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@rosana858 há 4 meses
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🍎 O Espírito da Big Apple Um conto sobre personalidade, propósito e o desejo de ir além do que esperam de nós. Afinal, há quem prefira ser escolhido — e há quem ouse escolher. Dizem que, certa vez, em um pomar distante, nasceu um fruto diferente. Trazia em si uma inquietude — uma vontade de ir além das raízes. Desde pequena, sentia que a vida podia ser mais do que um simples pote de geleia. Ela não queria amadurecer apenas para cair. Queria compreender o céu. Apesar de ter nascido da mesma macieira, nunca se sentiu somente parte dela. Enquanto as irmãs se vangloriavam da aparência da casca e da doçura da polpa, ela se perdia observando as borboletas, encantada com a possibilidade de um dia poder voar também. — Sonhadora! — diziam. — Em vez de conversar com insetos, devia se preocupar em sobressair para que suas sementes sejam escolhidas na próxima safra! Mas ela não queria ser escolhida. Queria escolher. O tempo passou, e fez amizade com abelhas, joaninhas e até com algumas criaturas consideradas pragas. Assim, o quintal passou a vibrar em harmonia — e os parasitas, sem sintonia com aquela vibração, buscaram outras plantações para habitar. O lugar floresceu. Então, o mundo notou. Um dia, chegaram homens com câmeras e microfones, tentando capturar o mistério daquela fazenda. Ela pressentiu que algo sagrado estava para acontecer. No instante em que o jornalista ergueu a lente, o panapanã coloriu o ar, e o sol rasgou as nuvens, iluminando seu galho. Uma pomba branca pousou sobre ela — guardiã do instante. E brilhou com uma intensidade jamais vista — como se o céu tivesse se inclinado para tocá-la. A imagem correu o universo. Símbolo do amor e da beleza, estampou capas de revistas, apareceu em comerciais e inspirou artistas. Logo, os prêmios mais cobiçados da cidade — especialmente no mundo das corridas de cavalos — começaram a ser apelidados de “The Big Apple”, por causa do encanto e da grandeza daquele pomo vermelho. O termo ganhou o coração dos nova-iorquinos e, mais tarde, tornou-se símbolo da metrópole que nunca dorme. Desde então, dizem que o espírito da maçã vive em Nova York. Esconde-se nas luzes dos arranha-céus, entre as árvores do Central Park e nas águas que cruzam o Hudson, no murmúrio das multidões que não param. Porque a cidade, como ela, aprendeu a não se conformar com o cesto. Aprendeu a brilhar. @rschumaher

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