A luz apagou. O ânimo esgotou. Cansaço de sextou tomou forma e peso. Os olhos ainda ardiam da semana. O corpo pedia descanso. Entre pensamentos soltos e uma estranha sensação de falta. Lá fora, risadas, carros passando, alguém cantando uma música desafinada. Aqui dentro, só o barulho do ar e do coração batendo num ritmo meio fora do tempo. Peguei o celular, olhei para a tela acesa e larguei de lado. Não tinha vontade de responder ninguém. Não queria conversa, nem bar, nem nada que exigisse esforço. Só queria existir um pouco em silêncio. Talvez amanhã eu acorde querendo o mundo. Mas hoje, só quero me encolher no meu canto e deixar a noite passar sem pressa.
Ah, minina, se tu soubesse O tanto que eu fico amuada Noite a dentro, zói virado Coração só o bagaço que tua falta maltrata Que nem sol rachando a estrada Um calor que num se aquieta Queima inté os pensamentos Ah, se meu sonho fosse certo E eu pegasse o rumo pra te achar Era só festa, era só riso Num tinha mais tempo ruim pra nóis penár Nessa vida sofrida e danada Onde a dor num cansa de atentá Era só graça, só alegria Se eu pudesse contigo ficá.
Os dias têm sido tensos, cansativos, exaustivos em todos os sentidos possíveis. O café que antes era tranquilo, agora é engolido as pressas, sem tempo para sentir o gosto. O relógio corre mais rápido que as pernas, e a rotina se impõe como um fardo pesado, porém necessário. As horas se arrastam e ao mesmo tempo desaparecem num piscar de olhos. Mal dá para perceber quando a manhã virou tarde e a tarde noite. O cansaço aperta o peito, mas a mente não desliga. O corpo pede descanso, a cabeça pede silêncio, mas tudo ao redor exige atenção. E no meio disso tudo, a sensação de que há algo escapando por entre os dedos. Uma vontade de pausar o mundo de respirar fundo de lembrar que a vida não pode ser só isso: um turbilhão de compromissos, pressões e exaustão. Pode ser que o tempo desacelere um pouco e o café tenha novamente o gosto de tranquilidade e alegria que ele sempre me trouxe.
Uma montanha-russa de sentimentos. No alto, respiro alívio, no instante seguinte, despenco no abismo. Sorrio ao vento, mas logo deságuo em tormento. Viro Mulher-Maravilha e, de repente, sou só mais um peso. Hormônios loucos, predestinados a me destruir. Sinto medo da idade, da responsabilidade, do tempo que passa e não espera. Mas hoje… hoje eu queria apertar um botão, reiniciar, começar de novo. Amanhã chega sem perguntar se estou pronta. E com ele, a carga de ser mãe, mulher, empreendedora. E a saúde mental? Ah, que se dane. Quem é que tem tempo pra isso, afinal? O tempo, aliás, tem sido uma incógnita. Não sei se trabalho, estudo, organizo o que preciso… Ou se mando tudo pra pqp e vou curtir.
Invento uma manobra faço malabarismo truque ou uma desculpa qualquer me enrolo nas palavras tropeço na própria voz Me faço de desentendida mas é tudo ensaio tudo jeito de te ter por perto sem assustar o tempo Quero você inteiro sem metades, sem pressa mas finjo que não ligo porque quem quer demais sempre corre o risco de perder. Então desvio o olhar mudo de assunto brinco de ser distraída mas fico esperando qualquer sinal seu pra desmontar o teatro
Olha o céu vê os tons tão suaves tão profundos Já pensou se… num segundo te trouxesse aos meus dons? Se o vento enganado te guiasse até meu peito, eleito e o destino tão perfeito te guardasse em meu afago? Se a lua nos unisse se o tempo adormecesse e o amor que a vida tece nunca mais se desfizesse…
Ah, se o vento passasse e de mim levasse a sodade docê… Mas num leva, não! Fica grudada feito areia nos pé igual quando a gente caminha na praia. E eu fico aqui, inté marejando os ói, pensando nos teu chamego, nos teus acochêgo e no tanto que me alembro docê, desejo. ❤️
Adoro essa sua cara de mal Não um mal de verdade mas aquele jeito atrevido meio dono de si, meio dono de mim. Esse olhar que pesa e desarma que me pega sem jeito sem tempo de raciocinar. Você chega perto e o ar muda. Fico tonta, fico leve, fico tua. Dizendo coisas banais mas com uma voz que arrepia. Palavras que poderiam ser soltas bobas até, mas na sua boca viram poesias. Seu cheiro me cerca, me puxa, me prende. Uma mistura de pele quente e perfume amadeirado que gruda na minha vontade. E quando você me trata assim, desse jeito que é só seu, entre um comando e um carinho, entre um riso e um rosnado eu já nem sei onde termina a brincadeira e começa a rendição.
O beija-flor veio A flor esperou Ele sorveu o nectar Depois partiu No dia seguinte voltou E no outro E no outro (…) Nunca prometeu Nunca pediu Nem insistia Ainda assim toda manhã a flor abria