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@CrisRibeiro há 7 meses
Público
#Desafio 201 ENTRELINHAS 🅢🅔🅧🅧🅧🅣🅞🅤 no Dia do Escritor Entra sem bater. Senta à mesa do meu pudor e o despe, em deguste lento. O silêncio acende a luz baixa. A respiração escreve o prólogo nos vãos do meu pescoço. Nu, carrega o charme sujo de quem esqueceu o nome do pecado, mas nunca o gosto. Um piano oferece suas teclas como costas arqueadas. Música que só se ouve com os dedos e os dentes. As mãos tropeçam de propósito. Acham rendas onde nem há tecido. Abrem meus segredos com a leveza lasciva de quem já não acredita na pureza da palavra. Entre o susto e a entrega, tremo. O poema sobe pelo ventre, arrepio que lembra meu nome e o esquece depois, na rima da nuca. Desce suave, outra vez, pelas linhas que a gramática evita. Ele (ou talvez eu) encaixa vírgulas com o quadril, abre parênteses com as coxas, encerra sentenças com reticências na língua. Não permite ponto final. E há um verbo que nos une, no presente mais que urgente da pele. Só os amantes percebem. Somos só gerúndio: ainda, acontecendo, desfazendo-nos. Sempre. Mais que corpo. Mais que sonho. Para além , muito além, do amor. Cr💞s Ribeiro

Comentários (2)

@MarU · há 7 meses
Poema delicioso e sofisticado. Adorei, amiga! 🤌❤️‍🔥
@tibianchini · há 7 meses
As personificações que você cria são... Simplesmente.. espetaculares. Deus do Céu, que coisa boa de ler... 😍 Se eu fosse dizer tudo o que achei sensacional, ia dar outro poema, então vou resumir: PARABÉNS!
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