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@rosana858 há 4 meses
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Fusão Lunar A mulher deixa-se embalar pelo ritmo do vento que move a rede. Observa a noite iluminada à sua frente. A lua brinca de esconde-esconde. Nuvens afoitas tentam apagar sua luz, mas para ela, soberana e única, pouco importa estar em primeiro plano. Sedutora e senhora de muitas faces, ora se recolhe no quarto minguante, ora na fase nova. Cresce ao longo das semanas e, finalmente, se entrega por inteiro — plena e cheia, como nesta noite. As duas vibram na mesma frequência; seus ciclos são um só. Então, um intruso se aproxima. A disputa feminina paira no ar. Ele surge de mansinho, vindo da escuridão. O clima de paixão se adensa. A mulher, tomada por ciúme, intui que o amor entre ele e a feiticeira vem de outras eras. Desconfia que se encontram nas madrugadas — num namoro secreto. A lua, desejando impressioná-lo, cintila com toda a sua intensidade. O homem veste um manto de névoa e dança pelo gramado, seguindo o ritmo das marés. A mulher percebe que sua presença é ignorada. Levanta-se e decide também entrar no palco. Com medo de quebrar a magia daquele instante, sente a terra sob os pés e caminha lentamente. Ele ignora sua presença e continua a bailar livremente. Tomada por uma intensa necessidade de fazer parte daquele espetáculo, a mulher compreende que precisa entrar em cena. Libera seu perfume. Seu cheiro atrai a criatura, que, fascinado, bebe o elixir de sua taça. Ela o observa com paixão, como um mestre diante de sua obra-prima. Seu corpo se torna leve, como tinta na ponta do pincel de um artista. Deixa-se conduzir, permitindo que ele defina suas nuances e formas. Entrega-se ao compasso frenético e multicolorido da obra, que finalmente se completa. Uma conexão ancestral. A fertilidade ascendente. Masculino e feminino se fundem em prazer. E a lua, em silêncio, brilha — mera testemunha. @rschumaher

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