@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
Para equilibrar um peso,
é preciso o contrapeso:
verdade nua e crua,
gesto sabido de cor,
sem forçar o instante…
leve, quase imperceptível.
Não o vento que entra sem licença,
derruba portas
e segue.
Se o desequilíbrio se faz,
o pivô gira, o eixo cede.
A justiça escapa,
desliza sem pressa,
vai embora sem ruído;
como quem nunca quis ficar.
Se brincas comigo,
brincarei contigo,
mas não entrego a face ao golpe.
Não mais.
Não sou a menina que perdoa.
Não preciso ser boa,
nem mártir, nem santa.
Sou faca que corta o nó,
o verbo que se espalha pelo ar…
alma que arde inteira,
capaz de queimar ou iluminar.
Depende de quem toca a chama.
Este ano me ensinou
a acolher meus espectros;
oferecer-lhes café,
olhá-los sem piscar.
E a mim, abraçar com leveza,
ser sincera até os ossos,
livre dos medos que vestiam sombras,
livre do peso da fantasia.
Se o outro quer jogo,
que busque outro campo.
Aqui não há mais partidas,
não há peças para mover,
nem dores para adornar.
Só a paz que chega,
não como troféu,
mas como quem se impõe
após a tempestade.
É tudo ou nada.
E se nada for,
que o vazio seja meu,
pois aprendi a aquecer as mãos
no fogo que arde em mim.
Quem se ilumina assim
não teme as entrelinhas frias,
nem os abismos silenciosos
que já não olham de volta.
Comentários (1)
@literunico
· há 1 ano
Cheio de significado e de uma mensagem tão importante. A balança da tal da justiça, que serve em todos os lugares.
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