@tibianchini
há 9 meses
Público
Reborn
(Um poema disforme, sem métrica nem pé nem cabeça. Mais ou menos como anda o mundo.)
Crianças que querem brincar de adulto;
Em seu mundo de faz-de-conta, a arrumar a cama,
A fazer comidinha, servindo à boneca que reclama,
A fazer comprinhas ou namorar um amigo oculto.
A brincar de carrinho - Vruum! Vruum!
Ou a brincar de guerra - Ratatatá!
A brincar de médico, que irá curar
Doenças imaginárias, sem temor algum.
Crianças que já se imaginam crescidas:
Racionalizando conversas e fingindo estudo,
Se metendo em assuntos sérios e querendo saber tudo,
Achando-se senhoras das suas próprias vidas.
Adultos que querem brincar de criança;
Procrastinando leituras e estudos mais,
Indo-e-vindo em Uber, sentados no banco de trás,
Reclamando de como dirigir todo dia cansa.
A escolher matar e morrer em guerras reais,
a fugir de decisões pelas quais se é responsável,
A viver como se tudo fosse permitido e descartável,
A tratar como brincadeiras suas doenças mentais.
Buscando prazer num estranho para trair seu par,
Fugindo das responsabilidades, em busca de diversão;
A gastar mais do que pode, e estourar o cartão,
A procurar o colo de um pai que já não vai voltar.
Crianças maduras, adultos infantis; buscando o que os torne
O ideal do outro, abandonando o que não lhes agrada,
E dedicando-se a uma vida que se resume a nada:
Amores fake, vidas plásticas, sensações vazias, bebês reborn.
Comentários (1)
@MarU
· há 9 meses
São muitas camadas, mas o arremate final, é uma nano crônica neo contemporânea. Genial!
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