Avatar

@carlajaia

Carla Torres Pereira Carrion
22 posts 0 seguidores 0 seguindo
Ainda não há seguidores.
Ainda não segue ninguém.
@carlajaia
há 1 ano
Público
Eis a história real
De uma mulher dominada pelo demônio
Amiga das feras
Machucada pela profunda dor
de ser humana

A história real
De uma mulher
E um tribunal
Construído ao redor do próprio corpo
Pelos próprios desejos de autoflagelo

Eis a história real
De uma filha de Deus
Marcada pelo Diabo
Uma mulher que se entrega ao silêncio
Por ter medo de existir
Porque o medo da vida se chama culpa
E esta mulher escolheu ir para a fogueira
Todas as manhãs
Até o dia em que será engolida pelo cão
Em nome de todas as coisas tortas

Amém

Carla Carrion
Abrir 3 curtidas 1 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
Falando um pouquinho do meu trabalho mais recente, estou escrevendo um livro de contos que abordam traumas e diversas formas de amor, não se restringindo ao romântico. Como grande parte dos escritores, não vivo da arte. Sou psicóloga e estudo traumas em profundidade. Ao mesmo tempo, como toda pessoa tenho os meus. E é do fundo dessa alma confusa que tiro ideias para as histórias. É também por conhecer e amar gente.

O primeiro dos contos que escrevi para este livro se chama Cachorros mutilados não conseguem se queixar. Conta a história de Maya, sobrevivente de um acidente grave que perde a voz e, com apoio psicológico no CAPS e afeto de pessoas queridas, aos poucos retoma sua vida, sua fala e sua capacidade de se conectar com o outro.

O segundo se chama Amores gêmeos, e conta a histórias de almas gêmeas fraternas. Layla e Jonas dividiram o útero da mãe, em placentas diferentes, e são unidos desde sempre por um amor imensurável. Assim, sobrevivem a uma infância traumática e se apoiam nos momentos mais difíceis. Mas o que acontece quando irmãos tão amigos precisam se separar?

O terceiro se chama Menino Deus e conta a história de Emanuel, um menjno de 8 anos que descobre que sua mãe tem um câncer agresssivo. É também a história de Maria Luz, sua jovem mãe, que se depara tão cedo com a finitude. E de Selene, irmã de Maria e tia de Emanuel, uma médica independentemente que nunca quis ter filhos até se encontrar diante da difícil arte de maternar sua irmã e seu sobrinho. Uma história de amor e luto que traz uma sagrada família não tradicional e disposta a fazer esforços por amor.

E aí? Tem interesse em ler algum?

Daria apoio se eu colocasse aqui?
Abrir 1 curtidas 0 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
Por sofrer de enxaqueca, eu tenho curtido muito audiobooks. Já ouvi três do Machado de Assis e agora estou ouvindk Orgulho e Preconceito na voz super irônica de Denise Fraga. Tenho gostado de fazer audio-RE-leituras, aproveitando para perceber através de outro sentido alguns livros que já li. Jane Austen, numa crítica irônica aos costumes, desenvolvia histórias que eram mais realistas do que românticas. Penso que o audiovisual não capta tão bem esse aspecto crítico.

Sigo na audio-re-leitura.
Abrir 6 curtidas 0 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
Diga, em voz alta, o nome das palavras. Permita que se formem diante de você, vistosas, pálidas, tortas, reluzentes. Deixe que derramem do seu livro de química as letras de uma tabela que mandaram decorar. Diga o nome do átomo da vida e perceba se ele bate mais forte que as asas de um beija-flor. Separe o beijo da flor e coloque um par de amantes para dançar. Ou um trio. Multiplique os amantes por sessenta, a idade da sua mãe. Grite a palavra velho e perceba seu próprio rosto ganhando marcas. Sussurre tempo e lance-o ao vento, permitindo que eras infinitas se formem diante de seus olhos. Assuste-se perante o infinito porque ele carrega o medo da morte e daquilo que vem depois. Converse com espíritos. Se apaixone por fadas. Deite-se no colo manso de uma sereia sáfica. Torne-se a esposa do demônio e vislumbre as inúmeras faces dele diante de você. Inclusive a mais bela, a de anjo-menino. Recite seu próprio nome como se fosse poema e brinque de ser musa com as rosas que nascerem de seus cabelos. Murmure sexo e examine com cuidado um quadro de Zeus chovendo dourado sobre Danae. Ou tentáculos saindo de sua própria vulva. Ria de si mesma. Peça ao seu amor para debruçar-se sobre você. Caia do décimo andar e pouse lentamente em um clipe de Rosalía. Cavalgue um homem. Mate alguém. Porque a palavra morte faz a noite vir. Acelera seu peito. Anuvia seu coração. E, pouco a pouco, você se encontra deitada em um caixão. É você a vítima. A algoz. E também a salvação. Com o nome das coisas você constrói galáxias e destrói universos. Você é multiversal. Pois nunca deixou de ser criança. Aquela que pintava de negro e roxo as pétalas das flores e as fazia voar feito deusas de um culto ancestral. A criança louca. Venerando a madrugada.

Carla Carrion
Abrir 2 curtidas 0 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
A querida @fksilvain leu meu conto Menino Deus e fez comentários tão maravilhosos e aconchegantes. Obrigada, minha linda.

Em breve vou colocar meus contos aqui por um preço simbólico. Topam apoiar uma escritora independente?
Abrir 5 curtidas 1 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
O terceiro livro finalizado do ano foi em audiobook. Comecei ano passado. Esaú e Jacó é um livro denso, como todos do Machado de Assis. Mas é diferente dos que já li: mais lírico, mais metafórico. Conta a história dos gêmeos Pedro e Paulo, marcada por uma rivalidade infinita - desde a divergência política até o amor por uma mesma mulher. Menos focado na personalidade dos protagonistas do que no que eles representam, a obra retrata as tensões políticas desde o império e ainda é atual. Forças conservadoras e revolucionárias seguem em guerra e, ainda assim, há pouco espaço para o povo. Os jovens irmãos representam as classes altas, o masculino, são opostos que, apesar de tudo, jamais deixam de ocupar um lugar de poder. São a tragédia de Flora, a mulher amada.

Com a ironia característica do autor, se fazendo notar principalmente nas falas do Conselheiro Aires, Esaú e Jacó merece ser lido. Indico para quem gosta de Machado e de política.
Abrir 2 curtidas 0 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
Layla e Jonas são gêmeos e cresceram em uma família disfuncional, com uma mãe distante e um pai machista e homofóbico. Ainda assim, tinham sempre um ao outro e cuidaram-se ao longo da vida. Essa é a história do meu conto Amores gêmeos, sobre almas gêmeas que não são românticas. Quero um dia alguém para ilustrar esses personagens tão queridos. 

Como voce aborda o amor em suas histórias?
Abrir 1 curtidas 0 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
O seu olhar me ajuda a ganhar forma
Desenha meu corpo como se eu existisse
Existo!

E já não me sinto
lesma
vazio
perda
monstro

O seu olhar delineia minhas curvas
Balança meus cabelos
Mergulha em meu desejo

Seu olhar de outono
Luz do sol invadindo
uma floresta virgem

Seu olhar é vento
Ternura mansa para as tardes quentes
Aquece-me serenando meu interior
Causa-me paz e agonia
Feitiço profundo da paixão

Seu olhar é o pincel de um artista
A caneta de um poeta
Seu olhar me inventa

Eu sou uma mulher
Às vezes grisalha,
às vezes sereia,
às vezes receio,
às vezes silêncio

Sou o que sou e,
diante do seu olhar,
Sou amante.

Carla Carrion

Para @willianvulto
Obrigada pelo olhar, meu poeta. 
Abrir 3 curtidas 0 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
Ano passado tive um sonho em que uma pessoa disse a seguinte frase: Cachorros mutilados não conseguem se queixar.

A frase se tornou o título de um conto, protagonizado por uma jovem mulher chamada Maya. Maya sofre um acidente, perde uma pessoa querida e sobrevive a um grande trauma. A partir de então, perde a fala e passa a frequentar o CAPS. Ao longo da história, desvelam-se as vivências traumáticas da jovem, bem como são construídos caminhos de cuidado.

Na imagem, um trechinho.

Vamos conversar sobre processo de escrita?
Abrir 1 curtidas 1 comentários
@carlajaia
há 1 ano
Público
A minha vontade de ser uma mulher para você
Magra, bela e que sabe se vestir. Mulher cujos cabelos não se embaraçam ao vento e cuja casa não se enche de poeira. A mulher bonita.
A minha vontade gritante de ser como as outras. Para você.
As outras, que em minha fantasia, não falham e nem falhariam. Pois que sou eu a versão feminina do Poema em Linha Reta de Fernando Pessoa:
A mulher-vergonha-vazio-medo
Perdida
Ridícula
Patética

Entenda, amor, não sou deusa. Nem anjo.
E, quanto mais busco no espelho, inventar-me conforme seu desejo,
menos enxergo meu rosto,
menos percebo minha alma,
menos
existo.

O amor pede isso:
Um pouco menos de esforço
Um pouco mais daquele tremor
Que vem de não sei onde.

Posso ser gente perto de você?

Carla Carrion
Abrir 2 curtidas 1 comentários