@CrisRibeiro
há 8 meses
Público
#Desafio 188
Entre o Silêncio e o Grito
Verbo calado,
poeta sem páginas,
adormecido nas dobras do burnout.
Espera que a vida o sopre de volta,
preso no arborecer da própria mente:
pensamentos em galhos,
ramificados, espessos,
impenetráveis.
E eu sou incêndio,
não aprendi a sussurrar.
Labareda de urgência,
abraço que arde,
vontade crua de agora.
Quero estrada,
grito, suor, gozo,
pele que fala
e não apenas o verso.
Nos amamos fundo,
como só os desajustados sabem amar:
atravessando paredes,
entrelaçando mentes brilhantes
e almas esgarçadas.
Mas ele precisa se erguer.
E eu, me conter
(e conter, pra mim,
é sangrar em silêncio).
Entre nós,
o tempo é bicho feroz.
Ele o doma.
Eu o acuso.
Eu grito.
Ele se fecha.
Eu cobro.
Ele se encolhe.
Eu espero em dor.
Ele com esperança.
Nesse nó de dois intensos,
com feridas ainda abertas,
nos reconhecemos,
nos repetimos,
nos ferimos
e tantas vezes,
nos curamos.
Queria dizer:
“Vou ficar contigo.”
Mas ele sussurra em clamor:
“Antes, preciso existir.”
E quem sou eu
para exigir voo
de quem reaprende o chão?
Mesmo assim,
me pego sonhando
com a poesia que ele vai escrever,
com o amor que, se for,
será inteiro.
Quando o tempo
decidir, enfim,
nos sincronizar.
Cr💞s Ribeiro
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