos do crescer, mas também as dores silenciosas, as ausências e os ritos involuntários que marcam a transição para a vida adulta.
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#Link365TemasLivros 152 um livro onde o amor é proibido, desfeito ou adiado por imposições externas, sociais, morais, familiares. Onde o sentimento não basta, porque o mundo ao redor não permite que ele exista.
Amor Proibido: Lua de Sangue, de Daniele da Aparecida Fiuza Zapeline.
A história gira em torno de Scarllet, uma bruxa poderosa que se apaixona por Henry, um híbrido. Esse amor, embora puro e intenso, é uma transgressão grave no mundo mágico em que vivem. A sociedade à qual pertencem não apenas desaprova, mas impõe uma maldição cruel que ameaça separá-los para sempre. Scarllet, então, precisa decidir até onde está disposta a ir para desafiar o destino e lutar por um amor que nunca deveria ter existido. É uma leitura que mistura fantasia, drama e um amor que desafia todas as regras, perfeito pra quem gosta de histórias onde o sentimento é forte, mas o mundo insiste em dizer “não”.
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