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@Albertobusquets

Alberto Knobbe Busquets
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Ainda não segue ninguém.
Público
À luz da manhã,
corações
são criados
num estalar de dedos.

No meu peito,
um problema:

o encanto
é tanto
que me transborda

respingando na cama
(e no papel)

arritmia de desejos

de tomar
você
para mim

e nas tuas mãos
me fazer poema.

Alberto Busquets.

#Desafio 034
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Público
De manhãzinha
beijo-te
como o sol beija o mar:

Lentamente,
com minha luz crescente

ruborescendo o céu
e lhe arrepiando
com todos os sentidos
até seu despertar.

Ao meio-dia
beijo-te
como o sol beija o chão:

Intensamente,
com amor ardente

enfeitando o céu
de azul liberto,
iluminando os jardins
para além da imensidão.

No crepúsculo
beijo-te
como o sol beija o horizonte:

Carinhosamente,
regando o amor-semente

reencarnando o céu
com lilases e bordôs,
vinhos tintos e frutados
convidando-nos à degustação.

À noite, porém,
beijo-te sob as cobertas:

Não há sol, senão
algumas estrelas seletas

testemunhando
a perfeita união das horas,
dos corpos,
das fomes
e das dores

de seres tão amada
por um mero poeta.

Beijo-te
sem pressa ou ânsia,
pois nesse momento
o Tempo não é Rei:

Beijo-te
para provar
que o suspiro é eterno,
mas a eternidade é efêmera
comparada aos beijos
que sempre
te darei.

Alberto Busquets.

#Desafio 033
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Público
Gosto da noite.

As estrelas dos teus olhos
bastam para iluminar
tudo o que é preciso.

Juntos,
somos um farol
para Apolo e Dionísio...

Que chova vinho
em nossos poemas,
brindando a duas vidas
unidas
em desejo luminoso
para além do horizonte.

Vejam, marinheiros!
Elevem-se do convés!
O amor vos guia!

Alberto Busquets.

#Desafio 032
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Público
#

Teu corpo?
Não.
Quero tocar
tua essência.
Acariciar as labaredas
que expeles
com os olhos que eu vejo,
e me fartar nas profundezas
escuras e úmidas
do teu doce e acre desejo.
Hoje não quero
fazer amor.
Incorporemos o ardor
que nos consome!
Demolindo barreiras, limites,
matéria qual for.
O mundo está lá fora.
Aqui, tudo podemos.
Uma noite inteira, sem sono.
Hoje, quero
que sejamos a fome!
Abra-se para mim,
sem demora
e sussurra sem pudor:
"Vem, meu dono!
Me come!
Vem agora!"

Alberto Busquets.

#Desafio 031
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Público
*Hiatos*

Ao calar do poeta,
uma coisa é certa e inefável:

Um deserto sem escrita
e de palavras rarefeitas?

Nada é mais instável!

Cada grão é sentimento intempesto
prestes a sangrar poesia...

Entre prantos, gargalhadas
e eventuais trovoadas,

é monção de emotiva teimosia!

Com dura leveza
e livre correnteza

até o fim do mundo mundano
ou o próximo cristalizar,

tomem cuidado com o sertão-poeta:

Ele está a uma lágrima de distância
para (re)virar mar!

Alberto Busquets.

#Desafio 030
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Público
Defendo a guerrilha
dos poeticamente armados.

Que não nos falte munição!

Entre rajadas de empatia
e certeiras gentilezas ao alvo,

que combatamos
a violenta tempestade!

Sejamos patriotas
da própria humanidade!

Cavemos trincheiras-abraços
sob amorosas bandeiras
de humanística compreensão!

Alberto Busquets.

#Desafio 29
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Público
O que você
vê em mim?

Será que vê
além das linhas?

Será que vê
todo o vazio
entre as palavras?

Será que é
o mesmo que
eu vejo?

Na poesia,
enxergo com
a ponta dos dedos,
a ponta da língua,
a conta dos dias.

Os olhos são
para se sentir;

minha visão
é revoada
de rimas,
ou mergulho
do vento.

Não me veja
só com a vista:

Leia para dentro.

Alberto Busquets.

#Desafio 028
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Público
Trago em mim
a pobreza das palavras sozinhas.
E, por plena consciência
da inexistência de seus valores,
deito-as em leito de flores
vermelho-carmim.

Tenho em mim
a riqueza dos sentidos compostos.
E, perpassando a aparência
da falta de profundidade,
afundo o delicado leito
com palavras banais
em camadas abissais
de negrume sem fim.

À superfície de mim,
outrora palavras sem valor
agora tomam forma e cor
fugidias em fluidez e reflexos.

A beleza floral as decora,
espectros à distância sonora
caleidoscópio de sentidos complexos.

Mas seu correto valor
sempre dependerá
de quem for o leitor.

E esta sempre será
minha maior alegria.

E minha dor.

Alberto Busquets.

#Desafio 027
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Público
Quanto tempo temos nós?
Talvez o bastante,
e ainda assim muito pouco!
Um tanto e um bocado,
uma pitada e um punhado,
dissolvendo em calda
no caldeirão
de calendários...
Quarenta e sete
é um número modesto,
em que já coube
muitas vidas.
Mas o amor ainda
transborda!
O esperançar
escorre leve,
de cabeça erguida
e peito aberto!
Ainda há muita calda
para entornar,
adoçar
e celebrar,
com as melhores
companhias
(e companheira)
dos sonhos
e do mundo!



Alberto Busquets.

#Desafio 026
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Público
Escrevo sobre a falta:
A falta da sua mão na minha;
a falta do seu corpo no meu.

Escrevo sobre o vazio...
O vazio entre sua boca e a minha;
O vazio entre seu olhar e o meu.

Escrevo, e não basta.
Posso preencher páginas
e mais páginas de rimas...

A distância não muda.
O amor não muda.
O tempo muda?

Não vi se ele já correu.

Tinta, rascunhos,
telas, bits, bytes,

céus e nuvens.

Entre as linhas celestiais
eu te quero ainda mais.

E cada rima não rimada
encontra-me sonhando
sob as estrelas, na sacada

perdidamente
inteiramente
profundamente
teu.

Alberto Busquets.

#Desafio 025
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