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@calorliterario_

Lidiane Queiroz Bastos
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Ainda não há seguidores.
Ainda não segue ninguém.
@calorliterario_
há 11 meses
Público
A luz apagou.
O ânimo esgotou.
Cansaço de sextou
tomou forma e peso.
Os olhos ainda ardiam da semana.
O corpo pedia descanso.
Entre pensamentos soltos e uma estranha sensação de falta.
Lá fora, risadas, carros passando, alguém cantando uma música desafinada. Aqui dentro, só o barulho do ar e do coração batendo num ritmo meio fora do tempo.
Peguei o celular, olhei para a tela acesa e larguei de lado. Não tinha vontade de responder ninguém. Não queria conversa, nem bar, nem nada que exigisse esforço. Só queria existir um pouco em silêncio.
Talvez amanhã eu acorde querendo o mundo. Mas hoje, só quero me encolher no meu canto e deixar a noite passar sem pressa.

Seria querer muito?
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@calorliterario_
há 11 meses
Público
Ah, minina, se tu soubesse
O tanto que eu fico amuada
Noite a dentro, zói virado
Coração só o bagaço
que tua falta maltrata
Que nem sol rachando a estrada
Um calor que num se aquieta
Queima inté os pensamentos
Ah, se meu sonho fosse certo
E eu pegasse o rumo pra te achar
Era só festa, era só riso
Num tinha mais tempo
ruim pra nóis penár
Nessa vida sofrida e danada
Onde a dor num cansa de atentá
Era só graça, só alegria
Se eu pudesse contigo ficá.
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@calorliterario_
há 11 meses
Público
Os dias têm sido tensos, cansativos, exaustivos em todos os sentidos possíveis. O café que antes era tranquilo, agora é engolido as pressas, sem tempo para sentir o gosto. O relógio corre mais rápido que as pernas, e a rotina se impõe como um fardo pesado, porém necessário.
As horas se arrastam e ao mesmo tempo desaparecem num piscar de olhos. Mal dá para perceber quando a manhã virou tarde e a tarde noite. O cansaço aperta o peito, mas a mente não desliga. O corpo pede descanso, a cabeça pede silêncio, mas tudo ao redor exige atenção.
E no meio disso tudo, a sensação de que há algo escapando por entre os dedos. Uma vontade de pausar o mundo de respirar fundo de lembrar que a vida não pode ser só isso: um turbilhão de compromissos, pressões e exaustão.
Pode ser que o tempo desacelere um pouco e o café tenha novamente o gosto de tranquilidade e alegria que ele sempre me trouxe.

Pode ser…
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Público
Uma montanha-russa de sentimentos. No alto, respiro alívio, no instante seguinte, despenco no abismo.
Sorrio ao vento, mas logo deságuo em tormento. Viro Mulher-Maravilha e, de repente, sou só mais um peso.
Hormônios loucos, predestinados a me destruir.
Sinto medo da idade, da responsabilidade, do tempo que passa e não espera.
Mas hoje… hoje eu queria apertar um botão, reiniciar, começar de novo.
Amanhã chega sem perguntar se estou pronta. E com ele, a carga de ser mãe, mulher, empreendedora.
E a saúde mental? Ah, que se dane. Quem é que tem tempo pra isso, afinal?
O tempo, aliás, tem sido uma incógnita. Não sei se trabalho, estudo, organizo o que preciso…
Ou se mando tudo pra pqp e vou curtir.

Mas curtir o quê? Com quem?
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Público
Invento uma manobra
faço malabarismo
truque ou uma
desculpa qualquer
me enrolo nas palavras
tropeço na própria voz
Me faço de desentendida
mas é tudo ensaio
tudo jeito de te ter por perto
sem assustar o tempo
Quero você inteiro
sem metades, sem pressa
mas finjo que não ligo
porque quem quer demais
sempre corre o risco de perder.
Então desvio o olhar
mudo de assunto
brinco de ser distraída
mas fico esperando
qualquer sinal seu
pra desmontar o teatro

E te amar mais uma vez.
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Público
Olha o céu
vê os tons
tão suaves
tão profundos
Já pensou se…
num segundo
te trouxesse aos
meus dons?
Se o vento
enganado
te guiasse até
meu peito, eleito
e o destino
tão perfeito
te guardasse em
meu afago?
Se a lua nos unisse
se o tempo
adormecesse
e o amor que
a vida tece
nunca mais
se desfizesse…

Já pensou?

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Público
O silêncio anuncia

O que era tanto
vai virando quase nada

Não dói de uma vez
Vai sumindo

Uma voz que não chama
um café que esfria
uma porta que ninguém abre

Se perde a importância

Os ciclos terminam assim
sem barulho
sem data marcada

(Evaporou)

O novo começa igual
Um dia qualquer
num detalhe pequeno

Uma mensagem inesperada
um vento mais leve
um olhar que fica

E vai ficando…

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Público
Ah, se o vento passasse e de mim levasse a sodade docê… Mas num leva, não! Fica grudada feito areia nos pé igual quando a gente caminha na praia. E eu fico aqui, inté marejando os ói, pensando nos teu chamego, nos teus acochêgo e no tanto que me alembro docê, desejo. ❤️
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Público
Adoro essa sua cara de mal
Não um mal de verdade
mas aquele jeito atrevido
meio dono de si, meio dono de mim.
Esse olhar que pesa e desarma
que me pega sem jeito
sem tempo de raciocinar.
Você chega perto e o ar muda.
Fico tonta, fico leve, fico tua.
Dizendo coisas banais
mas com uma voz que arrepia.
Palavras que poderiam ser soltas
bobas até, mas na sua boca
viram poesias.
Seu cheiro me cerca, me puxa, me prende.
Uma mistura de pele quente e perfume amadeirado que gruda na minha vontade.
E quando você me trata assim,
desse jeito que é só seu, entre um comando
e um carinho, entre um riso e um rosnado
eu já nem sei onde termina a brincadeira e começa a rendição.
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Público
O beija-flor veio
A flor esperou
Ele sorveu o nectar
Depois partiu
No dia seguinte
voltou
E no outro
E no outro (…)
Nunca prometeu
Nunca pediu
Nem insistia
Ainda assim
toda manhã
a flor abria

Esperançada.

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