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@tibianchini há 8 meses
Público
ENTRE CAFÉS E POEMAS 🅢🅔🅧🅧🅧🅣🅞🅤 Uma camisa. Aberta. Mal esconde os seios. Uma calcinha. Rendas. Delicadamente justa. Você anda como quem desliza ou flutua, Roçando o interior das coxas, pé antes pé... Debruça sobre mim. Um beijo quente Para aquecer a manhã fria que desperta. Não há sequer uma palavra: o "bom dia" é sorriso, Que, sem dizer, já diz tudo, em melodia. Deita-se ao meu lado. Com o seu pé Cutuca de leve o meu pé, sobre o edredom: Carícias tão íntimas quanto todas as outras Que trocamos durante a noite. "Agora, me traz um café. Forte". Tal é o seu pedido, uma ordem, um afago. Um café. Forte. Quente. "Açúcar ou adoçante?" "Nenhum dos dois. Apenas o seu beijo me adoça". Um gole lento, deixando que eu admire A curva do seu pescoço, onde, há algumas horas, Deixei marcas de mordidas e arranhões, Que serão renovadas daqui a alguns minutos. Espreguiça-se. Vira o bumbum para mim, E, enquanto isso, estica os dedos em busca De uma caneta e um papel. Inspiração. O café, quente. Seu corpo, mais ainda. De bruços, rabisca habilmente. Na curva das suas costas, A omoplata banhada pelo sol, que, sobre sua pele, Desliza passeando pelo contorno do seu quadril: Tudo isso é o verdadeiro espetáculo. Uma calcinha rendada e uma camisa que é minha. Um pouco de perfume de ontem em meio ao meu suor. É tudo o que cobre este corpo, do qual Ainda não consegui me desconectar. Contorno com os dedos as curvas que a renda faz. "Para", você diz, "Senão não consigo terminar" É um poema, eu sei. Mas, depois de ontem, Nossos poemas não são escritos, são vividos. Seu café acabou. O meu? Nem chegou a ser tocado. Você se vira e sorri. Cruza as pernas. Lê o poema com os lábios entreabertos, como se cada palavra fosse um toque físico. "Você me transformou em poema", você diz, Abraçando o papel como se temesse que o poema pudesse escapar. "Foi você quem me fez querer ser musa, Mas é em nós que eu me torno deusa". "A noite foi sua. A manhã? É minha. Você me trouxe café, mas eu prefiro o sal Que ficou na minha pele quando você foi meu". Nas minhas mãos, o último botão arrancado da camisa. Enlaça o meu pescoço, me puxa com as pernas, Encosta sua testa na minha, e me invade com os olhos. O café esqueceu de esfriar, mas outras coisas fervem, E o poema? Este já é vida real novamente. "Não somos poetas", eu sussurro, entre um beijo e outro, "Somos o próprio verso." E assim, entre cafés frios e corpos quentes, Escrevemos - sem palavras - o epílogo perfeito. A renda da calcinha toca o chão. O café acabou. Os poemas também. Só o que resta é a verdade mais pura: Nós.

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