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@luscaluiz há 8 meses
Público
"A FORMA COMO RESPONSABILIDADE DO POETA" Vivemos num tempo em que a poesia parece ter se emancipado de toda exigência de forma. Escreve-se qualquer coisa, de qualquer modo, e chama-se isso de poema. Mas essa liberdade, celebrada como conquista, tem custado caro à própria arte poética. O que define uma obra de arte? E o que os poetas precisam aprender com os outros artistas? No vídeo “O que é uma obra de arte?”, Olavo de Carvalho apresenta seis critérios fundamentais para distinguir uma obra de arte de uma simples intenção expressiva. Em resumo: 1. A obra de arte possui acabamento – é uma forma finalizada; 2. Essa forma é sensível – pode ser apreendida por um dos sentidos; 3. A obra não apenas tem uma forma: ela consiste numa forma; 4. A forma é a finalidade, não um meio para transmitir uma mensagem; 5. O conteúdo sugerido é irrelevante sem a forma que o realiza; 6. A arte não é uma declaração de valores – ela cria formas que os contêm. Esses critérios restabelecem o núcleo do que foi perdido na poesia contemporânea: a responsabilidade formal. E essa responsabilidade se amplia quando olhamos para outras artes. O que os poetas podem aprender com os outros artistas? No artigo “O que os poetas podem aprender com os outros artistas?”, Brian Belancieri mostra como o ofício do poeta se empobrece quando se isola da disciplina que rege o trabalho de um músico, de um dançarino, de um ator ou de um cozinheiro. Todos esses artistas partem de um fundamento comum: o domínio técnico e a dedicação ao acabamento. Belancieri afirma que a arte é levada adiante pelos “mestres do ofício”, aqueles que mantêm sua produção nos limites da excelência, que educam pela forma e que preservam a arte como legado humano. O poeta, portanto, não é isento: tem o dever de escrever bem, de elevar a linguagem e de cultivar a memória viva da poesia. É nesse ponto que as palavras de Brian ganham peso pedagógico: > “Um pintor que erra a perspectiva está acabado. Uma orquestra que desafina não se apresenta duas vezes. Um escultor inapto não engana ninguém. Mas, com poesia, parece que tudo é permitido.” A que se deve essa permissividade? Talvez ao fato de que o erro na poesia não grita – ele se esconde. Ou melhor, é escondido por quem o comete, sob o pretexto do subjetivismo. Mas esse autoengano é fatal. Porque o leitor não é responsável por completar a obra. Quem escreve precisa entregar a forma: precisa alcançar, não apenas sugerir. Assim, uma obra de arte se justifica pela sua forma final, não pela emoção que motivou sua criação. A forma é a instância objetiva onde a poesia se realiza. Fora disso, tudo é rascunho. Referências – Carvalho, Olavo de. O que é uma obra de arte? Vídeo no YouTube. Disponível em: – Belancieri, Brian. O que os poetas podem aprender com os outros artistas? Newsletter Substack. Disponível em: https://open.substack.com/pub/brianbelancieri/p/o-que-os-poetas-podem-aprender-com-f14?utm_source=share&utm_medium=android&r=1hgj6g

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