@MarU
há 7 meses
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#Desafio 203

*Mãos Obscenas*

Minhas mãos são obscenas,
escrevem letras infames
em poemas.

Marcam textos profanos
a caneta,
e não apagam com borracha
o que vem à cabeça.

O papel recebe
tudo o que não se fala,
é o cúmplice dos segredos
dos poetas,
a voz do eu lírico,
autor, ator que disfarça.

E as mãos,
a elas dá o consentimento,
a caneta e as ordens
para que escreva.

Liberdade
pra suas desgovernadas letras,
sensações e sentimentos.

A palavra que ninguém fala,
escrevo…
e destas mãos
não guardo segredos.

Através delas
toco a profundidade das almas,
as invado,
penetro por dentro
e ascendo ideias e desejos.

Me lendo, de fato,
sorvendo dentro
meus poemas sem tato,
em sentido abstrato… ou não.

Despindo o íntimo
em qualquer lugar…
inclusive na cama,
com a palma
das suas mãos.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 202

*A mar(é)*

Inspiro profundamente
e não solto
o que iria falar.

As palavras me vêm
como ondas,
adornadas por conchas
e tantas outras coisas…
Talvez o amor,
talvez as circunstâncias…

Marolando ávidas
suas águas frias,
alegremente por dentro,
revolvendo-se
de encontro à beira-mar,
plácida, fluída.

Têm a intensidade
dos ventos norte,
com volatilidade
de rajadas fortes;
dispersa minhas palavras
de improviso no caminho,
como águas e ventos alísios
reconhecem nas praias
e na morada,
seu vício.

Efeito Coriolis:
ninguém mais vê,
nem sente como eu sinto.
Seguindo em linha reta,
me desvio para a direita,
sem perceber.
Admito!

Minto pra mim mesma,
almejando praia,
temendo a dureza
de um quebr(a-mar).

Às vezes, me mudo,
tentando segurar um oceano.
Me calo,
evitando um tsunami
ou o dissabor de um engano.

Para não transparecer
nas ondas de águas límpidas,
o sal que marolo em minha alma,
me banho calada
em palavras insípidas
exalando a (mar)é calma.

Me aquieto na praia.
As areias absorvem tudo.
Ou quase tudo.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 201

*Cheiro de Vida*

O mato cortado.
A chuva no mato.
As gotas na terra.
O som da chuva
no mato.

As nuances
dos elementos
me penetram.

A brisa fresca
faz questão
de me alcançar.

E aqui dentro:
o café fresco,
o bolo no forno
e o próprio instante
me fazem experimentar
uma sensação,
que reconheço
de antes.

Recosto no sofá,
com um cobertor fofo
e os braços
cheios de calor
do corpo
do meu filho
a descansar.

Os cheiros todos,
misturados,
trazem lembranças…

conforto.

E como mãe,
encosto o rosto
na minha criança
e sinto,
na fragrância de infância
do seu pequeno pescoço,
o alento mais gostoso,

para minha alma
enfim
repousar.

Cheiro de vida,
cheiro de amor,
cheiro da esperança

em algo tão belo,
que não quero
jamais
soltar.

Meu lar.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 200

*Mulher(enta)*

Não aprendi
ainda
a me amar,

mas defendo
minhas curvas.

Não gostaria
de ter barriga,
mas prefiro
me ver
sem roupas.
(Fico melhor
completamente nua).

Os anos passam
sem generosidade,
e a minha idade
já transparece.

Mas não trocaria
a mulher que sou hoje
por outra que fui
aos vinte.
Não me apetece.

Olho no espelho
e às vezes gosto.
Outras vezes
me olho
e desgosto,

conforme
a aura do dia,
do momento…
Vou transitando
entre pensamentos.

Não é o belo
um adorno
objetificado,

é um conjunto
subjetivo
de detalhes
bem aplicados:

O conteúdo
da embalagem,
o cheiro,
o sabor,
a temperatura,
o clima,

a pessoa que aprecia
e sabe
o seu valor.

Uma mulher,
que não é mais menina.

Ainda bem
que o tempo
passou.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 199

*Podolatria*

Pés descalços,
dorso arqueado,
pele translúcida,
delicada, nua…

Veias finas,
detalhe anilina.

Deslizando as mãos,
embebidas de creme,
por sua pele macia,
nas bordas curvas.

Alisa…
suave, capricha.

As mãos,
os dedos…
entre os dos pés
e seus veios
delicados de mulher.

Entrando com facilidade
entre os dedos bem feitos.
Unhas pintadas de vermelho,
linhas quadradas,
harmônico placebo
te olhar.

Descendo e subindo,
do tornozelo de deusa
até as unhas perfeitas.

Alisando a pele
em movimento fluido,
ritmo continuado.

Sentindo a energia
na pele aquecida
e uma leve brisa fria
que arrepia os pelos
e sua pele eriça.

Da cama se levanta
e caminha…
anda.

Seus passos delicados
são uma deliciosa dança.

A cada passo,
desfilam,
invocam,
provocam
instintos antigos…

Idolatram.

Só com os olhos,
a admirar,
convidados à devoção
de uma obra-prima divina.

No chão,
cada passo
beijando o caminho
como a um relicário delicado.

Sussurrando
ao olhar apaixonado
seu mais profundo,
intenso
e absoluto prazer.

Seria pecado
se deixar perder…
ser teu chão,
o caminho
pra você?!

Espero
que não.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 198

*Encanto*

Ah…
doce ilusão
que me causa encanto.
Pra quê
tanto desassossego
e apego?

Se sinto
a todo instante
dentro do peito
essa necessidade
de falar com você.

Se minha vida
se adaptou
a acompanhar
sua rotina
e te dedicar tempo
na minha.

E questionar:
como estará?
Se também,
como eu,
está a pensar em mim
como eu penso
em você?

E o querer,
que transcende
a barreira
do pensamento
e intenso
arde por dentro…

Te querendo,
vou abrigando
dentro do peito
um sentimento
que arde
sem alarde.

A chama
que te chama
e me inflama
e me invade,
acendendo
o sentimento
de quem ama…

Ou se engana,
de paixão
sem querer,
neste querer…

grita
em liberdade.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 197

*O sentir*

Hão silêncios
que falam,

e entendimentos
que calam,

sorrisos que completam,
nos infestam
e acalmam.

E são processos internos
compreender
o que sente,

silente,
sabendo-se
consciente,

buscando
o sentido
de sentir.

Concluir
dentro de si
a consistência,

se permitir sorrir
sem peso
na consciência,

afeiçoar-se
com inocência
pela essência

de algo novo
e despretensioso.

E de novo,
o sentir…
somente
o sentir.

O silêncio
fala mais alto
quando
não nos falamos,

e lidando
me ponho
na falta
que me faz
ter você aqui.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 196

*Brincadeiras entre adultos*

Adentrou a câmara,
despida de vestes.

Serena, nua, pura,
caminha, como faquir,
desfilando sob brasas.

Seus passos, uma dança.
Seu corpo, sinuosas curvas.

Convida, carente:
— A cama é sua. Vem!

Olhos abertos,
mede.
Chama em verde,
ao brilho
que repete
o convite.

Com as mãos esguias,
guia-se em seu templo,
alisando suavemente…
com autocuidado
e respeito.

Da boca ao pescoço,
desce… aos seios.

Vai descendo,
mamilos tesos.

Sua pele,
seus finos pelos…

O olhar fito convoca,
expressa desejo intenso.

Não para, tem tara.
Provoca.
Desliza seus dedos,
fazendo a curva
no umbigo.

Param um pouco.

Paralisa-o.

A ponta dos dedos,
apontam as unhas,
ao paraíso.

E, como se num aviso,
seus olhos,
sua boca,
sua respiração pouca,
premeditam.

Deslizando
em movimento
lento…

Todos os dedos,
descendo
rumo
ao monte Vênus.

Entrelaçando dedos
entre pelos,
fluidos e carnes.

Aos poucos…
os olhos se fecham,
a boca, levemente,
se abre.

Sem pudores
nem medos,
se possuindo com vontade.

Introduzindo seus dedos,
deslizando facilmente,
lisos…

Se melando de fluidos,
exalando cheiros
característicos,

e emitindo
som de gemido.

Suave…
Sentindo…
Transmitindo a ardência
em arfares reprimidos.

Explodindo em pulsares.

Abrindo os olhos…

E finalmente,
convida-o
com voz suave:

— Vem!
Sua vez
de brincar
com a minha tez.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 195

*Notificação*

Uma estranha mania
que adquiri recentemente:
perguntar como foi seu dia
e te contar o meu, alegremente.

Infelizmente… há dias
que a gente falha.
E não se fala…
e fica um vazio, de repente.

Em dias como este,
rolo na cama e não durmo,
olhando a tela no escuro,
aguardando uma notificação sua…

Mal acostumada, carente.

MarU
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@MarU
há 7 meses
Público
#Desafio 194

*Reviravolta*

Em dias cinzentos,
gelados
e internamente
barulhentos,
me levanto.

Começo com um banho
bem tomado:
fervendo
ou completamente
gelado,

para afugentar
o sentimento morno.

Me seco
e me arrumo,
escolhendo
aquele batom
vermelho

e uma roupa
que normalmente
não escolho.

Nesses dias,
saio de casa
sendo eu
a cor que falta
à minha volta.

E, com isso,
sou a própria
reviravolta.

MarU
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