@tibianchini
há 9 meses
Público
Boemia
(Poemas Antigos 009)
De tudo, nesta vida, um pouco,
Sou eu, de poeta a louco,
E de louco, onde sei poder
Abraçar a noite, ardorosa;
Oferecer-lhe uma rosa,
Amar, beijar-lhe... e morrer.
São meus os eternos gritos
Tão selvagens, tão aflitos;
Tão cheios de graça e bondade;
E eu quebro todos os mitos;
Eu sopro meu ar de Carlitos
E enfio no bolso a cidade.
Meu Deus! Como sou boêmio!
Meio doido, meio gênio;
Que nem penso no acordar.
Pois a noite é uma criança:
E de esperar só se cansa,
E perde por esperar.
Sou da rua, sou moleque,
E antes que o corpo peque,
O espírito que me guia
Vai pedir perdão às traças:
Nos bueiros, nas vidraças;
No calor da noite fria.
E que logo venha o inferno,
Que neste céu eu hiberno,
Ao clarear do dia.
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